10 Mitos sobre o parto normal

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Ei! Você que pretende engravidar, você que está grávida, você que deseja ter um parto normal, você que morre de medo e não quer parto normal de jeito nenhum! Você que teve uma cesárea prévia e que deseja ter parto normal na próxima gestação ou ainda; você que não está em nenhuma das situações acima, mas com certeza já ouviu e ainda ouve, já acreditou ou quem sabe ainda acredita em alguns dos mitos sobre o parto normal que vamos falar aqui. Ou pior, você espalha ou já espalhou mitos como esses por aí?

Então esse texto aqui é para você! Para que cada um de vocês e para todos vocês ou melhor dizendo para todos nós! Afinal de contas quem nunca ouviu mentiras e histórias cabeludas e negativas com relação ao parto normal? Todos nós! E por quanto tempo fomos enganados hein!!!

Mas quanto de nós fomos a fundo investigar a veracidade dos fatos? Quantos de nós fomos atrás de informação correta, embasada em estudos, artigos, índices e números concretos em fontes confiáveis? Na verdade, as “Fake News” já estão presentes em nosso meio desde que o mundo é mundo, desde nossos antepassados. Nós apenas evoluímos o meio tecnológico de disseminação.

E a boa notícia é que hoje nós podemos e devemos buscar informação de qualidade, desmistificar  assuntos em questão e transformar em conhecimento e ainda podemos torná-la de utilidade em pública, levando ao alcance de quem precisa, ao invés de só repassar mais mimimi e baboseiras por aí a fora. Não é lindo?

Eaí? Topa embarcar nessa comigo de maneira simplificada e prática?

Vamos desconstruir os mitos que ouvimos a vida inteira acerca do parto normal, tendo como base as evidências científicas?

Trago verdades que você gestante precisa saber, para argumentar com a vizinha, com a família, com o marido, com a prima do marido da sobrinha da sua colega de trabalho… ou seja; com todo o povo que quer cuidar da sua barriga, do seu parto, mas que na hora de cuidar de você no pós-parto, cadê? Aí todos somem não mesmo?!

TOP 10 – Mitos sobre o Parto Normal

Fonte: Desconhecida

1º Bebê com cordão umbilical enrolado no pescoço não pode nascer de parto normal.

Mito! A tão polêmica e famosa, chamada circular de cordão é mais comum do que se imagina. Ao longo da gestação o bebê pode se enrolar e desenrolar no cordão diversas vezes devido a sua própria movimentação; além disso o cordão pode enrolar nos pés, nos braços, ao corpo e não somente no pescoço e ainda dar duas, três ou mais voltas na criança.

Ao contrário do que se prega e é muito temido por aí, o cordão não “enforca” o bebê, o cordão umbilical é de consistência gelatinosa e pode ter diversos comprimento e desliza facilmente, podendo ser desenrolado de forma simples e fácil pelo médico assim que a cabeça do bebe sai pelo canal vaginal.

O que irá demonstrar se há ou não algum problema é o acompanhamento dos batimentos cardíacos do bebê, através da cardiotocografia; durante as contrações ao longo do trabalho de parto e em raros casos pode significar que a circulação de sangue pelo cordão está comprometida.

Na maioria dos casos a circular de cordão não influencia em nada no andamento do parto normal.

Por isso se há uma circular de cordão identificada durante a gestação, não se deve alarmar e muito menos dissuadir a gestante de dar à luz por via natural, pois a ultrassonografia não é capaz de especificar se o cordão é curto, comprido, ou se está frouxo ou apertado.

Portanto, circular de cordão não é indicação de cesárea. Uma vez que haja alguma intercorrência onde uma cesárea seja realmente necessária, isso será identificado e decidido apenas momento no trabalho de parto.

2º Parto normal deixa a vagina larga

Mito! Muito diferente do que algumas pessoas, difundem por aí, principalmente homens machistas (muito mal informados) que acham que a vagina ‘DA MULHER’ é seu “brinquedo” aaafffff… Vocês estão redondamente enganados! A musculatura da vagina é elástica e volta ao normal depois do nascimento do bebê, mas o tempo depende de cada organismo, de cada mulher.

Mas sei que isso também é motivo de preocupação e medo por inúmeras mulheres, se sua vagina voltará ao tamanho normal após o parto, se o parto normal não irá afetar negativamente sua vida sexual.

Vamos relembrar que uma das funções do canal vaginal é ser passagem para o bebê, certo? Nada mais normal, perfeito e sábio que o nosso corpo tenha estrutura e se prepare para isso.

A vagina e o períneo possuem musculaturas grandes e fortes, absolutamente capazes de se contrair, expandir e expulsar e se recuperar pouco tempo depois do parto. Inclusive há muitos relatos positivos de mulheres que tiveram parto normal e melhoraram muito a vivencia sexual com seus parceiros.

É claro que, dependendo do caso, de como ocorreu o parto, se tiver sido necessário alguns pontos devido a laceração de períneo por exemplo; uma relação sexual precoce ou quando ainda a mulher não se sente preparada e estimulada, pode romper as fibras musculares e aí, sim, poderia ter um problema maior na vida sexual. Mas isso é uma exceção e não regra.

