Episiotomia: só um cortinho?

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Episiotomia é o nome que se dá a uma incisão feita na região do períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto. Um procedimento amplamente realizado nos partos normais hospitalares sob a justificativa de evitar lacerações perineais graves.

Há registros dessa prática em meados do século XVIII, sendo aperfeiçoada por Dubois em 1847, mas ainda com pouca adesão, já que havia pouco acesso a anestesia e o procedimento causava muitas infecções. Foi no século XX, quando o nascimento passou a ser considerado um processo patológico e não mais natural, tendo que ser assistido por médicos dentro dos hospitais, que a episiotomia passou a ser feita rotineiramente.

Créditos da imagem: https://www.otaviopaiva.com.br

Atualmente a Organização Mundial de Saúde não proíbe o procedimento, porém recomenda que a taxa de episiotomia não passe de 10% dos partos, sem indicar quando ela é realmente necessária.

 

Problema ou solução?

 

Enquanto os médicos que prestam uma assistência ao parto de forma tradicional, onde os nascimentos são extremamente instrumentalizados, com utilização de fórceps, vácuo extrator, além do uso da posição horizontal na hora do parto, defendem o uso de episiotomia como forma de “ajudar” no nascimento dos bebês, não há nenhuma evidência de que essa intervenção seja necessária, nem que ela evita a laceração natural. Pelo contrário, o uso da episiotomia pode gerar uma série de problemas para a mulher, como o aumento de dor no pós parto, risco de complicações como edema, infecção e hematomas, além do risco de lacerações graves, de terceiro ou quarto graus. Também é comum que mulheres que tenham sido submetidas a episiotomia tenham problemas na vida sexual posteriormente.

Músculos atingidos na episiotomia.
Créditos da imagem: http://estudamelania.blogspot.com.br

 

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Laceração x Episiotomia

 

É muito comum nos grupos de apoio a gestação e ao parto mulheres perguntando se é melhor fazer a episiotomia ou deixar o períneo lacerar naturalmente. Costumo sempre alertar que o corte da episiotomia pode ser considerado uma laceração grau 2, com risco de uma recuperação mais dolorida, fora todos os riscos já citados anteriormente. Além disso, médicos desconsideram o fato de que quando ela não é realizada pode simplesmente não ocorrer nenhuma laceração, ou apenas lacerações de grau 1 ou 2, ás vezes sem necessidade de sutura. Então, baseado nessas informações podemos facilmente responder a essa questão.

Tira a mão daí!
Créditos da imagem: http://estudamelania.blogspot.com.br

 

Mas você pode estar se perguntando, se não existem evidências para a prática da episiotomia como forma de proteger a região perineal, é possível fazer algo para evitar lacerações? Bem, a melhor opção para que se tenha um períneo íntegro após o parto é investir em exercícios e massagens para o períneo, além do uso do Epi-no, para preparar os músculos para a passagem do bebê. Além disso, durante o parto é importante que a parturiente faça força apenas no período expulsivo, quando realmente sentir vontade para tal, manobra de Kristeller também não pode ser feita, pois além de ser considerada uma violência obstétrica, a força excessiva na região perineal aumenta o risco de laceração e pode colocar em risco a vida da mãe e do bebê. Também é recomendado que a parturiente fique em posição vertical na hora do nascimento, se essa for a posição mais confortável pra ela. Mas tudo isso é garantia de que não terei laceração após o parto? Não, nada disso é garantia, mas as chances de ter um períneo íntegro seguindo essas recomendações aumentam consideravelmente.

Epi-no, aparelho utilizado para preparação perineal.
Créditos da imagem: http://www.comparto.com.br

 

Com Carinho

Camila Medeiros, doula parto e pós parto

 

Para saber mais:

Estudo aprofundado sobre Episiotomia:

http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-episiotomia.html?q=episiotomia

Mais sobre laceração no parto:

http://nascermelhor.com/parto/episiotomia-x-laceracao/

Revisão sobre o uso da episiotomia como rotina nos partos:

http://www.cochrane.org/pt/CD000081/episiotomia-no-parto-vaginal

Sobre massagem perineal e exercício para fortalecimento da musculatura

Como evitar lacerações no parto

 

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5 respostas para “Episiotomia: só um cortinho?”

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