Trombofilia e trombose na gestação

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Trombofilia é toda alteração hereditária ou adquirida do sistema de coagulação do nosso sangue. 

A Trombofilia hereditária é causada por alterações genéticas, sendo assim, as pessoas nascem com essa doença.

A Trombofilia adquirida é decorrente de condições clínicas como obesidade grave,  imobilização prolongada (ficar deitada, sentada por muito tempo), diabetes, sedentarismo, anticoncepcionais orais, gravidez múltipla (gêmeos, trigemos…) e SAAF (Síndrome do Anticorpo Anti-Fosfolípide). Pessoas que têm uma ou mais dessas características, possuem mais chance de ter trombofilia.

Mas qual a diferença entre trombofilia e trombose?

A trombofilia pode causar a trombose!!! A trombose é o entupimento do vaso sanguíneo devido ao mal funcionamento do sistema de coagulação (causado pela trombofilia). A trombose pode acontecer:

  • Nos membros inferiores: entupimento de vasos sanguíneos na perna;
  • No cérebro, chamado AVC (Acidente Vascular Cerebral): entupimento de vasos sanguíneos no cérebro;
  • Na placenta, chamada de trombose placentária.
Foto da aula “Trombofilia na Gestação” de Juliana Schettini.

Além disso, a trombose pode ter uma complicação chamada de embolia pulmonar: quando parte do trombo (massa que entupiu o vaso) se desprende, chama-se êmbolo, é liberado, e  vai para o pulmão.

O que tudo isso tem a ver com a gestação?

 As gestantes tem o risco aumentado entre cinco e dez vezes de ter trombose quando comparado ao risco de mulheres não gestantes de mesma idade.

Porque?

  1. o útero grávido cresce, pesa e comprime as veias cava e ilíaca comum esquerda fazendo com que o sangue não circule na veia, “fique parado” (estase venosa), e além disso há diminuição do tônus da veia por causa da ação da progesterona que faz relaxar a parede da veia;
  2. o sangue fica mais coagulado durante a gestação, mais grosso (hipercoagulabilidade) devido a diversas mudanças no sistema de coagulação causadas pela gestação
  3. questões relacionadas à placenta: lesão do tecido, que ocorre na nidação (quando o embrião gruda no útero), formação da placenta e saída da placenta após o parto.

Todas essas alterações são causadas pela gestação e são fisiológicas, ou seja, o fato de estar grávida causa essas alterações independente do seu estado de saúde. É claro que alguns hábitos podem agravar, como falado acima nas trombofilias adquiridas.

Fatores de risco para trombose

Foto do artigo “Profilaxia de tromboembolismo venoso na gestação” de André Luiz Malavasi e Marcos Marques.

 

São muitos e alguns apresentam maior chance de acontecer comparados à outros (RR).

Reparem que todas essas situações de alguma forma, tem a ver com o nosso sangue!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ta bom Nath, mas e agora? Calma mulher! Vamos conversar!

Se você já sabe que tem trombofilia, seja ela hereditária ou adquirida você terá que fazer acompanhamento com o médico vascular, além do obstetra. Eles solicitarão os exames necessários, vão te medicar e te acompanharão no decorrer do pré-natal.

Quando investigar trombofilia?

  1. Se você tem histórico de perdas gestacionais recorrentes;
  2. Perda gestacional tardia por má placentação (quando você tem uma perda gestacional com a gestação mais avançada por algum problema na placenta);
  3. Pré-eclampsia grave de início precoce (pressão muito alta e outros sinais graves no início da gestação);
  4. Restrição de Crescimento Intra Uterino (bebê pequeno para a idade gestacional);
  5. Hematoma retroplacentário;
  6. Se você já teve trombose;
  7. Se na sua família (parentes de 1º grau) têm trombofilia ou já tiveram trombose antes dos 50 anos;

Porque? Do número 1 ao 5, são relacionados com a formação e funcionamento da placenta, que por sua vez  se relaciona com a circulação sanguínea e coagulação.

Se você se enquadra dentro de algum dos fatores de risco acima ou situações acima, calma! Ter um ou mais fatores de risco não significa que você terá trombose. Significa que você precisará de um acompanhamento mais cuidadoso, investigação criteriosa e de prevenção feitos pelo médico do seu pré-natal.

Prevenir é a melhor solução!!!

A trombose pode ser prevenida com:

  • Medicamentos anticoagulantes durante a gestação, parto e pós-parto para tratamento de trombofilias: só seu médico pode te orientar quanto a necessidade de uso e dosagem.
  • Mudança de hábitos: tabagismo (diminuir a quantidade de cigarros ou parar de fumar); obesidade (mudança de hábitos alimentares, atividade física), imobilidade (pra quem trabalha muito tempo em pé ou sentado: uso de meias de compressão, uma escapadinha pra descanso ou dar uma volta pra ajudar na circulação do sangue);

Via de parto: cesariana ou parto vaginal?

Não há evidencias que mostrem que tem de ser um ou outro, mas já temos que a cesariana é um fator de risco significativo para embolia pulmonar, porém mulheres submetidas a parto vaginal estão também sob risco, mesmo sendo menor.

A Febrasgo recomenda via obstétrica, ou seja,  ter fator de risco para trombose não interfere na escolha de via de parto. A via de parto será escolhida conforme a sua evolução na gestação e trabalho de parto!

Já o Ministério da Saúde afirma que o parto vaginal é preferível à cesariana, pelo menor sangramento e menor necessidade de intervenções. E além disso recomenda que deve-se evitar a episiotomia.

Importante saber também que cada caso é único: o que funcionou para uma pessoa com relação ao tratamento, solicitação de exames, métodos de prevenção podem não funcionar para outra pessoa. Os profissionais do seu pré-natal são os responsáveis por investigar, prevenir a trombose e tratar a trombofilia, se necessário!

Referencias Bibliográficas

Artigo –  André Luiz Malavasi Longo de Oliveira e Marcos Arêas Marques. Profilaxia de tromboembolismo venoso na gestação.  J Vasc Bras. 2016 Out.-Dez.; 15(4):293-301. 

Aula – Juliana Schettini. Trombofilia na Gestação, 2017. 

Febrasgo. Avaliação de Risco e Prevenção d Tromboembolismo pré natal, 2017. 

Ministério da Saúde. Manual Técnico Pré-Natal de Alto Risco – pág 215, 2012. 

Tese de Mestrado – André Luiz Malavasi Longo de Oliveira. Trombofilias maternas hereditárias com ou sem tromboembolismo venoso: resultados maternos e perinatais, 2010.

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