Gestante, visite a maternidade

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Toda gestante sabe da importância do pré-natal, pois é nesse período que ela faz todo seu acompanhamento gestacional para saber das suas condições de saúde e do bebê, realiza os exames laboratoriais para identificar e tratar doenças que podem trazer prejuízos a saúde da mãe e do filho, bem como, durante esses quase 09 meses, ou durante essas 40 semanas (aproximadamente) a gestante, de um modo geral, se prepara para receber seu filho.

Mas existe uma situação que algumas gestantes não observam durante essa preparação e que eu digo que deveria fazer parte sim do pré-natal: a visita à maternidade!

Sim, eu considero super importante (e abaixo vou elencar vários motivos e a partir desse texto você nunca mais vai deixar de visitar uma maternidade ou orientar uma gestante a visitar…).

Essa visita é tão importante que existe para o Sistema Único de Saúde (SUS) a lei de vinculação (Lei Federal 11.634/2007) que justamente fala da importância da visita da gestante à maternidade, vinculando-a ao hospital e evitando, inclusive, a peregrinação da gestante atrás de vagas em maternidades, o que causa muito incômodo, e tal fato pode ser considerado violência obstétrica (peregrinação atrás de vagas)!

Fonte: www.planalto.gov.br

A visita de vinculação faz parte da Rede Cegonha[1] e garante o direito ao atendimento na gravidez, no parto e após o parto. A lei de vinculação (Lei Federal nº 11.634, de 27 de dezembro de 2007) que diz:

 

´Art. 1o  Toda gestante assistida pelo Sistema Único de Saúde – SUS tem direito ao conhecimento e à vinculação prévia à:

I – maternidade na qual será realizado seu parto;

II – maternidade na qual ela será atendida nos casos de intercorrência pré-natal.

  • 1o A vinculação da gestante à maternidade em que se realizará o parto e na qual será atendida nos casos de intercorrência é de responsabilidade do Sistema Único de Saúde e dar-se-á no ato de sua inscrição no programa de assistência pré-natal.
  • 2o A maternidade à qual se vinculará a gestante deverá ser comprovadamente apta a prestar a assistência necessária conforme a situação de risco gestacional, inclusive em situação de puerpério.

Art. 2o  O Sistema Único de Saúde analisará os requerimentos de transferência da gestante em caso de comprovada falta de aptidão técnica e pessoal da maternidade e cuidará da transferência segura da gestante´.

Então pense assim: se a própria rede cegonha incentiva e reconhece a importância do vinculo à maternidade e a importância de visitar o local é porque é comprovado que tais atos trazem muitos benefícios ao binômio mãe-bebê, então vamos lá, vou citar mais motivos para você ir conhecer as maternidades:

Mas o que eu devo observar em uma visita à maternidade?

Vou elencar pra vocês aspectos que devem ser observados e perguntados. Todos esses eu observei quando fiz as visitas às maternidades para parir meus dois filhos. O primeiro eu visitei 01 maternidade particular e uma do SUS, e optei pela maternidade do SUS (a qual eu visitei 02 vezes porque tive dúvidas de algumas coisas e voltei lá pra esclarecer), e no meu segundo filho eu visitei três maternidades (uma do SUS e duas pelo convênio), sendo que as do convênio eu visitei 02 vezes cada até decidir por uma. Por que conto isso? Pra dizer que você, tendo a possibilidade, deve visitar mais de uma, e se ficar com alguma dúvida inclusive pode ir visitar novamente! E visite com o seu acompanhante ou doula pra que eles também estejam familiarizados com o ambiente!

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Visita à maternidade. O que observar?

Então aqui vai uma listinha de coisas a serem observadas:

1) PERMISSÃO DE ACOMPANHANTE E DOULA:

Acredito que esse seja um dos principais aspectos a serem esclarecidos na visita! Não adianta você querer um parto humanizado se ao chegar na maternidade (no dia do parto) a instituição não respeitar a lei do acompanhante e você não puder entrar com ele, e também não permitir a presença de doula!

Isso deve ser esclarecido na visita! Por isso se você quer um parto respeitoso, humanizado, quer parto normal ou cesárea, seja o que for, você precisa ANTES saber se você terá seus direitos respeitados, pois no dia, caso isso seja negado, você vai ficar nervosa, insegura, e tudo pode ir por água abaixo!