O que realmente é considerado um dano sério e grave para a mulher são as intervenções que ela pode sofrer, como uma episiotomia, em muitos casos sem consentimento dela.  E ainda pior, no momento da sutura, levar o chamado “ponto do marido”; afim de costurar e deixar o canal vaginal mais “apertado”; podendo lhe causar dores, traumas emocionais, físicos e sexuais que ela poderá carregar pela vida inteira.

3º Não tive dilatação para ter parto normal

 Mito! Esse é uma das desculpas pioneiras para indicação de uma cesárea desnecessária e infelizmente é no que acreditam inúmeras mulheres, após terem ouvido de seus médicos que não tinham dilatação para parir, passam a crer, que não foram capazes, ou que seu corpo não dilata, ou que há algo de errado com elas.

O que vemos em nossa realidade obstétrica e cultural também, é sempre o tempo e a conveniência sendo determinante para agendar uma cesárea desnecessária, sem reais indicações reais, com alegações de que a gestante “não entrou em trabalho de parto” ou “não teve dilatação; mas isso na verdade está relacionado a não respeitar o tempo necessário e a “hora certa” para que isso acontecesse.

Na maioria das vezes a gestante ainda está fora de trabalho de parto, está em pródromos ou é submetida a uma internação precoce ainda no início do trabalho de parto e justamente por não estar em fase de trabalho de parto ativo, não chegou a dilatação completa.

4º Bebê engoliu água do parto

Este não é bem um mito e sim mais uma confusão, pois na realidade o bebê engole o líquido amniótico durante toda gestação e após o nascimento é comum que um pouco do líquido penetre nas cavidades do rosto do bebê.

Por conta disso ainda é protocolo na maioria dos hospitais realizar aspiração das vias aéreas em todos os bebês, logo após o nascimento; quando a orientação é ser realizado apenas em casos específicos. A aspiração é um procedimento de grande impacto e desconforto para o recém-nascido.

Estudos recentes demonstram que a grande maioria dos bebês nascem bem e não há necessidade de serem aspirados, pois são perfeitamente capazes de fazer essa limpeza tossindo ou espirrando. Além disso ao passar pelo canal de parto, os pulmões do bebe são massageados provocando a expulsão natural dos líquidos.

5º Bebê grande e pesado é impedimento para o parto normal

Mito! Somente o peso e o tamanho de um bebê, não são suficientes para uma cesárea eletiva.

Afinal de contas, o corpo da mulher passou por transformações a gestação inteira para acomodar e desenvolver esse bebê, que agora parece ser muito grande para ela dar a luz? Parece que contraria a ordem natural das coisas, não é mesmo?

O exame de ultrassom não consegue apurar exatamente o tamanho de um bebê, os resultados são estimados e existe uma margem de erro. Portanto caracterizar o tamanho do bebê pelo USG, pelo tamanho da barriga da gestante, pelo tamanho da cabeça do bebê, ou ainda; pelo tamanho do pai ou da mãe: – Se é uma mãezona, vai ser um bebezão! E vice e versa…

Esta conduta só serve pra alimentar a crença de que a mulher não vai conseguir parir, ou que o bebê não vai passar e é muito perigoso para a mãe e bebê tentarem parto normal. E nesse caminho o médico sugere que a cirurgia seja marcada antes que o bebê passe de 4kgs.

Lembrando que bebês são considerados GIG– Grande para Idade Gestacional , quando têm acima de 4kg ou 4,500Kg, segundo as diretrizes internacionais.

A verdade é que se não houverem patologias relacionadas, não importa o tamanho do bebê, pois o corpo que o gerou se adaptará de forma sábia na hora do trabalho de parto para favorecer o nascimento.

Os mesmos 10 cm necessários para o nascimento de um bebê de 3 Kgs, são necessários para um bebê de 4 kgs ou mais… Não são poucos os relatos de mulheres que acreditaram no processo natural e em sua capacidade de parir, que deram à luz a bebezões de forma natural e incrível!

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6º Parto Seco

 Mito! Acredita-se que se o parto não ocorre logo após o rompimento da bolsa, o líquido que envolvia o bebê se acaba e resultará num “parto seco” com riscos ao bebê.

Esqueçam isso minha gente! O Líquido amniótico continua a ser produzido pelo bebê através da urina, sua cabecinha funciona como um tampão no colo do útero, impedindo que todo o líquido escape; portanto ele continua envolvido pelas águas. Parto Seco NÃO existe, falta de paciência pelo trabalho de parto espontâneo, SIM!

7º  Gestantes com cesárea previa não podem ter parto normal

 Mito! Meeeega mito! Vemos e acompanhamos com frequência atualmente relatos maravilhosos de mulheres que tiveram seu VBAC – Parto vaginal após cesárea.

O parto normal é a opção mais segura para mãe e bebê após uma cirurgia cesariana, o risco de uma ruptura uterina é de 0,1% a 0,6% ao tentar um parto normal; enquanto que estudos científicos mostram que os riscos de uma nova cirurgia são maiores.

