A respiração no parto – parte 2

Compartilhe:

Do trabalho de parto ativo ao expulsivo a respiração é a melhor aliada

A respiração profunda, em qualquer momento de tensão, é uma grande ferramenta de relaxamento e meditação. No trabalho de parto e parto, é uma grande parceira.

Respirar profundamente contando entrada e saída de ar ajuda a manter o foco no lugar certo e a relaxar o corpo. Se você não sabe do que estou falando, clica aqui para entender melhor.

Trabalho de parto ativo

Respiração / foto: Fabiola Cotinho

Então, agora vamos falar sobre o poder da respiração na fase ativa e expulsivo. Lembrando que a fase ativa do trabalho de parto é, normalmente, quando a dilatação do colo do útero está em 5 cm de dilatação, contrações mais intensas e com duração média de 50 segundos.

No TP ativo (Trabalho de Parto) a respiração passa a ser mais que fundamental, a melhor a amiga! Justamente no momento em que a dor começa a ficar mais intensa, que a gente sente aquela pressão na vagina, é que a paz deve reinar no coração, se possível. Ta bom, não vou exagerar! Uma tranquilidade.

Respirar e vocalizar: é libertador.

O corpo naturalmente companha o ritmo da respiração. Coração, ao invés de acelerar, mantem o ritmo dos batimentos e todo o corpo acompanha.

“Gerar uma criança torna o corpo muito alerta – um universo fechado em i mesmo, mas que não perde a noção do mundo exterior. Em nenhum outro momento é tão necessário habitá-lo com conforto: maxilares relaxados, respiração fluida, coração sereno, músculos flexíveis da cabeça até a ponta dos pés.”

Neocórtex

É necessário se entregar!

É no trabalho de parto ativo que “perdemos” o controle. É aqui, a hora de deixar o raciocínio de mulher moderno-contemporânea de lado e somente sentir. Deixar a mulher bicho vir à tona.

Foto: Fabiola Coutinho
Bravura / foto: Fabiola Coutinho

Quando isso acontece, é o apagamento de uma parte do cérebro chamada eocórtex. Aí… partolândia à vista: não conseguimos responder perguntas, saber do tempo, das ideias… muitas vezes nem falamos coisa com coisa. Isso significa que o mais importante é a conexão com o momento. Com o corpo. E meditar com a respiração é o que promove o abraço entre dor e confiança.

“Todo o resto do córtex é classificado como neocórtex.(…) O neocórtex é o responsável pelas mais importantes funções cerebrais do homem (Singi 1996).”

“(…) a mulher, deve desativar o seu neocórtex e ativar o cérebro primitivo para que haja o equilíbrio hormonal necessário para uma adequada fisiologia de parturição.”

ABRINDO UM PARÊNTESE: É nesse momento que aquelas que não têm uma doula para chamar de sua, mais sentem falta de uma.  De lembrá-la sobre respiração, relaxamento… receber massagem. Lembrá-la que a dor é passageira e que aquilo ali não é sofrimento. Entender o trabalhado de parto como um reencontro consigo mesma, e que a respiração faz a ponte.

Perca o controle!

E aonde entra o períneo nessa história?

Com o passar o tempo, a vocalização vai ganhando corpo. Nessa altura a dor das contrações já está bastante intensa, e a voz grave e suave passa a expressar a dor através de gritos. Mas não qualquer grito. O grito de libertação, de esvaziamento. Grito de relaxamento. Um grito de nascimento!

Foto: Fabiola Coutinho
Grito em TP ativo / foto Fabiola Coutinho

Lembra que falei sobre a respiração ser a melhor amiga da vocalização? Então. É aqui, na fase ativa, ativíssima, que respiração e, especialmente a vocalização (canto ou grito), vão ajudar a relaxar a vagina, ânus e períneo. Ao vocalizarmos, liberamos a produção de endorfinas, pelo relaxamento. Corpos mais tensos e reprimidos tendem a sentir mais dor.

“O assoalho pélvico ou perineal é o conjunto de músculos que alinha a parte inferior da pélvis.”