Já pensou você ter uma doula durante toda a gestação e na hora do parto o hospital não permitir a presença dessa profissional?

Então para evitar surpresas desagradáveis você deve saber tudo isso antes! Como eu digo: hora do parto não é o momento de ativismo, o ativismo (caso necessário) ou a luta pelos nossos direitos começa antes! Muitas situações podem ser resolvidas em uma visita à maternidade, inclusive denunciar aos órgãos cabíveis que a instituição não cumpre a lei do acompanhante ou não permite a presença de doula!

Questione isso na hora da visita à maternidade!

2) LOCALIZAÇÃO:

Acho muito importante ao menos você ter feito o trajeto da sua casa para a maternidade em horários normais e em horários de pico, para ter uma ideia de quanto tempo leva para chegar até a instituição quando você entrar em trabalho de parto! Isso vai trazer mais segurança pra você e pra quem foi dirigir o carro, por exemplo, pois você já terá uma base e noção de tempo, e pode, assim, inclusive ficar mais tempo em casa porque sabe que irá chegar, por exemplo, em 40 minutos até o local.

 

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Analise a distância da sua casa até o hospital e estude o tempo de viagem. Verifique inclusive se há obras no trajeto! Sim, pode ser que em determinado período existam obras que irão alterar todo o sentido do trânsito! Saiba tudinho!

Saiba qual entrada caso você chega em regime de plantão/emergência, saiba qual entrada caso seja uma cirurgia (cesárea) agendada! Sim, no hospital que eu pari o José Inácio a entrada para o plantão era totalmente diferente da entrada para cirurgias, inclusive era em outra rua, pois era considerada a entrada para o serviço de emergência e tinha protocolo diferente da entrada principal do hospital!

Também deve observar se tem estacionamento perto, se a maternidade tem estacionamento próprio, se você chegar de madrugada onde fica mais seguro deixar o carro. Saiba tudo sobre a questão da localização!

3) ÍNDICE DE PARTO NORMAL:

Se você deseja ter um parto normal deverá saber qual a porcentagem de parto normal da instituição, se eles realmente realizam parto normal. Isso também deve ser esclarecido durante a visita!

Algumas maternidades têm um índice muito baixo de parto normal, então assim, não adianta você descobrir isso somente na hora do parto e gritar que deseja um parto normal ou um parto humanizado! É igual você entrar em um restaurante de comida italiana e gritar que quer comida japonesa! Eles vão servir uma comida italiana, entendeu? Então descubra antes o cardápio da sua instituição para ter tempo de procurar outra ou buscar meios de adaptar o cardápio oferecido! Pergunte, questione, pesquise!

4) COBERTURA DO PLANO DE SAÚDE:

Para saber sobre a cobertura do plano de saúde/convênio você não precisa necessariamente visitar a maternidade, pois pode verificar diretamente no plano, mas para evitar surpresas é de bom grado você perguntar na visita as informações sobre o seu convênio, verificar quais serviços estão inclusos na cobertura, em qual quarto você irá ficar pelo seu plano (pedir para olhar o quarto, caso não esteja ocupado), perguntar quais os planos de saúde aceitos pela instituição e os serviços incluídos no plano, bem como pergunte quais são os gastos extras, serviços que você paga de modo particular, caso existam.

5) SELOS DE QUALIDADE:

Sabe aqueles selos de hospital amigo da criança? As certificações de qualidade? Pois é, elas são importantes porque demonstram que a instituição obedeceu critérios exigidos. Então é muito legal você verificar isso ao visitar a maternidade! Tal ato também vai trazer mais segurança pra você!

Também verifique se o hospital tem a licença da Anvisa para operar, observe se está com tudo em dia…

Fonte: www.blog.saude.gov.br

 

6) INFRAESTRUTURA/EQUIPE DO HOSPITAL:

Procure saber quais são os profissionais que fazem parte da equipe médica. Se você chegar no plantão pergunte quais profissionais estarão lá disponíveis e quantos, por exemplo:

Obstetras –  Pediatras –  Anestesistas –  Enfermeiras obstétricas.

Verifique se a instituição possui:

UTI Neonatal,

UTI materna.

