Cesárea do Bem – Parte II

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Já falamos sobre as indicações absolutas de cesárea, que você pode acompanhar aqui.

Agora falaremos de um outro assunto bastante importante: as indicações RELATIVAS de cesárea. Relativas? Isso mesmo. Quando a possibilidade de uma cesárea deve ser analisada de forma individual. Vem comigo?

O Risco e o Benefício

Quando pensamos em cesárea, primeiramente precisamos pensar no porquê dela. Como falamos anteriormente, a cesárea é uma cirurgia de grande porte e trás consigo seus riscos tanto para mãe quanto para o bebê, portanto, quando a condição do parto é duvidosa, é necessário primeiramente considerar na balança quais são os riscos e quais os benefícios que a cirurgia pode trazer. Depois de avaliados todos os fatos, a decisão poderá ser tomada de forma consciente, trazendo seus maiores benefícios, seja parto vaginal, seja cesárea. Vamos conhecer um pouco mais sobre isso?

Indicações relativas de cesárea

·        Distócia ou falha na progressão do trabalho de parto

A verdadeira causa da distócia em geral é de difícil identificação, mas geralmente deve-se a contrações uterinas deficientes ou desproporcões cefalopélvicas. Diante de uma falha na progressão, algumas intervenções podem ser sugeridas para tentar estimular contrações, com ruptura de membranas ou uso de ocitocina. Se o parto não ocorrer, deve-se considerar algum outro fator mecânico ou mau posicionamento, que em algumas situações podem ser revertidas com manobras externas e internas. Caso ainda assim o trabalho de parto não evolua, existe a possibilidade de uma cesárea intraparto.

·        Desproporção cefalopélvica (DCP)

Muitas vezes diagnosticada de forma inadequada, a desproporção cefalopélvica representa uma das mais frequentes indicações de cesárea, porém é um diagnóstico que só pode ser adequadamente identificado durante o trabalho de parto observando-se o partograma. Quando o que se vê geralmente é o diagnóstico de desproporção cefalopélvica em mulheres que sequer entraram em trabalho de parto. Atenção ao seu médico!

·        Má posição fetal

Imagem: Neme, 1995

Nas más variedades de posição do bebê durante o trabalho de parto, algumas manobras e posições podem ser sugeridas antes da opção de cesárea.

·        Bebê sentado/pélvico

Imagem: Akušerė Marija Mizgaitienė

A condição acontece quando a apresentação do bebê no trabalho de parto é sentado ou podálico. O parto vaginal pode ser desaconselhado por alguns médicos devido aos riscos aumentados de mortalidade fetal, porém não é um parto impossível. Para tanto é necessário que a parturiente seja assistida por uma equipe médica preparada e com experiência para tal. A VCE – Versão Cefálica Externa em gestações abaixo da 37ª semana também pode ser indicada, que trata-se da rotação do bebê por meio de externo. É necessário a conduta por um profissional capacitado para isso, pois a manobra também pode trazer riscos de descolamento de placenta e ruptura precoce de membranas. Outra sugestão é fazer alguns exercícios e adotar posições que facilitam a rotação natural do bebê, converse com uma Doula!

·        Frequência cardíaca não tranquilizadora/sofrimento fetal e mecônio

Para tanto, vários fatores devem ser observados pela equipe obstétrica: quais são os métodos utilizados para a avaliação da vitalidade do bebê, qual fase do trabalho de parto a parturiente se encontra, entre outros dados que somente a equipe técnica é capaz de avaliar para chegar a uma conclusão. Sugere-se que sejam avaliados aspectos do líquido amninótico, grau de dilatação, altura do bebê e a variedade da posição fetal, além da ausculta fetal monitorizada. A cesariana deve ser indicada, exceto se a dilatação está completa e houver condições de parto instrumental (com vácuo-extrator ou fórceps).

·        Vírus HIV

A cesárea eletiva realizada em gestantes HIV-positivas é eficiente na redução dos riscos de transmissão do vírus, porém cada caso deve ser individualizado em função de contagem da carga viral através de exames em franco trabalho de parto e com ruptura de membranas.

Se informar e tranquilizar

Sempre que o risco/benefício é analisado, a melhor opção pode ser escolhida e trazer os maiores benefícios para a díade Mãe-bebê. Conhecer os métodos e tirar suas dúvidas vai te ajudar a não entrar em pânico e raciocinar de maneira clara e tranquila, dando espaço também para a compreensão do que a equipe técnica diz!

No próximo post, conheceremos mais sobre as indicações fictícias de cesárea.

Não caia no conto do vigário‼

Referências Bibliográficas:

  • Declaração da OMS sobre Taxas de Cesáreas

https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/161442/WHO_RHR_15.02_por.pdf;jsessionid=79DE24733265D8C9E4CE875B67C3352A?sequence=3

  • Melânia Amorim – Indicações reais e fictícias de cesariana:

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

  • Melania Maria Ramos Amorim, Alex Sandro Rolland Souza e Ana Maria Feitosa Porto – Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I:

https://www.dropbox.com/s/p9xv0m8kbg7tsvn/cesariana_baseada_evidencias_parte_I.pdf

 

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