Bebês sabem nascer, mulheres sabem parir. Então por que nem sempre isso acontece?

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Foto de Biatakata.

Falar da importância do parto normal aqui seria redundante, pois se você está aqui é porque sabe dos benefícios desse processo para você e para o bebê.

O que a maioria não fala é sobre como essa experiência pode ser marcante, tanto para a mãe quanto para o bebê, para o resto de sua vida, passando por gerações futuras, inclusive.

Por isso, nós profissionais da humanização, buscamos fazer o melhor para que esse momento tão importante seja prazeroso, cheio de amor e respeito, para ambos.

No filme “O Renascimento do Parto”, Michel Odent fala que para mudarmos o mundo precisamos mudar a forma de nascer. Mas o que isso quer dizer?

Primeiro vamos pensar sobre a questão hormonal: o hormônio responsável pelo trabalho de parto é a ocitocina, conhecido como o hormônio do amor. Nosso corpo é muito inteligente, e produz aquilo que precisamos, na hora em que precisamos. Então o que aconteceria se parassemos de usar esse hormônio natural, seja por conta de cesárea eletiva ou até mesmo com a indução com o hormônio sintético? E mais além, o que isso tem haver com o rumo de nossas vidas, da nossa sociedade, dos nossos relacionamentos?

De acordo com a Wikipédia:  Ocitocina ou oxitocinona é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na p90-hipófise posterior (Neurohipófise) tendo como função: promover as contrações musculares uterinas; reduzir o sangramento durante o parto; estimular a libertação do leitematerno; desenvolver apego e empatia entre pessoas; produzir parte do prazer do orgasmo; e modular a sensibilidade ao medo (do desconhecido).

A ocitocina é o principal hormônio responsável pelo parto em mamíferos. É ela quem promove as contrações uterinas, que provocam a dilatação do colo uterino e a descida do bebê no canal da pelve feminina.

Mas a ocitocina é muito mais que o hormônio do parto. Sim, o parto é o momento em que ocorre a maior liberação de ocitocina corporal, mas este hormônio tem muitas outras funções. Inúmeras pesquisas estão acontecendo em todo o mundo e cada vez mais se sabe sobre a importância da ocitocina na sociedade humana.

A ocitocina é o hormônio do amor. É o hormônio que faz com que um indivíduo se sinta atraído por outro específico, que o deseje, que sinta vontade de ficar com ele, de estar próximo. Também é o hormônio da fidelidade, responsável pela capacidade de manutenção de um parceiro fixo.

A ocitocina liga mães e bebês através da amamentação, pois é chave essencial na liberação de leite pelas glândulas mamárias. Durante cada mamada, a liberação de ocitocina pelo cérebro feminino, além de promover a contração das glândulas mamárias e a ejeção do leite, também causa profunda sensação de prazer e relaxamento materno, pois a ocitocina age nas células cerebrais do sistema límbico – relacionado às emoções. É por isto que as mamíferas se entregam aos bebês de uma maneira tão instintiva durante o período de lactação.

Mas a ação da ocitocina no cérebro humano vai além das funções reprodutivas. É o hormônio das relações, que torna a pessoa capaz de se doar por outra, de se agrupar, de se socializar. É o hormônio do altruísmo, da honestidade.

O grande problema é que, com o uso artificial do hormônio, ou até mesmo a falta dele (pela cesárea eletiva), o corpo diminui a produção endógena, por uma questão de feed-back negativo: “se já tem, não produzo mais”.  Isto pode explicar tantos problemas com sucesso no aleitamento materno e o aumento dos índices de depressão pós-parto.

Por tanto, a ocitocina é importantíssima para nossas vidas, por questões muito além do parir, é pela forma como agimos com o próximo, pelo amor, empatia, etc.

Além do fisiológico

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Falamos da questão hormonal, mas será que só ela influencia no momento de parir?

O que tenho conversado com outras doulas e mulheres que pariram é que no momento do trabalho de parto muitas situações, emoções, sentimentos, vieram a tona, dando ou não forças para essa mulher.

Atitudes as vezes desconhecidas até aquele momento pela mulher, vem como se elas carregassem aquilo desde de seu nascimento.

Então mesmo com uma equipe humanizada, num ambiente acolhedor, com tudo pra ser um parto incrível, a mulher pode não conseguir parir ou ter alguma dificuldade?

Sim…mas não porque o corpo dela não saiba, não porque tenha algo errado fisiologicamente, mas porque a mente dela está bloqueando aquela passagem, e aqui digo passagem de transformação, entrega…

Recentemente estive num Fórum sobre Nascimento e transdisciplinaridade e foi discutido muito sobre como nossas ancestrais passaram por essa experiência, como foi o nosso nascimento, e como isso influenciou no nosso momento de parir.

