Superando o medo do parto normal

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Seria tão bom se a cegonha realmente trouxesse os bebês, né?

Imagem retirada do google imagens

Você descobre a gravidez e passar pelos enjoos por mais chato que seja é até tranquilo, você aguenta o cansaço, as dores nas costas, as vontades intermináveis de ir ao banheiro,os palpites alheios e as azias que não te deixam mais dormir, mas pensar no parto…

Você evita de todas as formas possivéis pensar no parto, você se concentra no enxoval e trabalha na sua mente que ainda é muito cedo para pensar no parto. Seria tão bom se as cegonhas existissem né? Ou se tivesse um tipo de mágica que você dorme e plim o bebê aparece do seu lado.

Por que as mulheres cultivam tanto medo do parto normal?

Assim que você anuncia a gravidez, começa a enxorrada de perguntas “normal ou cesárea?” e talvez você tenha na sua mente um pensamento de que o parto normal é melhor e responde “ah, eu quero tentar o parto normal”. E ai pronto, começam as histórias:

“a vizinha da prima da minha amiga foi ter um parto normal e… (acrescente aqui o horror que você ouviu)”

“nossa! você quer mesmo parto normal? Isso é tao antigo, primitivo. Você vai sofrer atoa”

“amiga, depois do parto normal, você nunca mais vai ser a mesma.  Uma cabeça saindo de você? Vai ficar relaxada”

“Não deixa seu marido assistir, ele nunca mais vai querer transar com você”

“quando chegar no hospital, não grita. Senão eles vao te deixar sofrendo por horas”

“eles vão colocar um sorinho em você, menina, é a dor da morte”

“subiram na minha barriga, e meu bebê quase morreu porque eu não tinha mais forças”

“você é tão pequena (ou magra, ou gorda, ou alta), será que você da conta?”

Pronto! Você até queria tentar um parto normal, mas com todos esses comentários e até outros piores, você começa a temer o parto normal e evitar pensar no assunto.

E agora, como desmintificar esse medo do parto normal?

Minha amiga gestante, a minha primeira dica é pra você levar na gestação, na maternidade e para a vida:

Ignore o palpite dos outros! Abstrai e finge demência

As pessoas tem prazer em opinar e mais prazer ainda em contar coisas negativas para grávidas. E, eu até acho que elas não fazem por mal (pelo menos não sempre) é só a falta da famosa noção mesmo. O parto é uma vivência única, por mais que você ouça ou veja o parto de outras mulheres, não tem como você advinhar como será o seu, nem se for sua segunda ou terceira gestação. Cada experiência é única! Se permita viver, se permita parir!

Informação é tudo!

Esquece essa ideia de que ainda é muito cedo para pensar no parto. Já começamos é atrasadas por não estudarmos melhor sobre gestação, parto e pós parto na escola, isso deveria está no ensino básico, para todos.

Entender a fisiologia do parto e como ele funciona, vai te ajudar a fazer suas escolhas, a conter sua ansiedade e diminuir o seu medo da dor. Você vai entender que a maioria dos relatos de partos negativos que você ouviu, o problema não era o parto em si, mas sim a violência obstetrica que a mulher sofreu.

Você vai saber se o sorinho (ocitocina) é sempre necessário e quando é necessário e se você pode negar, você vai entender que o que dilata é o colo do útero e que depois ele volta ao tamanho normal e a mulher não fica relaxada.

Vai entender como funciona o trabalho de parto, quanto tempo costuma durar cada trabalho de parto e vai entender sobre o funcionamento do seu corpo. A informação vai te ajudar a não ser passada para trás.

Infelizmente com o cenário de parto do Brasil, a gente não pode só confiar na boa vontade dos médicos. Não é so deixar acontecer!

Estude! Se prepare! E fuja de viver um parto (a)normal!

Tenha um Plano de Parto

Você sabia que o parto é da mulher? Que você não precisa ficar a mercê de tudo que o médico quer? Que você pode e deve fazer as suas escolhas, baseadas nas informações que tem e tudo que o que você estudou.

