Laceração perineal: o que é e como prevenir

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As lacerações perineais são cortes que  podem acontecer de forma natural após o parto via vaginal, ou seja, com a passagem do bebê pela vagina pode “rasgar” em algum ou alguns lugares na região do períneo.

Iniciamos com uma observação bastante importante: a laceração é um corte natural, já a episiotomia é um corte feito por uma(um) profissional com bisturi ou tesoura! Aqui, falaremos de lacerações!

O períneo e a localização das lacerações

A localização das lacerações é variável e por isso falaremos também sobre anatomia!

Região anterior do períneo 

As lacerações que ocorrem na região anterior do períneo envolvem clitóris, lábios e região vestibular. Em geral, as lacerações na região anterior estão associadas a menos morbidade (desconfortos, dores futuras, etc) e menos necessidade de sutura.

Embora poucas mulheres têm laceração no clitóris, esse local merece atenção, por ser uma área muito sensível e vascularizada, podendo causar maior dor e sangramento, tanto durante a sutura como no puerpério. 

As lacerações nessa região são mais superficiais, de cicatrização rápida, mas produzem desconforto, como o ardor à micção.

Região posterior do períneo 

Nessa região as lacerações podem atingir a parede vaginal, a fúrcula e a musculatura perineal e anal. Estão associadas a mais complicações, como hematomas, fístulas e lesões do esfíncter anal e da mucosa retal. 

Vale reiterar que as lacerações na região posterior do períneo incluem a parede vaginal e o esfíncter anal e que esta localização pode dificultar a identificação do trauma. Por isso, é importante que o esfíncter anal e do canal de parto sejam inspecionados cuidadosamente após o parto, mesmo quando a lesão não é facilmente visível.

Em curto e longo prazo, lacerações nessa região podem implicar em dor e problemas de cicatrização, que estão relacionados à profundidade, aos tecidos afetados e à perda sanguínea.

Entendendo sobre profundidade das lacerações e tecidos afetados:

  • Laceração 1º grau: atinge apenas a pele ou a mucosa;
  • Laceração 2º grau: atinge os músculos (bulbo cavernoso e/ou transverso perineal);
  • Laceração 3º grau: atinge o esfíncter anal;
  • Laceração 4º grau: lesão envolvendo a mucosa retal. 

Como eu sei se teve laceração e qual o grau?

Após o nascimento e clampeamento do cordão umbilical, a(o) profissional técnica(o) fará a revisão do canal de parto. Vai pesquisar se teve lacerações, a localização,  grau e ver se há necessidade de sutura. Para fazer essa pesquisa, ela(e) terá que mexer no seu períneo e isso pode causar algum desconforto e dor porque a região estará sensível.

Se a(o) profissional não te informar, você pode perguntar se teve, quantas, aonde e o que mais quiser saber!

Havendo necessidade, será feita uma anestesia local  e a sutura será feita.

 

Como posso prevenir as lacerações perineais?

Massagem perineal na gestação: permite preparar os tecidos perineais para o parto, aumentando a sua elasticidade e diminuindo a sua resistência durante a distensão. Na sua realização, o uso do gel lubrificante, composto por ingredientes com propriedades relaxantes e lubrificantes, permite a melhoria da elasticidade e da extensibilidade da pele e dos músculos do períneo das mulheres grávidas, culminando na redução do risco de trauma perineal.

Compressas perineais mornas no período expulsivo;

As pesquisas sugerem que a massagem perineal pode aumentar a chance de manter o períneo íntegro e reduzir lacerações perineais graves, e que as compressas mornas reduzem as lacerações de quarto grau. A maioria das mulheres aceitam essas técnicas preventivas perineais de baixo custo e valorizam seus resultados benéficos.

Posição materna: a combinação de mudanças posturais, durante o expulsivo passivo (quando já atingiu 10cm de dilatação do colo uterino, mas ainda não sente vontade de fazer força – puxos) e o uso da posição de decúbito lateral (deitada de lado), durante a fase ativa do período expulsivo (quando atingiu 10cm de dilatação e tem vontade de fazer força), estão associados à redução das taxas de parto instrumentalizado (uso de fórceps e/ou vácuo extrator) e de trauma perineal.

Hands off/ Hands on

Foto: Eva Rose Birth

Hands on é quando a(o) profissional técnica(o) fica tocando e alargando a vagina com as mãos no intuito de acelerar o processo de saída da cabeça do bebê. Essa prática é muito comum na assistência obstétrica e pode ser prejudicial para a mulher, pois aumenta o risco de lacerações graves e , além disso pode ser bastante dolorido!

 

Foto: Partografia

O método hands off no parto vaginal, ou seja, não encostar no períneo e permitir que a cabeça saia espontaneamente, oferece vantagens para a saúde da mulher porque este método mostra redução de episiotomia e lacerações perineais. 

Na foto: as profissionais sentadas no chão contemplando e esperando o nascimento!

Puxo espontâneo x puxo dirigido:

Puxo espontâneo é a vontade involuntária de fazer força e empurrar o bebê que surge na fase expulsiva do trabalho de parto. O puxo dirigido é a força que a mulher faz porque e como alguém manda: “agora, vai faz força!” , “enche o peito de ar e força de cocô”… inúmeros podem ser os comandos. Entretanto, as pesquisas mostram que o puxo espontâneo, de forma tranquila é considerado fator de proteção perineal.

*Para quem quiser saber mais sobre as fases do trabalho de parto, clique aqui!

E a Manobra de Ritgen ou proteção de mãos?

Foto: Eva Rose Birth

Nessa manobra, utiliza-se uma das mãos com uma compressa para fazer a contenção do períneo e a outra para sustentar a saída da cabeça, porém segundo as evidências cientificas essa manobra não tem benefícios na prevenção de lacerações perineais. Como não há benefício comprovado, o recomendado é não fazê-la. Além disso, esse tipo de intervenção pode limitar a  movimentação e a liberdade de posição no período expulsivo.

Todos esses pontos podem ser colocados como tópicos no seu plano de parto de acordo com o que você escolher que é melhor para você no seu parto!

Referências Bibliográficas

Caroci AS et al. Localização das lacerações perineais no parto normal em mulheres primíparas. Rev enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2014 mai/jun; 22(3):402-8.  

WHO recommendations: Intrapartum care for a positive childbirth experience, 2018. 

Ferreira-Couto, CM; Fernandes-Carneiro, MN. Prevenção do traumatismo perineal: uma revisão integrativa da literatura. Enfermaría Global, nº 47, 2017. 

Santos RCS. Implementação de evidencias científicas na prevenção e reparo do trauma perineal no parto [tese]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2016. 

Santos RCS; Riesco MLG. Implementação de práticas assistenciais para prevenção e reparo do trauma perineal no parto. Rev Gaúcha Enferm. 2016;37(esp):e68304.   

Aasheim et al. Perineal techniques during the second stage of labour for reducing perineal trauma, 2017.

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