O períneo precisa estar relaxado para que o bebê possa chegar até ali e passar, da forma mais tranquila que puder. Se você tenciona o corpo, natural, ou automaticamente, fecha ânus e períneo. Quer ver um exemplo? Se imagine, ou lembre, em situação de tensão ou perigo. Como seu corpo se comportou? Quando você contou esse fato para alguém sua fala foi: “eu estava que não passava uma agulha…”? Se foi desse jeito, é exatamente assim que fica o períneo. Se não passa uma agulha, imagina um bebê. Está bem! Claro que passa o bebê, mas com bem mais dificuldade para você e para ele.

“Trabalhar a respiração e cantar podem sim ajudar. Não como técnica que se aprende para controlar,Mas como via de libertação.”

E o expulsivo, como fica?

Chegamos à dilatação completa. Quanto trabalho até aqui, hein?! O bebê já está mais perto do canal vaginal. Já estamos na posição mais confortável para receber o bebê mais lindo do mundo. O que fazer agora?

Miga, mantem a respiração. Digo mais uma vez: a respiração profunda deve ser sua amiga para a vida! Você vai lembrar disso quando chegar no puerpério, mas isso é assunto para outro dia.

Foto: Fabiola Coutinho
Expulsivo / foto Fabiola Coutinho

Uma das coisas que mencionamos no Plano de Parto, é não fazerem puxo dirigido, ou seja, quando determinam a hora e a intensidade de fazermos força. Sabe por quê? Por que quando fazemos força maior que nosso corpo pede, a chance do períneo romper (entre outras coisas) é muito grande. Então a dica que eu lhe dou é: quando vier a contração, respiração profunda – para, além de você relaxar, também enviar oxigenação para o bebê –, ponha o ar para fora da melhor maneira que você encontrar – cantando, gritando, soprando… desde que relaxe todo o seu corpo, da cabeça aos pés, e sinta a força que seu corpo faz. É involuntário. É instintivo!

Sinta seu corpo empurrando seu filho para os seus braços. Se concentre e traga-o ao mundo.

“O corpo é um todo, uma vasta rede nervosa, sensorial, sensual. Tudo se completa, a parte superior com a inferior, a interior com a exterior. Um orifício lembra o outro, uma sensação num orifício da cabeça provoca sensações no orifício genital. A tomada de consciência de uma cavidade desperta a consciência de outra cavidade. O conhecimento da boca solicita o conhecimento da vagina, e o da vagina solicita o do útero, com sua boca oferecida. Na hora certa, essa boca se abrirá para deixar passar com naturalidade a cabeça do bebê. Os lábios da boca lembram os lábios do sexo. A língua tão musculosa – contém nada menos que dezessete músculos – com suas perturbadoras contrações e retrações pode conseguir, através de movimentos precisos, liberar a respiração, os músculos da nuca e os das costas.”

Então, bota a boca no trombone, relaxa o períneo e traz o bebê!

 

Fonte:

Quando o Corpo Consente – Marie Bertherat, Thérese Bertherat e Paule Brung;

Se me contassem o parto – Frederick Leboyer –

http://www.scielo.br/pdf/ape/v30n3/1982-0194-ape-30-03-0217.pdf

fhttp://www.repositorio.uniceub.br/bitstream/123456789/2421/2/9713912.pdf

www.mulheresbemresolvidas.com.br/perineo

 

Doulas recomendam:

Puerpério: dicas práticas de como sobreviver O puerpério é um período de adaptação da mãe, do bebê e da família, também conhecido como resguardo ou quarentena. É um período delicado, em que grand...
Desproporção céfalo-pélvica, “eu não tive passagem... Para o bebê sair do corpo da mãe, ele tem que atravessar um longo e, geralmente, lento caminho entre os ossos da bacia materna, mas tanto o corpo da m...
O que acontece com o corpo pós parto Você já parou para pensar por todo o processo que o seu corpo passa durante a gravidez, e que ele demora 9 meses nesse processo? São alterações hormon...
Meu “Diário Semanal” de gestação ̵... Olá pessoal, tudo bem com vocês? Esse post tem bastante coisa. Vamos começar logo então né? Bastante coisa acontecendo!! Semana passada ligaram d...
Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *