Cordão umbilical enrolado no pescoço do bebê: Entenda por que você não deve se preocupar com isso

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A gestação é, sem dúvida, o momento de clímax na vida de uma mulher! Reprodutivamente falando é o ápice, onde aquele corpo feminino está “fabricando” um novo corpo. Uma “revolução hormonal” e “mitótica” (lembra da mitose, das aulas de biologia do 2ª grau?), quase um “vulcão em erupção” de tanta atividade na fabricação de um novo ser humano.

Deveríamos nos sentir deusas por causa disso. Verdadeiras magas, mágicas, dotadas do poder especial de “fabricar gente”. Mais do que isso…. Deveríamos ser reverenciadas na gestação por estarmos fabricando pessoinhas dentro dos nossos próprios corpos. Deveríamos ser paparicadas ou respeitadas (ou ambos) durante este período tão especial que é a gestação.

Mulheres magas. Gif by Giphy.

Mas o que acontece com as grávidas durante as suas gravidezes?

Estar grávida é…

Ser bombardeada com medos, angústias, mitos, questões, questões e mais questões… É estar soterrada por dúvidas (principalmente sobre o parto), quase que em uma conspiração para sairmos correndo chorando e implorando aos céus para que aquela gestação acabe logo e que no final nós e o bebê fiquemos vivos e bem (UFA!).

Não nos coloquem medo, nos ajudem! Gif by Giphy.

Nem precisamos falar de tantas coisas assim para exemplificar todas as angústias passadas pelas mulheres durante a gestação. Duas palavrinhas simples exemplificam perfeitamente a situação.

Não passe por essa pressão sozinha! Compartilhe suas angústias e a busca pelo parto normal com outras mulheres!

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CORDÃO UMBILICAL

Se a palavra “circular” for somada a este time acima então, aí temos o pacote completo para o verdadeiro pânico, ainda mais em momentos finais da gestação.

CIRCULAR (de) CORDÃO UMBILICAL.

Danou-se.

Do que temos tanto medo?

Ou melhor, do que fizeram termos medo?

Vamos aos fatos…

Fatos!

É normal bebês terem circular de cordão. Mais do que isso, os bebês nascem (de parto normal) com circular de cordão sem nenhum problema. Aquela pessoinha se movimenta o tempo inteiro dentro do forninho da mãe, nada mais natural que se enrole e se desenrole no cordão umbilical ao longo da sua estadia lá dentro. Cerca de 20 a 40% dos bebês nascem com uma ou mais circulares de cordão umbilical. Na verdade, 60% dos bebês apresentam uma circular cervical de cordão (circular no pescoço), em algum momento da gestação e naturalmente de 25 a 50% destas circulares desaparecerão no momento do parto (Blog Estuda Melania Estuda).

Trocando em miúdos, podemos dizer que: Não importa se naquela ultra o seu bebê estava com uma (ou duas) circular(res) de cordão, pois até o dia do parto é bastante possível que não exista mais nenhuma circular!

E, mesmo que a circular persista até o dia do nascimento do bebê, a simples presença dela não está relacionada com piora do prognóstico perinatal.

O medo é enorme. Medo do bebê ser enforcado, de sufocar lá dentro do forninho da mãe.

Calma! Não precisa ficar com essa pulga atrás da orelha. De verdade. Sabe por que?

Porque os bebês não respiram dentro do útero. Eles estão mergulhados no líquido amniótico e toda sua oxigenação se dá através do sangue que flui pelo cordão umbilical. Portanto o bebê não será enforcado se estiver laçado pelo pescoço!

Inspire e expire. Gif by Giphy

Aí você pode pensar: “Ah, mas e se a volta do cordão estiver tão, mas tão apertada a ponto do cordão não conseguir mais oxigenar o bebê?”

Então, para isto é que existe a geléia de wharton, que envolve todo o cordão umbilical e o protege de eventuais compressões.

Em caso de compressão, a geléia de wharton vai se adaptar a situação e vai agir na regulação do fluxo umbilical (Vasques, F. et. al., 2003). É tudo bem orquestrado pela natureza! As células presentes na geléia de wharton possuem função contrátil que vai auxiliar, justamente, na proteção aos vasos umbilicais contra compressões (Vasques, F. et. al., 2003).

Eu fico eufórica! Não é perfeito?!

Por isso que não importa a circular. O bebê pode estar enrolado pelo pescoço, pela barriga, pelo pé, pela mão, não importa, o cordão umbilical dele está todo protegidinho embebido na geléia de wharton. Situações onde realmente há prejuízo ao fluxo umbilical para o bebê são extremamente raras. O que é preciso fazer durante o trabalho de parto é realizar a ausculta dos batimentos cardíacos do bebê, mas isso precisa ser feito de qualquer forma, com ou sem circular de cordão.

Podemos ainda citar aqui que a disposição espiralada do cordão umbilical, lembrando um fio de telefone, permite que o cordão se estire e se encurte durante o trabalho de parto (Vasques, F. et. al., 2003).

Fio de telefone espiralado. João Paulo Corrêa. Imagem marcada para reutilização. FLickr

Na verdade, a circular de cordão por si só não precisa ser “buscada”, procurada pelos ultrassonografista. Na eventualidade de se achar uma (ou várias) circulares de cordão na ultra, é seguir a vida normalmente.

Por que então nos colocam tanto medo?

Não sei ao certo, mas talvez o fato de que a circular de cordão seja um dos principais mitos para cesáreas desnecessárias possa responder essa questão.

Nos reverenciem e não nos coloque medos. Somos mulheres fabricando gente, perpetuando a espécie e dando continuidade à população. Parem de reclamar, vai ter circular sim! E se continuarem reclamando vai ter circular e nó verdadeiro!

Nó verdadeiro.
Andre Chinn. Imagem marcada para reutilização. Flickr.

Rafael meu primogênito, nasceu com uma circular cervical de cordão umbilical E com um NÓ VERDADEIRO no cordão umbilical. O nó não foi detectado por nenhuma ultra. Foram aproximadamente 12 horas de trabalho de parto, com FCF (frequência cardíaca fetal) sem nenhum intercorrência. Nasceu com apgar 10/10 e vive lindamente seus (quase) nove anos.

Referências Bibliográficas

  • Estuda Melania estuda – a falácia da circular de cordão aqui
  • Vasques, F. A. P.; Moron, A. F.; Murta, C. G. V.; Gonçalves, T. R. & Carvalho, F. H. da C. Correlação da área do cordão umbilical com parâmetros antropométricos em gestações normais. Radiol Bras 2003, 36(5): 299 – 303. Disponível aqui
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