Diabetes Gestacional

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Porque tanta preocupação na alimentação da gestante? E porque tantos exames?

Porque podemos desenvolver a Diabetes Mellitus gestacional (DMG), que é o distúrbio metabólico mais comum na gestação e, devido a essa relevância, é necessária uma correta orientação à gestante portadora de DMG a fim de atenuar possíveis consequências que a tornam de alto risco e está associada às diversas complicações materno-fetais.

Diabetes Mellitus gestacional (DMG) consiste no aumento dos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia) diagnosticado pela primeira vez durante o período da gestação. Esse quadro clínico pode se estender após o parto, sendo vários fatores correlacionados para essa persistência ou não.

Além disso, os hábitos da população contemporânea, influenciada pelo fast food e sedentarismo, são responsáveis por grande parcela desses casos. Com o aumento da epidemia de obesidade, cada vez mais mulheres em idade fértil apresentam risco de desenvolvimento de Diabetes tipo 2 e consequente DMG.

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Mudanças corporais, hormonais e estruturais..  Realmente, tudo muda!

Durante a gestação há uma alteração dos hábitos alimentares, das atividades físicas, do estado emocional e ocorrem, também, mudanças hormonais, que ocasionam alterações no metabolismo do carboidrato e na necessidade de insulina. Há uma procura intensa do feto por glicose, aminoácidos, ácidos graxos e colesterol, causando adaptações metabólicas, que manifestarão na fisiopatologia da diabetes gestacional.

Quando a gestação está na fase inicial, a progesterona e o estrogênio, antagônicos à ação da insulina, vão promover a hiperplasia das células pancreáticas, aumentando a resposta da insulina a uma quantidade de glicose. Isto favorece a lipogênese e glicogênese, que irá elevar o depósito de substâncias como o glicogênio, triglicerídeo e proteínas, repercutindo em uma condição de metabolismo.

O segundo e terceiro trimestre gestacionais estão relacionados com o aumento da resistência insulínica, elevando a sua concentração. Então, quando a produção da insulina é muito alta, superando a capacidade das células β pancreáticas, a gestante desenvolve diabetes. No segundo trimestre, o hormônio lactogênio placentário (HPL), que é um polipeptídio semelhante ao hormônio GH (Hormônio do crescimento), causa mais secreção de insulina, porém diminui sua sensibilidade celular e aumenta a lipólise e glicogênese, sendo um hormônio catabólico. Assim, começam a agir os fatores hiperglicemiantes e contra insulínicos que elevam a glicemia e quantidade de insulina e o catabolismo aumenta para atender as necessidades fetais. No terceiro trimestre, ocorre a maior alteração glicêmica por causa da maior necessidade de glicogênio e, por isso, as gestantes que tem baixa quantidade de insulina desenvolvem diabetes. Até o fim da gestação, a necessidade de insulina aumenta por causa do processo de “envelhecimento” da placenta e por que os fatores hiperglicemiantes diminuem sua produção.

Tratamento

A idéia do tratamento é permitir uma nutrição ideal da mãe e feto, além do ganho de peso moderado, controle metabólico e ausência de corpos cetônicos,  prevenir ou minimizar as sequelas fetais e neonatais, entre elas: óbito, macrossomia (maior complicação perinatal), distorcia de ombros e instabilidade do recém-nascido. Além disso, evita que a nova vida gerada desenvolva diabetes e síndrome metabólica em outras etapas de sua vida. É importante ressaltar que, para controlar o DMG, é preciso o trabalho de uma equipe inter e multidisciplinar (médicos, nutricionistas, educadores físicos, enfermeiros) e realização de um pré-natal precoce. Somado-se a isso, é necessária uma assistência nutricional que promoverá correta nutrição da mãe e feto e uma adequação à fisiologia gestacional.

Inicia-se com controle do ganho de peso excessivo, alimentação saudável e exercícios físicos leves e diários de 30 minutos ao dia, que já alteram o metabolismo e consumo do açúcar no sangue. O cálculo que é usado para saber o valor total da dieta da gestante é de acordo com o IMC (índice de massa corporal), que permite ganhar em torno de 300 até 400 g, depois do segundo trimestre de gestação, por semana.

Exercendo atividades físicas leves

A quantidade de vitaminas é igual para gestantes DGM e para gestantes sem diabetes. As dietas com consumo de carboidratos, que são bem distribuídos ao longo dos dias, controlam a glicemia, além de reduzir a chance de macrossomia e a necessidade do tratamento com insulina.

O tratamento com insulina exógena só é indicado quando a dieta e o exercício físico não conseguem controlar a glicemia da gestante. Sendo assim, a insulina é o tratamento padrão para o DMG, já que é mais eficaz e seguro, visto que não atravessa a barreira placentária entre mãe-feto. Portanto, com o auxílio das outros métodos, como a terapia nutricional e exercícios físicos, é muito útil para evitar complicações para mãe e filho.

Como é feito esse rastreamento?

Os exames são realizados na primeira consulta pré-natal para identificar a DMG, com a solicitação do exame da glicemia em jejum. O valor normal tem que ser abaixo de 92mg/dL de glicemia. Se o resultado for maior ou igual a 92 mg/dL é considerado como rastreamento positivo e indica a necessidade de um teste diagnóstico.

A escolha do teste depende do grau da hiperglicemia de jejum. A primeira dosagem de glicemia com valor entre 92 e 126 mg/dL requer confirmação imediata, o que é feito mais facilmente com a repetição da glicemia de jejum. Um segundo valor a partir de 92 mg/dL, assegurado o jejum de 8 horas, define o diagnóstico de diabetes gestacional.

Para os demais casos de glicemias com valores menores que 92 mg/dL, o teste diagnóstico é um teste padronizado de tolerância com 75 g de glicose em 2 horas, solicitado entre as semanas 24ª e 28ª de gestação.

Para glicemias com valores < 92mg/dL ou com a presença de dois ou mais fatores de risco, mesmo o teste de rastreamento da DMG sendo negativo, recomenda-se o teste de tolerância, com dosagem das glicemias de jejum e de 2 horas, a famosa curva glicêmica, aquele exame que você toma um líquido doce e fica aguardando duas horas para a próxima coleta de sangue, com 24 a 28 semanas. É um exame chato né? Mas agora você já sabe que é extremamente importante e necessário.

O diagnóstico através da curva é feito obtendo-se um valor de glicemia alterado:

  • Glicemia de jejum: maior ou igual a 92 a 125 mg/dL,
  • Glicemia após uma hora: > ou igual a 180 mg/dL
  • Glicemia após duas horas: 153 a 199 mg/dL.

O diagnóstico de DMG é descartado com os valores menores que os citados acima. Porém, o crescimento fetal ou presença de polidrâmnio, faz com que a necessidade de novos exames surja. Os novos testes devem ser realizados por volta de 32 semanas de gestação.

Rastreamento para Diabetes

Diabetes Gestacional é indicação para cesárea?

Se a diabetes estiver controlada e sem nenhuma complicação, o parto mais indicado pelos obstetras às mães com DMG é o parto vaginal e a termo. Porém, deve-se considerar o parto induzido com 39 semanas caso as gestantes não possuam um bom controle glicêmico.

No pós-parto da mulher que teve DMG, deve-se observar os níveis de glicemia, além de um acompanhamento médico preciso e dieta adequada. É necessário manter o peso recomendado e praticar exercícios físicos.

Nos primeiros dias após o parto, na maioria dos casos, ocorre a normatização glicêmica. Entretanto, é comum que mulheres com DMG desenvolvam no período pós-parto intolerância a glicose ou Diabetes. Esses riscos diminuem à medida que se estimula o aleitamento materno, responsável pela diminuição desses índices.

Quanto aos problemas que a diabetes pode ocasionar

Muitas são as anomalias congênitas presentes nos filhos de mães diabéticas, sendo as cardíacas, neurológicas e esqueléticas as mais comuns e a síndrome da regressão caudal a mais frequente. Já a manifestação mais característica é a macrossomia fetal (bebês acima de 4 kilos), que pode ser detectada em cerca de 30% dos casos, levando até mesmo a traumas obstétricos e distorcia do ombro.

Além desses fatores, outros problemas relacionados com a DMG são a síndrome de angústia respiratória, policitemia, hipocalcemia, retardo de crescimento intrauterino e hiperbilirrubinemia. O aumento do risco de obesidade e intolerância a glicose na infância e na fase adulta está relacionada com o contato do feto com o diabetes materno.

É importante também a observação materna, já que as mulheres com DMG podem desenvolver certos riscos, como o de apresentarem a pré- eclâmpsia e, também, possuem maiores chances de adquirir diabetes após o parto.

Sendo assim, o acompanhamento médico deve ser feito logo nas primeiras semanas de gestação. Deve-se evitar o aumento de peso excessivo, com alimentação saudável e com boa hidratação. Eu tenho um texto sobre isso que vou deixar no link abaixo! E caso ocorra o rastreamento positivo para diabetes gestacional, o início precoce do tratamento faz toda a diferença!

Acompanhamento médico é fundamental

Referências Bibliográficas

A INFLUÊNCIA DA DIABETES MELLITUS NO PERÍODO GESTACIONAL COMO FATOR DE RISCO: http://www.pensaracademico.facig.edu.br/index.php/semiariocientifico/article/view/406/338

Qual o peso ideal para minha gravidez?  https://blog.casadadoula.com.br/gravidez/qual-o-peso-ideal-para-minha-gravidez/

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