O plano de parto é um documento que a gestante faz junto com o acompanhante, baseado no que ela entende ser melhor para ela e o bebê. O plano de parto é flexível, se a mulher deseja um parto natural mas por algum motivo vai precisar de intervenção, não tem problema, desde que ela seja avisada antes sobre os procedimentos e que ela autorize os mesmos. E caso aconteça dela não poder responder por si própria, que o acompanhante responda por ela.

  • por esse motivo é muito importante que a pessoa que vai acompanhar a mulher no trabalho de parto, esteja por dentro das escolhas e vontades dela, e ajude na preparação do plano de parto.

Você pode até levar o plano de parto para discutir com o seu médico, mas lembre-se, ele é seu. Você é quem decide o que convém ou não estar nele.

Você pode colocar coisas como:

Se deseja sorinho (ocitocina), se deseja escolher a posição para parir, se quer analgesia, opcões em caso de indução ou cesária… entre várias outras coisas.

Tem todas as informações? Então pegue a caneta e mão na massa, não deixe o plano de parto para o último instante!

Visite a maternidade

Não adianta muito você se informar, fazer um plano de parto lindo e ir para um maternidade que é 90% cesarista, que não vai te dar voz e vai deixar o seu plano de parto de lado.

Faça uma visita a maternidade antes, leve uma colinha com perguntas, principalmente se tiver alguma coisa que você tenha mais medo.

Pergunte como eles administram analgesia, como eles procedem quando a bolsa rompe, se você pode ter acompanhante, doula e fotógrafo (caso você vá ter), pergunte se você pode se movimentar livremente, se você pode comer, se quem assiste parto é enfermeira obstetra ou médico, se eles aceitam e respeitam o plano de parto.

Se a maternidade demonstrar resistência e for contra aquilo que você busca, fuja!

Caso você não tenha opções melhores para buscar, tente contratar uma enfermeira obstetra, para você ficar o máximo de tempo em casa e chegar no hospital mais avançada no trabalho de parto e ter menos intervenções possivéis.

Tenha uma doula para chamar de sua

Foto: Leticia Zózimo / @leticiaszozimo

Se você tiver condições, não abra mão de ter a sua doula e nem deixe para procurar uma no último instante.

A doula não vai fazer nenhum procedimento médico, mas vai te explicar como muito deles funcionam. Você vai ter alguém para tirar as dúvidas, para te apoiar nas suas decisões e para acolher nos seus medos.

Segundo as evidências ciêntificas ter uma doula te ajuda:

  • Maior a chance de ter um parto vaginal espontanêo;
  • Menor necessidade de analgesia de parto;
  • Menor risco de parto instrumental;
  • Menor risco de insatisfação com a experiência do parto

Entre outras várias vantagens!!

“Se a doula fosse um remédio seria antiético não receitar” John H. Kennell

Mas e a dor?

Vamos deixar de lado essa ideia de que o parto precisa ser sofrido, não, não mais.

Qual a sua limiar de dor? Deixa eu explicar, você acha que dói mais a dor de dente ou quebrar um braço? Se você  não tiver vivenciado os dois, dificilmente  a saberá qual dói mais ou não.

E pode ser, que para você quebrar o braço seja mais doloroso e para sua vizinha seja pior a dor de dente. Ou seja, a dor é única da pessoa!

Como vai ser a sua dor do parto? Não da para saber! O que para mim dói muito, para você pode ser fichinha. Por isso existem mulheres que tem partos orgasmicos, mulheres que sentem uma dor absurda e aquelas que o bebê nasce e ela nem sabia ainda que estava em trabalho de parto.

Então, não foque na dor. Essa você só vai saber no dia, mas confie em si mesma. Você consegue! Você é capaz! E a dor, nunca vai ser maior que você!

E agora, vamos começar a pensar no seu parto? Não deixe para última hora!

Na netflix tem o documentário O renascimento do parto 1, 2 e 3. Assista! Você vai entender um pouco sobre como anda o cenário obstetrico brasileiro.

 

Referências Bibliográficas:

Parto Ativo – Janet Balaskas (livro)

Evidências na assistência ao parto normal

Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal

Expectativas da gestante sobre o parto

Evidências qualitativas sobre o acompanhamento de doulas no trabalho de parto e parto

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