Com exceção de mulheres que tiveram duas ou mais cesáreas tem quase o dobro de risco de complicações quando comparada com aquelas que tiveram apenas uma.

A crença neste mito é baseada em evidências arcaicas do século passado, quando a cesariana ainda era longitudinal, ou seja, cortava-se o útero de cima até embaixo, aumentando a probabilidade de ruptura uterina numa tentativa de parto normal na gestação seguinte. Daí surgiu a fala que uma vez cesariana, sempre cesariana.

No entanto, com a mudança do corte para horizontal, esse risco foi diminuído, mas os benefícios do parto normal superam tais riscos e por isso o VBAC deve ser estimulado, seguindo a recomendação da OMS.

8º Bebê passou da hora

Mito! Bebês não são bolos e não passam da hora!

O grande erro é achar que ao completar 37 semanas já está na hora do bebê nascer ou ainda, achar que ao atingir 40 semanas, não se pode passar disso e o bebê corre perigo. Na verdade, como o bebê irá passar da hora, se não sabemos a hora certa para o seu nascimento? Pode haver um erro no cálculo na data provável do parto e idade gestacional do bebê.

Na maioria dos casos o próprio bebê dá sinais de quando está pronto e maduro para vir ao mundo, mas na prática o que ocorre é que muitos médicos impõem datas limites para o parto normal e caso o bebê não nasça até aquela data, marcam uma cesárea de emergência, como se o bebê estivesse de fato correndo risco de vida.

Estudos mostram que 96% dos nascimentos não ocorrem na data calculada.

9º Tanto faz parto normal ou cesárea, não fará diferença para o bebê.

Mito! Estudos comprovam que o parto normal fortifica o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê, protege o recém-nascido de algumas possíveis complicações, principalmente de desconforto respiratório. Favorece o contato pele-a-pele e o aleitamento materno na primeira hora de vida, melhor e mais rápida recuperação da mãe no pós parto.

Em contato com o canal de parto da mãe o bebê é colonizado pela flora intestinal da mãe e assim é protegido de inúmeras infecções e doenças. Os estímulos recebidos pelo bebê durante o trabalho de parto, torna-o mais preparado para o nascimento e mais ativo para amamentação.

A forma respeitosa, tranquila e rodeada de amor com que você recebe seu filho no mundo, faz toda diferença.

10º  Já completei 9 meses, 40 sem, já estou na DPP e não posso esperar mais!
Mito! Se Mãe e bebê estão bem e estão sendo bem acompanhados e avaliados, não tem problema algum em esperar, pois a gravidez normal vai de 37 a 42 semanas. A data considerada como provável para o parto é 40 semanas. Não há como prever. Caso se completem 41 semanas e o trabalho de parto não tiver sido desencadeado, existem técnicas (medicamentosas ou não) para indução do trabalho de parto.

Enfim, estes e muitos outros mitos estão atualmente enraizados em nossa sociedade, alimentando a indústria do medo do parto normal, fazendo com que as mulheres acreditem que uma cirurgia (de grande porte como a cesárea é uma opção de parto mais segura e cômoda, elevando a índices altíssimas de cirurgias cesarianas agendadas sem real indicação e consequentemente elevando os riscos de complicações para a mães e bebês.

Na verdade por trás dessa cultura do parto, estão inseridas mensagens de que a mulher não é capaz de parir, de que parto normal é sinônimo de sofrimento, de que parto normal é perigoso e totalmente antiquado com a evolução da medicina.
Isso tudo mina a confiança da mulher em si própria e rouba o seu desejo de passar pela experiência de dar luz e seu protagonismo no momento mais especial e importante em sua vida!

Mas assim como temos avanços na medicina, também temos avanços tecnológicos e nos estudos científicos; portanto o conhecimento e a informação atualizada sempre serão a luz que irá dissipar as trevas do medo e irão te fortalecer em seus desejos e escolhas conscientes para o seu parto e a recepção do seu bebê neste mundo.

Referências Bibliográficas:

  • A falácia do cordão umbilical por Dra Melania Amorim, médica PhD em obstetrícia:

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/a-falacia-da-circular-de-cordao.html?m=1&fbclid=IwAR3F_FN-jpMd_BOZ_GOp1Q8hpzINBc8H2YyeyauF4PpnyHeNHa_zSu75KrA

  • Assistência ao Puerpério e Estado Febril Puerperal

https://slideplayer.com.br/slide/5608288/

  • Disfunção sexual pós parto

http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?pid=S2176-62232011000400006&script=sci_arttext&tlng=es

  • Episiotomia de rotina do parto vaginal

https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD000081.pub3/full/pt#CD000081-abs-0004

  • Parto Ativo. Balaskas, Janet
  • Aspiração orotraqueal em bebês: implicações nos parâmetros fisiológicos e intervenções de enfermagem

http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n6/16.pdf

  • Suspeita de bebê grande: um problema clínico difícil em obstetrícia

https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1034/j.1600-0412.2002.810301.x

  • Impacto do parto vaginal após uma cesárea prévia sobre os resultados perinatais

http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v35n11/v35n11a07.pdf

  • Estudando a gravidez prolongada

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/estudando-gravidez-prolongada.html

 

 

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