Parto normal: eu quero!

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Pintora de Ontário, Canadá
Amanda Greavette

Desde a sua criação a mulher foi agraciada com o poder único e especial de conceber, gerar, parir e nutrir um novo ser. Trata-se de um ciclo desejado, natural e comum à vida, o sagrado feminino. Com o passar dos anos, o ato de dar a luz foi aos poucos sendo retirado da mulher, levado ao ambiente hospitalar e tratado como um procedimento no qual sempre são necessárias intervenções médicas. Tal aspecto acaba colocando em xeque a capacidade plena de que a mulher em uma gestação de baixo risco, que é uma condição habitual, pode parir e dar conta do processo.

O desejo pelo parto normal

Há anos como ativista, defensora do parto fisiológico, lutando pelo direito da mulher é comum ouvi-las dizerem “vou tentar o parto normal”. Entretanto, o resultado é que a maioria não consegue. A pergunta a se fazer é: qual o motivo dessa desistência? Tiveram de fato alguma intercorrência ou não lhes foi permitido seguir essa vontade?

A realidade sobre esse fato pode ser vista a partir de dados levantados por uma pesquisa da Fio Cruz em 2014, a qual mostrou que, no início da gestação, aproximadamente 70% das brasileiras relataram preferir o parto normal. No entanto é necessário saber e não subestimar que o Brasil é campeão mundial na intervenção cirúrgica, cesariana, batendo a casa dos 80% desse procedimento em instituições particulares, números que vão contra ao que é recomendado mundialmente, uma vez que temos como recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde 15% de necessidade deste que tem sido erroneamente a regra e não um recurso fantástico e essencial para a saúde materno-fetal.

Mãos ao parto

Para quem almeja um parto normal ou Vbac (sigla americana para parto vaginal após cesariana) e respeitoso preciso dizer que é necessário sair da zona de conforto e ir à luta, mover os “mundos” a sua volta, fazendo com que escolhas e posicionamento favoreçam a concretização desse sonho. Tendo ou não reconhecimento, a vulnerabilidade é grande. Por isso incentivo, que inicie estudando, leia sobre os benefícios do parto vaginal, a respeito da assistência pautada na medicina baseada nas evidências cientificas, sobre os direitos como gestante e primeiros cuidados com recém-nascido, entre outros ligados a humanização do parto e nascimento. Mas é preciso ficar atento, ser ágil nas escolhas, as semanas passam rápido é momento de pensar racionalmente visando o objetivo maior: o parto com respeito.

Por isso, recomendo, que se deixe as emoções de lado e apegos também, não conte com a sorte, porque ela, anda em baixa e pouco poderá ajudar, considerando-se o cenário obstétrico caótico em que o Brasil apresenta, que seja feita uma pesquisa sobre a prática habitual dos profissionais que fazem parte de uma possível escolha, ou com os quais já estejam fazendo o acompanhamento pré-natal (cuidado com o médico charmoso e fofinho). Após esse breve estudo, um papo rápido durante a consulta poderá sinalizar positivamente ou não se ele atende ao que realmente deseja do início ao, principalmente, fim da gestação.

Pode-se também pesquisar e buscar grupos de apoio à gestação próximos, caso não exista, é possível encontra grupos virtuais que apoiam o parto normal humanizado. Em geral os grupos de apoio presencial contam com “anjos”, conhecidos como doula, que agem como facilitadores, além de outros profissionais ligados à assistência humanizada, e que entendem o parto normal como um evento natural, feminino, fisiológico e seguro. È sempre interessante, durante esses encontros, apresentar os desejos e receios quanto a essa experiência / vivência, seja por meio de um papo rápido e informal ou através de um posterior encontro de orientação com a doula, já que essa é uma figura importante no apoio às mulheres e que acredita no parto como natural e seguro.

A grande questão é que se a mulher não estiver alerta, porque capaz já é, correrá o grande risco de sofrer violência obstétrica, ter o parto roubado ou passar por uma cesariana desnecessariamente. Fazendo-se uma analogia, quando o objetvo é ser aprovado em um vestibular ou concurso público o candidato pesquisa, estuda, dedica-se em prol de ser aprovado à vaga. Sendo assim, quando se trata de parto normal, no Brasil, isso também deve começar a acontecer! Tome a SUA decisão!

 

Referências Bibliográfica:

Indicações reais e fictícias de cesariana:

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html#!/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Parto humanizado e violência obstétrica – Informações para garantia de direitos:

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/53272-parto-humanizado-e-violencia-obstetrica-informacao-para-ter-seus-direitos-garantidos

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