A Decisão Compartilhada no Parto

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Essa dúvida pode soar absurda para você, gestante. Afinal, o profissional médico(a) estudou pra isso, né…ele é quem vai tomar as decisões e dizer como você vai parir. Logo, botão azul!

Para outras (bem poucas, é verdade) a resposta é o botão vermelho, certo?

Mas hoje eu queria falar para você que não é bem essa a decisão que você precisa tomar…

Não se trata de uma escolha entre o bem e o mal…O que você precisa mesmo é de algo que é extremamente necessário quando se pensa em assistência ao parto e cuidados com o recém-nascido, e que na verdade, fica entre esses dois botões:

Você precisa de decisões compartilhadas no parto!

 

Por que? Pra que? O que?

Porque se você deseja um parto respeitoso, o ditado a ignorância é uma benção pode não ser o melhor caminho para alcançar seu objetivo. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada de cesáreas, no Brasil esse percentual chega a 57% e grande parte dessas cesarianas é feita de forma eletiva, sem fatores de risco que justifiquem uma cirurgia de médio porte. Logo, sem informação, sem parto no Brasil.

Pra que a sua experiência ao gestar, parir e maternar seja mais feliz e prazerosa! Alguns estudos indicam que a tomada de decisões compartilhada pode melhorar a satisfação da parturiente e levar a decisões de melhor qualidade. Gestantes que utilizaram apoio à decisão, baseado em evidências, melhoraram o conhecimento das opções, criando expectativas mais precisas dos benefícios e dos possíveis riscos.

O que? 

Tomada de decisão compartilhada significa colaboração entre pacientes e profissionais. É frequentemente descrita como um processo de três etapas:

1) introdução da escolha;

2) descrição das opções, geralmente integrando ferramentas de apoio à decisão da gestante; e

3) ajudar as gestantes a explorar suas opções, preferências e a tomar decisões.

Há um movimento lindo trabalhando paralelamente a essa triste realidade dos dados de parto normal no Brasil que citei acima…tanto para reduzir cesarianas desnecessárias, bem como para reduzir o uso excessivo de outras intervenções potencialmente prejudiciais ao parto, como indução precoce sem indicação ou clampeamento imediato do cordão umbilical.

Esses são esforços muito importantes e muito necessários! Não há dúvidas quanto a isso.

Ainda assim, como educadora perinatal e doula, estou preocupada com o fato de que o elemento mais crítico para alcançar resultados melhores está sendo  esquecido nesse movimento. E esse elemento é a tomada de decisão compartilhada ou co-responsabilidade no parto.

Você, gestante, não vai fazer escolhas conscientes enquanto a cultura disser que o parto é dos médicos e não seu. Para que isso ocorra é imprescindível que a decisão compartilhada seja uma prática amplamente difundida e que ela chegue até você.

Por isso hoje meu texto quer te fazer despertar pela busca de informações baseadas em evidências científicas e pela tomada de decisão compartilhada!

A co-responsabilidade é um caminho que traz muito mais equilíbrio para que o evento parto, um dos mais importantes na sua vida, seja um evento que deixe uma memória feliz e satisfatória, fator essencial para a mudança do cenário obstétrico no Brasil.

A questão é que, para tomar uma decisão você precisa ter todas as informações nas mãos, certo? É aqui que ter uma fonte confiável (um bom pré-natal, aulas de educação perinatal, ter uma doula) pode fatalmente contribuir no sentido de saber o que perguntar, para que você possa se sentir segura ao fazer uma opção durante sua gestação, parto ou cuidados com seu bebê.

Para te ajudar, vou apresentar uma ferramenta bem legal de se usar para quando você precisar tomar uma decisão sobre seus cuidados ou sobre os cuidados com o seu bebê… o uso da sigla BRAIN!

A técnica BRAIN (que significa cérebro, em inglês) pode realmente ajudá-la a extrair as informações principais para decidir o que é melhor e exercer a co-responsabilidade.

Vamos de exemplo?

Você está em trabalho de parto ativo há pelo menos 12 horas, com uns 8cm de dilatação, o bebê ainda está alto e você está se sentindo extremamente cansada, pensando seriamente em optar por uma cesárea porque não está mais aguentando passar por aquele processo. Aí, o obstetra te oferece uma amniotomia (não sabe o que é isso, então clica aqui).

Para tomar a decisão que seja a mais adequada a você – fazer ou não um amniotomia, use a sigla BRAIN:

B- (Benefícios) … Quais são os benefícios? Como isso é útil?

R- (Riscos) … Quais são os riscos? Existem efeitos colaterais na escolha dessa opção?

A- (Alternativas) … Existem alternativas? Posso tentar outra coisa?

I- (Intuição) … O que minha intuição está me dizendo?

N- (Nada) …  E se eu esperar um pouco mais para decidir ou não fazer nada?

Incrível, certo? Porém, para que esse processo funcione, você precisa estar equipada com as informações baseadas em evidências necessárias para tomar uma decisão informada. Isso serve tanto para os cuidados com a maternidade quanto para qualquer outra área da saúde.

A evidência é uma das ferramentas que podemos usar para cuidar dos pacientes. A prática baseada em evidências funciona melhor quando é individualizada, de modo que o diagnóstico e o tratamento sejam considerados juntamente com os valores e preferências de cada paciente e se encaixem em seu contexto pessoal e social.

Todos os profissionais…obstetras, enfermeiras, parteiras, pediatras desejam o mesmo: resultados seguros, saudáveis ​​e satisfatórios para mães e bebês. Mas nem todos, infelizmente,  estão dispostos a permitir que decisões sobre a via de nascimento, o parto e os cuidados com o bebê sejam compartilhados com você.

As mulheres que eu acompanho como doula ou que participam de consultas individuais ou coletivas de  educação perinatal, nas quais eu disponibilizo e indico informações baseadas em evidências científicas são equipadas para falar o mesmo idioma que seus cuidadores médicos, a elaborarem seus planos de parto, a buscar e a encontrar assistências que respeitem suas escolhas e a tomar decisões compartilhadas no nascimentos de seus filhos.

Eu apoiando Martina em seu parto domiciliar planejado Foto: Maíra Matos

Há muitas decisões a serem tomadas durante a gravidez, o nascimento e o pós-parto.  Você pode puxar essa co-responsabilidade para você ou não. Mas saiba que, se você não fizer parte disso de forma ativa você pode estar deixando de fazer as melhores escolhas.

Se você deseja fazer escolhas informadas, receber um cuidado individualizado, adaptado à sua realidade e tomar decisões compartilhadas com a equipe que acompanhará o seu parto, eu posso te ajudar!

Preencha este formulário aqui, descubra como funciona o meu trabalho e, de quebra, receba gratuitamente um ebook que fiz para te ajudar nesse processo!

Um bjo de doula e seguem as referências que embasaram esse nosso papo 😉

Gabriella Santoro Doula – Rio de Janeiro – RJ

  1. Montori VM, Guyatt GH. Progress in evidence-based medicine. JAMA 2008;300(15):1814-16. doi: 10.1001/jama.300.15.1814
  2. Hargraves I, Kunneman M, Brito JP, et al. Caring with evidence based medicine. BMJ 2016;353:i3530. doi: 10.1136/bmj.i3530
  3. http://www.ibes.med.br/tomada-de-decisao-compartilhada-nao-estamos-deixando-o-paciente-decidir/
  4. https://core.ac.uk/download/pdf/37706504.pdf
  5. http://formsus.datasus.gov.br/novoimgarq/20336/3225930_109700.pdf
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