A essência do meu ser: doula!

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Foto: Pixabay no Pexels

Minha mãe engravidou de mim quando minha irmã tinha 6 meses de idade. Ela havia nascido de parto cesária (Parto normal ou cesária?, 2004). Quando dei indícios de que queria conhecê-la, as contrações vieram como as ondas de uma praia tranquila e permaneceram até o dia seguinte quando ela e meu pai foram para o hospital.

Chegando lá, os médicos disseram que não havia dilatação e  acionaram o protocolo do soro com ocitocina. Minha mãe ficou numa sala de pré parto pequena e se sentiu sufocar; que momento para se descobrir com pavor de lugares fechados e apertados! Imagino o medo que ela sentiu.

Após 12 horas no soro, já com ondas de contração de um mar revolto, a dilatação não se fez presente e ela pediu por uma cesária. Quando a 7 camada ia ser cortada, o médico notou que os pontos da cesária anterior estavam rompendo. Como eu estava encaixada na pelve de minha mãe, utilizaram o fórceps para me tirar do lugar que foi a minha primeira morada.

Quando eu nasci, ela me chamou de “minha batatinha!”. Nesse momento percebeu que haviam machucado minha cabeça com as colheres do fórceps.

Foto: Josh Willink no Pexels

Fui a única na maternidade a usar uma chupeta improvisada com bico de mamadeira. Por que será que eu chorava tanto? Hoje imagino o impacto do parto em mim (Violência obstétrica no Brasil: uma visão narrativa, 2017).

Em meio a esse mar revolto de acontecimentos, me senti segura nas batidas de seu coração, na presença da sua voz, no calor do seu abraço. Sabia que ali era o meu lugar, junto dela, e nada mais importava naquele momento. 

Um breve lampejo de pressa

No caminhar da minha jornada de uma criança alegre, exploradora e comilona, a vida foi perdendo algumas cores e, para me proteger das histórias que criei, me descobri vindo pela vida de forma autoritária e agressiva, esperando que algo mudasse.

Olhava para o passado com mágoa de alguns momentos e os carregava no meu presente. Olhava para o futuro com esperança de resolução dos problemas: “Um dia vai ser diferente”. E o presente era um breve lampejo de pressa para terminar.

Foto: Igor Cizauskas

A doulagem (Women’s Perceptions of Their Doula Support, 2006) veio despretensiosamente sem nome em minha vida, como uma semente que leva anos para brotar após reflexões dos nascimentos dos meus filhos e, me inspirou a levar informação às mulheres a serem protagonistas do seu próprio parto (O parto é da mulher, 2019).

Quando ouvi essa música interna, sentia que faltava uma melodia. Não dava para transformar o mundo somente com o nascer gentil (O Renascimento do Parto, 2012).

Estamos todos conectados!

Em 2018 escolhi me dar um presente e este foi um curso de autoconhecimento (Zum Zum de mães). O curso que fiz me abriu os olhos para coisas que eu não sabia que eu não sabia e comecei a ser protagonista da minha vida e atuar com todo o meu amor na vida da minha família, vivendo o único momento em que podemos agir: o momento presente! (O poder do agora, 2010). As cores voltavam a soprar em mim!

Foto: Igor Cizauskas

Envolvi meu marido que entrou junto nessa dança e as transformações começaram a ocorrer. Mesmo assim não conseguia olhar o passado e não sentir mágoa e os momentos de fúria iam e vinham como ondas, com processos que hoje sei que são restimulações (Parenting from the Inside Out, 2016).

E nessa busca conheci a abordagem de educação com conexão e escuta do Hand in Hand Parenting (Listen, 2014) através da Vanessa Galvani que integrou o que faltava e senti verdadeiramente a transformação na relação com meus filhos e meu marido! Trouxe leveza e harmonia para minha vida!

Acolher, me conectar e envolver

E saquei que essa era a melodia que faltava para transformar o mundo! Assim, a semente que estava dormente brotou e, para deixá-la crescer, olhei para minha carreira e não me vi mais ali nas minhas escolhas. Para minha surpresa, pois escolhendo a biologia como profissão, não me enxergava na possibilidade de me envolver no cuidado com as pessoas.

Foto: Oriel Nogali

Desde então venho trilhando o caminho de maternidade (A Review of Literature Supporting the Parenting by Connection Approach, 2012) e sinto que acolher, se conectar e envolver outro ser humano me inspira! E hoje eu escolho transformar minha jornada pessoal e profissional e me mover poderosamente na vida, atuando no nascer gentil, acolhendo a díade mãe-bebê, doulando a família, da maternidade ao luto, e envolvendo os pais na construção do caminho de empatia e compaixão com conexão e escuta na educação emocional com seus filhos (Educação Emocional Essencial).

Você pode conhecer mais sobre mim e fazer parte de um grupo único de atendimento se inscrevendo aqui!

Referências Bibliográficas:

Parto normal ou cesária? O que toda mulher deve saber (e todo homem também). Ana Cristina Duarte (autor); Simone Grilo Diniz (autor). 184 páginas. ISBN: 8571395624. Editora UNESP. Edição 1. 2004.

Violência obstétrica no Brasil: uma visão narrativa, 2017 – http://www.scielo.br/pdf/psoc/v29/1807-0310-psoc-29-e155043.pdf

Women’s Perceptions of Their Doula Support, 2006 – https://www.researchgate.net/publication/6072963_Women’s_Perceptions_of_Their_Doula_Support

O parto é da mulher! Guia de preparação para um parto feliz – Cristina Balzano (autoria); Anne Pires (ilustração). 224 páginas. ISBN: 9788582355862. Editora Gutenberg. Edição: 1. 2019

O Renascimento do Parto – Érica de Paula; Eduardo Chauvet. Brasí­lia; Master Brasil e Ritmo Filmes. 2012

O poder do agora: Um guia para a iluminação espiritual. Eckhart Tolle. 156 páginas. Editora Sextante. 2010 –

https://bnous.com/Biblioteca/Autoconhecimento/Eckhart%20Tolle/O%20Poder%20Do%20Agora%20-%20Eckhart%20Tolle.pdf?

Parenting from the Inside Out: How a Deeper Self-Understanding Can Help You Raise Children Who Thrive – Daniel J. Siegel (autor); Mary Hartzell (autor). 311 Páginas. ISBN:  039916510X. Editora Penguin USA. Edição: 10. 2014

Listen: Five Simple Tools to Meet Your Everyday Parenting Challenges. Patty Wipfler (autor); Tosha Schore (autor). ISBN: 9780997459302.

A Review of Literature Supporting the Parenting by Connection Approach By Rebecca Aced-Molina, M.A. 2012 – https://www.handinhandparenting.org/wp-content/uploads/2013/08/Full-Lit-Review-2012.pdf

Caminho da Comunicação Autênticahttps://institutotie.com.br/caminho-da-comunicacao-autentica/

Educação Emocional Essencial  – https://www.youtube.com/channel/UC7QfiDH07yP7NEItUuCZHhQ

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4 respostas para “A essência do meu ser: doula!”

  1. Juuu! Que maravilha de texto! Que venham outros .
    Que sua nova profissão acolha e ajude muitas mães !
    Forte abraço! Julianaramosfreitas

    1. Ju! Querida! Sigamos juntas transformando nas pequenas coisas da vida!
      Beijo grande!

    1. Oi Dê, amore! Ah! Que saudades nas nossas conversas sobre tudo e sobre a preparação para o parto do Ravi!De mãos dadas nos acolhemos e transformamos o mundo!Beijos esmagados!

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