A fisiologia hormonal do parto

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Oi, tudo bem? Sei o quanto você está se informando e preparando para ter um parto humanizado, está atrás de informação de qualidade, de uma equipe de parto que respeite as suas escolhas e o seu tempo, atrás de uma doula que te de segurança, não é mesmo?

Por isso resolvi escrever esse texto, para que você possa saber com mais profundidade o que acontece no seu corpo durante o trabalho de parto.

Durante o trabalho de parto o corpo da mulher reage a um poderoso “Coquetel complexo de hormônios do amor” (Michel Odent), formado pelos seguintes hormônios

  • Ocitocina
  • Endorfina
  • Adrenalina
  • Prolactina

Todos têm seu papel fundamental na progressão do trabalho de parto, e o mais importante, cada um tem o seu momento específico para atuar.

O.CI.TO.CI.NA

Conhecido como o hormônio do amor, ele é o principal hormônio responsável pelas contrações uterinas, mas pouca gente sabe dos seus efeitos de alivio da dor.

Antes mesmo da sua atuação no trabalho de parto, produzimos ocitocina nas relações sexuais, tendo uma descarga mais intensa no momento do orgasmo. Há não ser que haja risco de parto prematuro, é indicado que durante toda a gestação, o casal tenha relações sexuais prazerosas para que o corpo treine a produção desse hormônio.

Alguns dias antes do início do trabalho de parto

Pródromos
Por Jefferson Rudy Agência Senado

os níveis de ocitocina começam a aumentar, podendo gerar algumas leves contrações ainda sem ritmo, chamadas contrações de treinamento, essa fase é conhecida como pródromos.

 

Durante os pródromos acontece também o preparo do colo do útero, que recebe influência de um outro hormônio chamado prostaglandina, que “coincidentemente” é encontrado no sêmen (ohh vejam só) #ficadica.

Ao se aproximar do início do trabalho de parto, a ocitocina é liberada

Contração - Ocitocina
Por Paula Pilz Fotografia

em pulsos, que geram um determinado ritmo, com um intervalo de descanso entre uma contração e outra, conforme o trabalho de parto evolui, esse hormônio tem seus níveis aumentados, assim como a intensidade das contrações, o intervalo diminui, gerando assim a condição necessária para a dilatação do colo uterino.

 

EN.DOR.FI.NA

Este hormônio, não muito conhecido, é similar a morfina e o seu efeito é de regulação do humor e anestésico natural. Sua atuação é intercalada com a ocitocina, hora um pulso de ocitocina gerando uma contração, hora um pulso de endorfina gerando alivio de dor e relaxamento.

Exercícios - Endorfina
Jefferson Rudy Agência Senado

Durante esse intervalo o relaxamento é tão intenso que a gestante consegue caminhar, fazer exercícios, dormir, e até mesmo sonhar, dando o descanso necessário para a que durante a próxima contração ela possa ter força e energia para se movimentar, e encontrar a melhor posição.

Nesse momento é interessante você saber que os efeitos dos hormônios são

Relaxamento - Endorfina
Por Paula Pilz Fotografia

sentidos tanto pela mãe quanto pelo bebê, que está ativamente participando do seu nascimento. É o primeiro momento da sua vida que tem a oportunidade de produzir os seus próprios hormônios.

O trabalho de parto foi feito para que possamos suportar as dores, e podemos confirmar isso através dessa incrível sincronia hormonal.

 

 

A.DRE.NA.LI.NA

Este hormônio, já bem conhecido pela maioria das pessoas, tem o poder de estagnar ou preparar o corpo para a fase mais ativa do trabalho de parto.

Expulsivo - Adrenalina
Por Paula Pilz Fotografia

Se ele é estimulado cedo demais, tem o feito corporal de luta e fuga. Fazendo uma analogia com um animal na selva, uma fêmea quando se sente acuada e insegura, não pari. Suas pupilas se dilatam, os batimentos cardíacos aumentam e ela se prepara para fugir, e as contrações só retornam quando ela encontrar novamente um local seguro para ter os seus filhotes.

O mesmo acontece com a mulher, se ela decide ir cedo demais para o hospital, sente-se sem segurança, sofre intervenções desnecessárias, ela se sente acuada, e a adrenalina entra em ação, paralisando o trabalho de parto.

Adrenalina
Por Doula Gabriela Muller

Porém a grande referência na humanização, Michel Odent, sugere que no momento adequado, a adrenalina tem um papel essencial para o nascimento. Ela entra em ação despertando a mãe e o bebê para o período do expulsivo. A mãe muitas vezes sente a necessidade de mudar de posição, de puxar ou segurar algo, o sangue circula com maior rapidez e se concentra nos grandes grupos musculares, ativando o corpo para o momento final.

Nesse instante também pode acontecer a chamada “desistência fisiológica”, afinal, a adrenalina é o hormônio da “luta e da fuga” e o ambiente pode influenciar nessa percepção da gestante.

Expulsivo - Ocitocina
Por Doula Gabriela Muller

Nesse momento final acontece uma grande descarga de ocitocina, para o nascimento do bebê, e diferente do que ouvimos por aí, pode ser um momento de intenso prazer.

 

 

PRO.LA.CTI.NA

Então, o baby chegou, a mãe está com seu filho no colo, pele a pele e estão

Calmaria - Prolactina
Autor Desconhecido

sentindo-se e tocando-se pela primeira vez.

Agora é calmaria, aconchego, carinho.

A prolactina vem para auxiliar na amamentação e no vínculo. Seus níveis continuam aumentados por quanto tempo houver aleitamento.

Após o nascimento do bebê o ambiente deve permanecer calmo e tranquilo para favorecer esse encontro, e também porque o parto ainda não acabou, ainda falta a placenta…. mas, daí, já é história para um próximo encontro . . .

Inundada de ocitocina damos uma pausa. Espero ter contribuído para auxiliar nas suas escolhas.

Gratidão por me acompanharem nessa reflexão.

Texto baseado em evidências científicas

Parto Ativo – Janet Balaskas – 2015

Gentle Birth Gentle Mothering. A Doctor´s Guide to Natural Childbirth. Celestian Arts, 2009

The Scientification of Love, Free Association Books Ltd. Editora Saint Germain, 1999

 

 

 

 

 

 

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3 respostas para “A fisiologia hormonal do parto”

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