Semana Mundial de Amamentação: pra que incentivar a oferta de leite materno?

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Estamos na Semana Mundial de Amamentação, celebrada sempre na primeira

Fonte: IBFAN

semana do mês de agosto e em agosto também, por definição do Ministério da Saúde, celebramos o Agosto Dourado. Mas você sabe o porquê disso?

Bem, o termo Agosto Dourado surgiu porque o leite materno é considerado um alimento padrão ouro, o melhor alimento que existe! O leite materno confere a primeira vacina que o bebê recebe. O colostro (leite inicial, aquele líquido amarelo) é repleto de utrientes e anticorpos extremamente importantes para a formação da imunidade do bebê. Aliás, é curioso como muitas vezes há um “desprezo” por esse líquido (“nossa, mas SÓ tem colostro?”) sendo que ele é de grande importância para o recém-nascido, possuindo grande quantidade de proteínas, imunoglobulinas, minerais, vitaminas lipossolúveis e outros. Não existe nenhum outro alimento ou fórmula industrial que se assemelhe. Ele é adaptável. Quando a mãe amamenta e a mama entra em contato com o lábio do bebê o corpo materno é capaz de fazer como um “diagnóstico” da saúde do bebê e se adequa para as necessidades específicas daquele neonato, em cada fase de sua vida. Ou seja, se ele está enfrentando alguma virose, por exemplo, o leite materno irá se modificar oferecendo mais nutrientes capazes de ajudar o corpo do bebê a melhorar a imunidade e combater a doença.

PARA QUE AS CAMPANHAS PRÓ-AMAMENTAÇÃO?

Infelizmente ainda estamos distantes de alcançar os índices recomendados pela OMS e pelo Ministério da Saúde de 6 meses de amamentação exclusiva e prolongada por até 2 anos ou mais. Segundo a IBFAN, temos bons índices de início de amamentação, porém apenas 40% dos bebês recebem leite materno exclusivamente até o sexto mês e 45% seguem até os 2 anos de idade.  Nesse sentido, eventos como a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) e o Agosto Dourado, bem como todas as atividades que são desenvolvidas nesses períodos, são importantes porque movimentam ainda mais a sociedade. Meios de comunicação, profissionais… enfim, temos diversos atores trabalhando lado a lado, cada um em uma frente, com um tipo de público, em prol da amamentação. Precisamos melhorar os índices de amamentação, pois já está comprovado que o aleitamento materno é capaz de contribuir na redução da mortalidade infantil e melhora a saúde das pessoas ao longo da vida, sendo assim, é uma questão de saúde pública! Se seguíssemos as recomendações, estima-se que seria possível evitar a morte de cerca de 823 mil crianças e 20 mil óbitos maternos anualmente, além de economizar 302 bilhões de dólares americanos ao ano.

MAS PORQUE NÃO CONSEGUIMOS ALCANÇAR OS ÍNDICES ADEQUADOS DE AMAMENTAÇÃO?

A maior parte das pesquisas não aponta claramente, mas indica alguns caminhos possíveis pelos quais podemos chegar às causas. Em minha atuação, observo uma soma de fatores que fazem com que, apesar de todas as campanhas, ainda estejamos no Brasil muito aquém das recomendações da OMS e do Ministério da Saúde. A meu ver os principais pontos são: as expectativas das famílias em relação à realidade da demanda de um recém-nascido. Eu costumo dizer que se a mulher pudesse “só” (assim, entre aspas) cuidar do bebê, já seria um trabalho gigantesco, mas a maioria ainda tem outras preocupações e afazeres, mesmo quando tem uma boa rede de apoio. Além disso, muitos mitos ainda perduram, tais como leite fraco, que o bebê “precisa” de chupeta, “manipula” a mãe… Somado a isso, a mulher geralmente está exposta a informações diversas e divergentes e opiniões variadas e contraditórias, aí ela está em um momento sensível (devido aos hormônios e adaptação a uma nova rotina), preocupada com seu bebê, querendo fazer tudo “certo”, com privação de sono e outros fatores que a colocam em uma situação ainda mais delicada. Se não bastasse, geralmente não há tempo disponível para apoiá-la e orientá-la corretamente em relação à amamentação. Por ex: em uma consulta, além de toda a avaliação clínica e outros fatores que os pediatras em geral precisam cuidar e observar, e muitas vezes mal dá tempo, como vai sobrar tempo para que ela seja corretamente avaliada? Nunca fiz um atendimento a uma mulher amamentando que tivesse levado menos de 2 horas, podendo chegar facilmente a 3, 4 horas de atendimento.

SOBRE O TEMA DA SEMANA DE AMAMENTAÇÃO DESTE ANO

Dicas para apoiar uma mãe que amamenta
Fonte: autora

Desde alguns anos os temas da SMAM giram em torno da participação e colaboração da sociedade. Já ouviu aquela máxima: “Para educar uma criança é preciso uma aldeia”? Pois é, na amamentação é preciso muito apoio. A maior parte das mulheres, como falei acima, não deixa de amamentar porque não queria, mas porque recebe muitas informações desencontradas e equivocadas e porque se vê sobrecarregada diante de tantas responsabilidades e pressões.

Fonte: Flickr

É claro que existem aquelas que não quiseram ou não puderam, por algum motivo, amamentar seus bebês; mas a SMAM não é para culpá-las ou acusa-las de algo; mas sim para garantir e incentivar, cada vez mais, as mães que desejam e tem condições de amamentar seus bebês para que elas não deixem a amamentação por falta de orientação correta ou suporte.

Assim, existem algumas maneiras de contribuir para melhorarmos o sucesso na amamentação em nosso país e participarmos, efetivamente, como sociedade, família e rede de apoio. Abaixo algumas dicas:

  • Ajude a mãe a se alimentar e hidratar adequadamente;
  • Ofereça uma garrafinha com água sempre que a mãe estiver amamentando;
  • Permita que a mãe se dedique ao bebê, deixando para os demais o restante das preocupações e obrigações (casa, médicos, vacinas, etc);
  • Não ofereça mamadeiras, chupetas ou outros bicos;
  • Ofereça-se para ficar com o bebê para que a mãe possa descansar um pouco ou tomar um banho;
  • Ajude a organizar e receber as visitas, para que a mãe não fique sobrecarregada;
  • Procure encorajá-la dizendo que ela está fazendo um ótimo trabalho (acredite, ela pode não saber disso!);
  • Se ela tiver dificuldades ou insegurança, ofereça uma consultora de amamentação, não fórmula;
  • Procure se informar sobre amamentação para que possa de fato apoiá-la.

 

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Sobre este tema você pode se informar melhor aqui:

IBFAN – SMAM 2019

http://www.ibfan.org.br/site/noticias/smam-2019-empoderar-maes-e-pais-favorecer-a-amamentacao-hoje-e-para-o-futuro.html

Amamentação: A Base da Vida

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_21162c-DC_-_Amamentacao_-_A_base_da_vida.pdf

 

 

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