Distócias – Quando imprevistos acontecem

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“Paciência,
Confiança,
Coragem,
Motivação,
Empoderamento,
Tempo.”

Sabe-se que para que o trabalho de parto possa fluir de forma natural e espontânea é necessário alguns fatores:

  1. Maturidade do bebê e da placenta
  2. Hormônios do parto em equilíbrio
  3. Contrações uterinas efetivas e regulares
  4. Mobilidade da pelve

Porém, em determinados casos, o trabalho de parto pode se prolongar um pouco e ocorrer alguma distócia de origem fetal e/ou materna. Ok Mariane, mas o que significa isso?

De acordo com a Febrasgo, “pode-se definir distócia como qualquer perturbação no bom andamento do parto em que estejam implicadas alterações em um dos fatores fundamentais do parto.”

Elas podem ser divididas da seguinte forma

  • Motor: é a força que impulsiona o feto (objeto) através do canal do parto (trajeto). Esta força é gerada pelas contrações uterinas.
Como funciona a contração uterina
(Arquivo pessoal)
  • Trajeto: é o canal do parto. Envolve a parte dura (pelve e suas articulações) e a parte mole (segmento inferior do útero, colo uterino, vagina e região perineal.
Fonte: Manual do Ministério da Saúde (2001)
Mecanismo do parto (Fonte: Manual do Ministério da Saúde, 2001)
  • Objeto: é o feto que irá atravessar o canal do parto (trajeto).

Distócias psicoemocionais tem explicação fisiológica

O ambiente externo também influencia, já que a mulher precisa estar segura e sentir-se acolhida para que possa se entregar ao trabalho de parto. Medo, preocupação, raiva, stress, tudo isso contribui para o aumento da produção de adrenalina (antagonista da ocitocina) e noradrenalina, diminuindo a circulação sanguínea ao útero e placenta. Ocasionando contrações não-efetivas e reduzindo a oxigenação para o feto.

Quando estamos com medo ficamos tensas e a essa tensão faz a dor aumentar. Por exemplo: contraia o braço e dê um tapa. Agora deixe o braço relaxado e faça o mesmo movimento. Percebe a diferença? Este é o ciclo MEDO – TENSÃO – DOR.

distócia
Fonte: Blog Casa da Doula

A dor do parto é diferente de qualquer outro tipo de dor, por várias razões. Primeiro porque não é contínua, a contração começa fraquinha e aumenta até atingir o pico, quando começa a diminuir e desaparece completamente. No intervalo entre as contrações não há dor, pressão ou incômodo algum, é como se nada tivesse acontecido momentos antes. Existem mulheres que até dormem entre os intervalos.

De acordo com uma recente pesquisa da Unicamp, “penumbra torna o parto mais tranquilo.”

Segundo a pesquisadora, alguns estudos reportam que a iluminação ativa o neocórtex, que é o lado do raciocínio, da inteligência. Essas interferências estimulam o neocórtex, exigindo a presença cognitiva da mulher, inibindo a produção de outros hormônios mediadores do processo fisiológico do parto. Durante o parto é preciso que ocorra justamente o contrário: desativar o neocórtex e ativar o córtex primitivo, ou seja, aquele do lado animal, para que a gestante consiga parir o bebê. Consequentemente, a mulher não consegue entregar-se de forma instintiva a “partolândia”.

As mulheres chegam com muito medo ao hospital e isso inibe a ativação do córtex primitivo. Acabam liberando adrenalina, ao invés de liberar a ocitocina (hormônio natural do parto), ficando em estado de vigilância, prontas para reagirem. “Constatamos que, quando as luzes são apagadas, é possível resgatar o córtex primal, ativá-lo e liberar mais ocitocina, permitindo que o parto flua mais naturalmente”, disse.

Fonte: Pxhere

E como podemos evitar as distócias?

  • Dando a mulher liberdade de movimentos (quanto mais prolongado o parto, mais ela deve movimentar-se);
  • Acolhimento aos seus desejos e necessidades, que seu plano de parto possa ser respeitado;
  • Protegê-la de interferências externas não expondo a gestante;
  • Facilitar um ambiente privativo a agradável à gestante;
  • Informá-la de todos os procedimentos que deverão ser realizados;
  • Encorajar, elogiar, afirmar sua capacidade de parir por meio de palavras, gestos, toques, carinhos;
  • Utilizar técnicas de relaxamento, respiração, vocalização (se desejável), musicalização;
  • Métodos não-farmacológicos de alívio da dor;
  • Não privar sua alimentação e hidratação;
  • Utilizar de linguagem simples e objetiva com a gestante, evitando que ela precise raciocinar demais;
  • Deixar o ambiente mais escurecido.

 

Leia mais em:
Distócias – Febrasgo

Hormônios do parto – Blog Casa da Doula

O tamanho da pelve importa? – Blog Casa da Doula

Trabalho de parto prolongado

O três cérebros – vídeo do YouTube

Penumbra torna o parto mais tranquilo – Pesquisa Unicamp

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