Não, a doulagem não “chegou chegando”

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Ela veio de mansinho, batendo incansavelmente à minha porta. Até que um dia, abri uma frestinha da porta e ela logo entrou, sentou na minha sala e me disse: “aqui é minha casa. Eu vim para ficar.”
Como boa mineira, gosto de pão de queijo, de café e de escutar uma boa prosa. Sou literalmente guiada pelas estações e suas cores e tenho uma enorme admiração pela natureza.
E minha jornada profissional começa pela natureza: sou bióloga, doutora em ecologia. Fui estudar biologia porque queria entender a vida e seus processos. Queria me entender. Foram anos trabalhando com pesquisa.

Até que a maternidade me virou do avesso

Em 2013 nasceu Alice, sentadinha, através de uma cesariana. Foram 9 meses de estudo e preparação para um parto normal que não aconteceu. Foi um puerpério nível hard, quando afloraram minhas relações femininas familiares. Até então eu não tinha ouvido falar sobre doula. De maneira bem natural, comecei a compartilhar com as mulheres mais próximas os meus estudos e experiências sobre os processos físicos e emocionais da gestação, nascimento e puerpério. Em 2016, durante a minha segunda gestação, comecei a conhecer o trabalho da doula. Veio Lívia através de uma cesariana intraparto, uma escolha consciente. Ali no hospital, durante o trabalho de parto e sozinha em muitos momentos, me dei conta da extrema importância dessa profissional. Foi durante a gestação e nascimento da Lívia que também me dei conta do verdadeiro significado do termo “humanização”, junto com meu obstetra. Ele estava sempre aberto ao diálogo, com empatia e respeito as minhas decisões. A partir disso comecei a me interessar por estudar ainda mais o nascer em sua forma holística.

Naquele momento, percebi que a doula é FIGURA ÚNICA

O cenário do nascer no Brasil passou por mudanças que o transformaram em um lugar de pouca conexão humana, tornando-se frio, automático e, em muitos casos, violento. A doula entra neste cenário como uma guardiã, apoiando a mulher para que ela se sinta segura e confiante. Ela estará focada na mulher continuamente, contração após contração, e atenta aos sinais do seu corpo. Doula não é “um luxo” ou “coisa de índio”. A presença da doula durante o trabalho de parto é recomendação da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde e estudos têm demonstrados seus benefícios para a mulher e o nascer.

O bichinho da doulagem me pegou

As amigas-mães dos grupos de apoio me incentivaram a buscar cursos profissionais na área e uma delas logo me disse: “faz um curso de doula.” Os sinais da doulagem chegavam e eu não dava muita bola. Foi em 2018 que agarrei a oportunidade e fiz um curso aqui mesmo em Lavras, com uma equipe de excelentes profissionais. Não tinha volta: sou doula, com amor. Contribuir para o despertar de cada mulher e para a transformação do cenário do nascimento–um trabalho de formiguinha incansável –é o que me move.

Vieram cursos de aprofundamento, de educação perinatal, vivências e muita análise. Sim, análise. Pois a doulagem veio caminhando junto com meu processo de autoconhecimento, meu despertar para o feminino e para a nossa força. Meus maiores interesses passam pela aromaterapia, rebozo, Spinning Babies®, hipnose, sexualidade e psicologia perinatal. Acompanho de forma integral a gestação, trabalho de parto/parto e pós-parto, através de: *encontros teóricos e práticos de educação perinatal; *apoio emocional e físico contínuos em partos hospitalares e domiciliares; *apoio ao aleitamento materno; *encontros pós-parto para suporte emocional e troca de informações. Ofereço também eventos/rodas de educação perinatal para casais e grupos.

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Referências

Evidências qualitativas sobre o acompanhamento por doulas no trabalho de parto e no parto (2012)- http://www.scielo.br/pdf/csc/v17n10/26.pdf

Apoio contínuo às mulheres durante o parto (2017)- https://www.cochrane.org/CD003766/PREG_continuous-support-women-during-childbirth

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, Ministério da Saúde (2017)- http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf

Percepção de mulheres sobre o parto e o papel da doula (2018)- https://revistas.pucsp.br/psicorevista/article/view/34156/27259

Recomendações Organização Mundial da Saúde: cuidados intraparto para uma experiência positiva de parto (2018)- https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/260178/9789241550215-eng.pdf

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