Caso não possua pergunte qual será o protocolo caso você ou o bebê precisem ir para a UTI (pergunte para qual hospital encaminham, como é o procedimento).

Pergunte se a maternidade tem banco de leite, suporte ambulatorial, sala de pré-parto, sala de parto e pós-parto adequadas (quais materiais, se tem bola suíça, chuveiro com água quente, barras para alongamento) e recursos como ultrassonografia, se oferecem analgesia para o parto normal.

7) DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA:

Faça uma pasta com todos os documentos para admissão na hora de dar entrada na maternidade, pergunte todos os documentos exigidos para a internação, leve sua cartão de gestante e exames (ultrassons, por exemplo).

8) PLANO DE PARTO:

Veja se a maternidade aceita plano de parto e se eles têm algum protocolo (tem que protocolar antes o plano de parto, pode ser entregue no plantão etc).

9) REGRAS DE VISITAÇÃO/SEGURANÇA:

Pergunte antes e anote (até para avisar para as pessoas que desejam visitar, já colocar os avisos em grupos do whatsApp, já comunicar a galera sobre o horário de visitas ao recém-nascido) qual o horário permitido de visitas, se tem limite mínimo por dia, se crianças podem ir visitar (por exemplo, quando eu ganhei meu filho José Inácio estava um surto de sarampo na cidade de Manaus, e tinha várias pessoas internadas com sarampo, e o hospital, por segurança, não estava permitindo a visita de crianças).

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Fonte: Vix.

Pergunte sobre os protocolos de segurança, regras para entrada e saída, identificação e monitorização dos recém-nascidos, pois muitas mães após o parto ficam com medo de troca de bebês e coisas do gênero, então já se informe antes sobre essas questões de segurança para manter a calma após o parto!

10) ALOJAMENTO:

Caso você fique tem alojamento verifique o tipo de alojamento, o lugar para o acompanhante e as condições do quarto, bem como onde fica o bebê, onde dorme o acompanhante. No parto do Miguel Irineu (foi pelo SUS) eu fiquei em alojamento, era um quarto com espaço físico para 08 mulheres e os bebês ficavam o tempo inteiro conosco no ´berço´ao lado da nossa cama, e também tinha uma cadeira para o acompanhante repousar, mas como eu tinha visitado 02 vezes a maternidade eu já sabia da situação, e achei muito legal, pois as mamães ficavam trocando experiências entre si!

11) PROTOCOLOS HOSPITARES:

Pergunte sobre os protocolos de atendimento do hospital. Todos os procedimentos protocolares devem ser previamente explicados e, de acordo com a lei, você não pode ser obrigado a passar por procedimentos que não esteja em total concordância. Ou seja, quando for assinar algum termo de consentimento pergunte tudo, leia tudo, e pergunte antes, na visitação, quais protocolos existem!

Também pergunte os protocolos em relação ao atendimento ao bebê. É importante que os pais estejam informados sobre o ambiente em que o bebê vai nascer, pois isso traz calma e menos surpresas. Pergunte se colocam colírio no bebê, por exemplo. Pergunte se eles têm algum protocolo de horas de parto para encaminhar para uma cesariana. Pergunte mesmo, não tenha vergonha!

Visitou a maternidade? Tudo lindo? Então boa hora!

Viram quanta coisa temos pra perguntar nas visitas? Sugiro que você tenha um checklist maternidade, tenha um caderninho com a lista de dúvidas a serem esclarecidas para assim evitar contratempos! Evitando contratempos você ficará mais segura e com menos adrenalina no corpo! E com menos adrenalina e mais segurança você vai ter um parto maravilhoso.

Conheça o local onde seu bebê irá passar as primeiras horas de vida!

 

[1] A REDE CEGONHA é uma estratégia do Ministério da Saúde, instituída no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) pela Portaria nº 1.459, de 24 de junho em 2011, que implementa uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo, uma atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e, às crianças, assegurar o direito ao nascimento seguro, ao crescimento e ao desenvolvimento saudável.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

Lei de vinculação. Acesso : http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11634.htm

 

Rede Cegonha. Acesso: http://www.saude.gov.br/acoes-e-programas/rede-cegonha

 

 

 

 

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