Apoio no puerpério – como dividir o fardo

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Nove meses de gestação, a ansiedade pra saber o sexo; prepara o chá de revelação; compra o enxoval todinho rosa ou azul, pinta o quartinho, compra os móveis, decora; organiza o chá de bebê, ah que alegria! No parto a gente também pensa bastante, ui da até frio na espinha! Mas a gente pensa. Imagina como gostaria que fosse e também como não gostaria.

Ótimo! Tudo isso é parte do processo, mas já parou pra planejar, colocar na ponta do lápis como vai organizar a vida pós-parto? Muito bem! Planejemos isso agora.

 

Prepare seu templo: você

 

Sabemos que o puerpério é um momento desafiador seja pelo turbilhão de emoções, pelas modificações hormonais ou pela tentativa de adaptação à nova rotina. Combinado com esses fatores, sabemos também que a nossa cultura tende a colocar a responsabilidade com o bebê somente sobre a mulher sem permitir espaço para contestações. Sabemos que há muito julgamento para com a mulher que manifesta não lidar bem com essa função.

Acolho e me solidarizo com suas angústias sobre esse momento e é por isso que te proponho a tentar transformar tal angústia em ação. Comece entendendo a origem dessas aflições e para cada uma delas tente elaborar uma solução, mesmo que por enquanto não ache que elas estão ao seu alcance. Você vai notar que fará diferença destrinchar essas questões para que assim possa visualizá-las por outros ângulos.

 

Elabore um plano pós parto

 

Colocarei alguns pontos importantes para reflexão que te ajudarão a traçar um plano para o pós parto.

Via Pixabay
  • Se permita ser ajudada: Construa uma rede de apoio em quem você sabe que poderá confiar a sua fragilidade. Estamos habituados a colocar a mãe no centro do cuidado com o bebê, porém podemos sim reconstruir essa relação de outras formas com muito menos peso sobre a mulher dividindo essas tarefas de cuidado ou quem sabe te auxiliando no prepare das refeições, alguém que fique responsável por lavar as roupinhas do bebê. Enfim, qualquer atividade que seja dividida já subtrai um peso para você.
Via: Flickr Wes Peck
  • Entenda a necessidade de caminhar num ritmo mais lento: você está em processo de adaptação à nova rotina. Tudo é novo e pode ser que seja realmente difícil lidar com esse momento, então viva um dia após o outro sem pressa.

 

  • Trace as prioridades: o recém nascido exige muito de você, pode ser que você fique horas envolvida em uma única mamada e nesse movimento as 24 horas do dia podem se tornar poucas para as tarefas básicas como mamadas, trocas de fralda, um bom banho seu. Então fique tranquila caso não consiga fazer tantas coisas em um dia e comemore por cada coisa feita. Não queira dar conta de tudo!

 

  • Busque ajuda com a amamentação: Procurar informações sobre pega correta, opções alternativas para amamentar. Caso perceba que não está conseguindo desenvolver isso de forma positiva não deixe de procurar ajuda de profissionais na área, uma possibilidade é procurar o banco de leite da cidade, eles sempre estão disponíveis para incentivar a amamentação oferecendo suporte para que isso seja possível.

 

  • Onde o bebê vai dormir: Berço, berço portátil, carrinho, moisés, cama compartilhada. São várias as opções além do berço no quartinho planejado. Estude e entenda qual a melhor opção para a sua realidade. Esteja disponível para fazer testes e seja flexível com essas possibilidades de mudança.

 

  • Valorize sua privacidade: Não tenha vergonha de falar caso sinta que precisa de um tempo sem visitas.

 

  • Aproveite o momento de dedicação ao seu bebê: você tem muito a aprender com essa relação, muito a aprender sobre ser mãe e também muito a aprender sobre você mesma. Aproveite a oportunidade para evoluir como pessoa.

 

Seja flexível com os planos

 

Quando eu falo em se organizar para o pós parto e para o puerpério não quero dizer que dessa forma todos os eventuais problemas estarão resolvidos. O meu intuito é te orientar a organizar um cenário onde você consiga passar por todas as transformações do puerpério, vivenciando esse momento em toda a intensidade que vier, acolhendo-o com menos culpa, com menos peso, tendo a certeza de que tudo vai passar em seu devido tempo.

Não se cobre pelo o que não fez, tente olhar para esse momento como um processo que está sendo construído ao mesmo tempo em que é descoberto. Tenha a certeza de que o seu processo é único e inigualável, comparações não são a melhor forma para lidar com essa questão. Esteja aberta para o improvável, esteja disposta a olhar com carinho para as mudanças de plano também, pode ser que o que foi planejado pela mulher que gestava pode ser pesado demais para a mulher que pariu e que re-nasceu junto ao bebê.

 

Se quiser se aprofundar nas leituras sobre puerpério, indico os textos abaixo

Referências:

O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão pós-parto https://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902014000100251&lang=pt

 

Acolhimento no cuidado à saúde da mulher no puerpério https://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2017000305011&lang=pt

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