Então pergunto à você: como sua mãe nasceu? Como você nasceu? E qual foi a experiência para ambas no parto (avó, mãe e bebês)?

Essa resposta pode dizer muito sobre como você age na sua vida e como poderá ser a resposta da sua mente e do seu corpo no momento de parir.

Há alguns estudos que dizem que a forma como somos recebidos no mundo fica registrada em nosso inconsciente, que a personalidade da criança é pré-definida nesse momento crucial de sua vida, a hora do parto. Se o bebê é recebido de uma forma amorosa e respeitosa, ele responderá da mesma maneira em suas relações interpessoais.  Esses estudos mostram que bebês que vieram ao mundo de parto violento têm maiores chances de se tornarem pessoas mais impacientes ou agressivas e que crianças que nascem de cesárea são mais carentes. 

A percepção e a consciência da criança, portanto, já existem antes do nascimento e são impactadas pelas condições do parto – não só pelo tipo de procedimento em si. De acordo com esse mesmo estudo, uma criança que nasce com o cordão umbilical enrolado no pescoço cresce com o medo de ser asfixiada. Também é comum que ela desenvolva uma doença psicossomática no pescoço ou nas cordas vocais.

Os que nascem “sentados”, por outro lado, são mais teimosos e determinados, decididos a fazer tudo à própria maneira e por conta própria. Se existe a tentativa de reposicioná-los dentro do útero, essas crianças podem desenvolver o sentimento de que estão sempre cometendo mais erros do que as pessoas ao redor. Esse comportamento demonstra uma maior fragilidade emocional em relação aos bebês que nascem sem qualquer intervenção externa.

Quanto ao tipo de parto escolhido, o mais benéfico para a saúde da mãe e dos bebês é o parto natural humanizado, pois, logo após o nascimento, o bebê fica junto à mãe, num contato que transmite carinho e segurança. O contato ou afastamento iniciais podem afetar emocionalmente a relação entre mamãe e bebê.

Na cesariana, por outro lado, esse vínculo emocional é prejudicado. Três características marcantes podem ser encontradas nos bebês nascidos de cesárea: carência afetiva, dificuldade para lidar com frustrações e situações complexas e medo de rejeição e abandono. Há também a possibilidade de que essas crianças se sintam incapazes de completar ou executar alguma tarefa específica.

O parto com fórceps é classificado como um dos mais agressivos para a saúde emocional das crianças. Como o bebê é removido do útero da gestante com o auxílio do fórceps, contrariando o processo natural do parto, o nascimento fica marcado como um momento de invasão, dor e violência. Por isso, a dificuldade para estabelecer vínculos afetivos saudáveis é ainda maior, já que a criança não consegue superar o trauma do dia do parto. Sob pressão, os bebês podem sentir dores na cabeça, pescoço e ombros, além de apresentar um nível elevado de ansiedade e rejeição a qualquer tipo de contato físico.

Segundo o livro, outro fator que pode desestabilizar o emocional dos bebês, independentemente do tipo de parto escolhido, é o uso de analgésicos e anestésicos. Os recém-nascidos que estão sob influência de algum medicamento não conseguem focar a atenção nos primeiros estímulos com o mundo externo, como o toque da mãe ou do pai. Futuramente, essas crianças podem têm mais predisposição para se sentirem confusas paralisadas em situações estressantes.

Como trabalhar as questões emocionais para o parto?

Crédito:sbie.com.br

Existem vários caminhos para se trabalhar o lado emocional, como terapias voltadas para gestantes, grupos de apoios, entre outros.

Mas atualmente existe uma técnica chamada HypnoBirthing, que ajuda as mães a alinharem-se com sua capacidade inata de ser capaz de dar à luz de forma suave, confortável, poderosa e alegre. Usando a hipnose como ponto chave nessa construção.

Essa técnica foi usada até por profissionais de atendimento ao parto, durante o Projeto Obstare, proporcionada pelo Dr. Bráulio Zorzella para que pudessem entender a forma com que eles auxiliavam durante o parto, e o seu olhar para a parturiente.

Finalizo aqui, deixando que você reflita em como esse processo do nascimento é muito mais amplo do que simplesmente parir.

Espero que tenham gostado! 🤗

Um grande abraço!

Referências:

Ocitocina: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ocitocina

Hypnobirthing: http://hypnobirthingnobrasil.com.br/hypno/

Filme: O renascimento do parto, de 2013.

Projeto Obstare: https://m.facebook.com/projetoobstare/

Valor emocional de um parto humanizado em família – http://www.sbie.com.br/valor-emocional-de-um-parto-humanizado-em-familia/

O Bebê do Amanhã – ed. Barany – autores: Thomas R. e Pamela Weintraub.

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