O Estreptococcus e o Parto Normal.

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O Estreptococcus (do grupo B, EGB) é uma bactéria que podemos encontrar no trato gastrointestinal, vagina e uretra de algumas pessoas. Somos capazes viver com essa bactéria colonizada em nosso organismo assim como com outras bactérias e fungos, sem que haja um problema maior, infecções ou doenças.

 

 

O Exame do cotonete

 

A colonização por EGB é intermitente, “vai e volta”. Ou seja, pode acontecer de fazer um exame hoje e obter um resultado positivo (EGB+) e daqui uma semana obter um resultado negativo (EGB-).

O objetivo do exame é identificar a presença da bactéria Estreptococcus do grupo B na gestante. O profissional da área da saúde colhe amostras do canal vaginal e do canal anal, é bem rápido e indolor, porém muitas mulheres se sentem desconfortáveis em fazer o exame. Os médicos levam em consideração a inconstância da bactéria, por isso o exame é normalmente solicitado no final da gestação.

Foto: Promovida a mãe

A mulher e o bebê.

 

Estudos apontam que até 1/3 das mulheres tem EGB+ em algum momento da gestação. E caso você tenha esse resultado tudo bem, não indica que há infecção, na maioria dos casos a bactéria não apresenta risco à mulher. Durante a gestação você vai fazer alguns exames de sangue e urina, e então se houver presença do EGB ou outra bactéria na urina o seu obstetra indicará um tratamento com os antibióticos necessários.

A preocupação é que o bebê seja colonizado durante sua passagem pelo canal vaginal ou na cesariana e contraia infecção neonatal de início precoce (até 48hs de vida) ou de início tardio (até 3 meses de vida). Quando o bebê é infectado, manifesta problemas respiratórios que podem evoluir para uma pneumonia e mais raramente uma meningite ou sepse.

As Condutas

 

Existem alguns protocolos de atendimentos para gestantes com EGB+.

O protocolo americano, faz uma triagem das gestantes entre 35 e 37 semanas, e em todas as mulheres com resultado positivo administram antibiótico intravenoso no momento do parto.

Já o protocolo britânico não faz triagem, mas administra o antibiótico intravenoso em partos com fatores de risco como, partos prematuros, bolsa rota há mais de 18hs, infecção por EGB na gestação anterior e infecção de urina por EGB tratada e curada durante a gestação.

A prática no Brasil se divide entre os dois protocolos, mas é importante completar que o Ministério da Saúde não recomenda fazer o exame no pré-natal, inclinando para a conduta britânica.

 

Foto: Febrasco

O antibiótico administrado durante o trabalho de parto protege apenas as infecções de início precoce, e quando há indicação deve ser administrado a cada quatro horas após o início da fase ativa de trabalho de parto.

 

 

Evidências Cientificas

 

Os estudos concluíram que o uso de antibióticos não reduz o risco de mortalidade decorrente a Estreptococcus do grupo B ou outra bactéria. O risco de colonização quando há uso de antibióticos é de 0,4% contra 4,7% sem os antibióticos. Quando há uso de antibióticos diminui a taxa de bebês infectados, porém os estudos não encontraram diferenças claras sobre o risco de mortalidade.

 

Referências Bibliográficas:

Antibióticos intraparto para mães colonizadas por Estreptococos B. https://www.cochrane.org/pt/CD007467/antibioticos-intraparto-para-maes-colonizadas-por-estreptococos-b

Prevenção da doença perinatal pelo estreptococcus do grupo B
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/SBPEGBCDC2011-2.pdf

Rastreamento do EGB na Gestação: Alternativas https://www.levatrice.com/estreptococos

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