Como a perda do Miguel me ajudou a encontrar a humanização

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Era dia 13/03/2013. Para muitos, dia de expectativa para a escolha do novo papa. Para minha família, dia da confirmação da perda do primeiro neto, filho e bisneto.

O nome foi escolhido através de um sonho. Minha avó, já falecida, veio em fevereiro me mostrar que eu estaria gestante de um menino, e daria a ele o nome de Miguel. Até disse o dia que ele ia nascer: 05/11. Passado algum tempo da descoberta da gestação, ela veio dizendo que Miguel não iria voltar. No sonho, até disse que, naquele dia, seria escolhido um papa sul americano com o nome de Francisco, e que se eu tivesse um menino deveria colocar nele o nome de Francisco. Até briguei com ela no sonho, onde já se viu um papa com o nome de Francisco? Mas veio a confirmação, batimentos inexistentes em seu pequeno coração. Deveria aguardar a curetagem. Deveria…

Jamais vou esquecer aquela data. Aqueles três dias que passei internada, sofrendo violência obstétrica, sem poder comer nem tomar água, e, nas palavras que ouvi, sofrendo igual um bicho para poder parir meu bebê, pois como eu queria ter parto normal deveria sofrer todas as dores possíveis.

Naquele dia, eu jurei que nenhum filho meu ia nascer daquela forma. Fiz uma promessa ao universo também de ajudar casais que buscam respeito na hora mais importante da vida deles, que é o nascimento de um filho.

Imagem do Instagram @gravidadicas

  • Gestação da Heloísa e a paixão pelo parir

Logo me vi grávida da Heloísa, que nasceu em um lindo parto humanizado hospitalar, com todo respeito do mundo, dia 23/07/2014, e mamou exclusivamente no peito até 2 anos e 4 meses. No parto dela, tive certeza que queria ser doula.

Em 2015 atendi uma grande amiga de outra cidade, e, apesar de não poder ter ficado até o final do parto, senti no meu coração que deveria fazer o curso e me tornar “aquela que serve”, e que no meu caso, ajuda a buscar o caminho do respeito ao nascimento.

  • Os cursos

Já em 2016, com o curso em mãos, comecei a atender oficialmente. Percebi também a importância de buscar atualizações, e em 2017 fiz o curso de Coaching em Aleitamento Materno, sendo que atendo, além do começo da amamentação, também o final (desmame, com consultoria presencial ou online).

Amo o que faço. Todos os partos me marcaram demais. Cada um com sua peculiaridade, sua história, seu tempo.

Aliás, humanizar é isso: respeito ao tempo. Respeito à fisiologia. Respeito a vida. Respeito que quero que todo mundo tenha, independente se teu parto terminou ou não em uma via cirúrgica.

  • Cada parto tem seu tempo

Também realizei o sonho de atender grávida. Aurora veio ao mundo esse ano, em um parto domiciliar, após 23 horas de bolsa rota.

Com Aurora aprendi que cada parto tem mesmo seu tempo. Assim como o dela demorou, o da Sandra, por exemplo, foi mais rápido, porém o tempo do Angelo sair do forninho foi após 41 semanas e 3 dias!

Doulanda Sandra (Baby Angelo). Foto Luh Moraes (arquivo pessoal)

  • A doula da família

E, após o nascimento da Aurora, aprendi que a doula é da família toda. A cada consulta, temos mais conhecimento do casal e do que eles querem para o nascimento do bebê. Mostro as posições para parto, explico as técnicas não farmacológicas de alívio de dor, e preparo o casal física e emocionalmente para o trabalho de parto.

Trabalho de parto do Vicente. Pai Fábio. Foto Vitor Pinheiro (arquivo pessoal)

Termino aqui meu texto deixando algumas indagações:  que tipo de nascimento você espera para seu filho? Qual será o primeiro rosto que ele vai ver quando chegar a esse mundo? Que tipo de impressão você quer que ele tenha do nosso planeta?

Se você busca respeito, estou aqui.

Doula Aline

Referências bibliográficas

Parto, Aborto e Puerpério – Assistência Humanizada à Mulher http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/temas-de-atuacao/mulher/saude-das-mulheres/enfrentamento-a-mortalidade-materna-menu/parto-aborto-e-puerperio-assistencia-humanizada-a-mulher-ms/view

Doulas: definições e benefícios segundo evidências científicas http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cssf/arquivos-de-eventos/audiencia-publica-2018/audiencia-publica-debater-o-pl-8363-2017-que-dispoe-sobre-o-exercicio-da-profissao-de-doula/apresentacao-maira

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2 respostas para “Como a perda do Miguel me ajudou a encontrar a humanização”

  1. OOoouuunnnn!!!! Nós estamos ali! Que delícia relembrar! Aline, Aurora veio com quantas semanas mesmo?
    Obrigada por ter feito a diferença e ter me deixado tão segura de que eu conseguiria!!!!

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