Imigrante, mãe, doula

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Olá ! Eu sou a Thainy Macêdo, hoje tenho 26 anos e sou mãe de dois adoráveis meninos, Lyam e Kael. Cresci em Morrinhos, Goiás mas desde meus 11 anos vivo em Bruxelas na Bélgica. A vida de imigrante não é fácil, se adaptar a um novo pais, uma nova cultura, novos idiomas… Mas como costumam dizer, as crianças se adaptam bem mais fácil e não foi diferente comigo.

Foto: JUNO Fotografie

Antes de começar a falar um pouco sobre mim, queria informar que é possível que nos meus texto você venha a encontrar alguns erros de português, como explicarei mais detalhado logo abaixo, sai do Brasil muito nova e nunca mais realmente estudei português. Fique a vontade para me ajudar a melhorar meu português 🙂 

Sou uma pessoa muito ativa e sempre faço mil coisas ao mesmo tempo. Combinei estudo e trabalho (o que aqui não é tão comum) e já trabalhei como baba, vendedora em loja de roupas, animadora em colônias de ferias, recepcionistas, divulgadora de eventos… A lista é grande. Gosto de mudanças e não consigo ficar fazendo a mesma coisa durante muito tempo. Porem teve um trabalho que eu sempre fiz: ajudar, guiar, auxiliar pessoas. Por ter uma facilidade natural com línguas aprendo muito rápido e isso sempre me colocou na posição de “interprete”. Em Bruxelas os idiomas oficiais são francês e holandês mas como a maioria dos imigrantes que chegam no país não falam o idioma, muitas vezes precisam de alguém pra acompanhar na prefeitura, medico, etc.
Outro ponto é que muitos brasileiros aqui em Bruxelas tendem a achar holandês mais difícil de aprender e por isso focam mais no francês, assim além de traduzir logo comecei a dar aula de reforço em francês, e aulas de holandês, para brasileiros e espanhóis.
Isso tudo me levou a amar cada vez mais estudar idiomas e a acreditar que isso seria o meu futuro. Na hora de escolher a faculdade não foi muito difícil: tradução e interpretação (holandês, francês e espanhol) . Lembro me que na época até pensei em estudar para ser enfermeira obstetra pois achava a profissão mais linda do mundo, mas não me sentia capaz de conseguir, era mais aquele amor platônico mesmo.

O primeiro ano de estudo foi maravilhoso, eu amava tudo o que estava aprendendo e comecei até mesmo a fazer cursos extra, para ser interprete e tradutora social em outras combinações de línguas que a minha universidade não propunha (holandês – português).
Comecei fazer alguns trabalhos como interprete social e logo vi que não era o que eu realmente queria pra minha vida. Como interprete social vi o quanto muitos imigrantes estavam desamparados e desinformados. Minha empatia era grande demais e eu sofria muito junto com cada cliente. Era muito duro ser só a interprete, ficar neutra, ir embora depois do trabalho feito e esquecer aquelas famílias. Eu queria mesmo era poder ajudar de alguma forma mais concreta, mas não sabia como. E assim meu encanto pela tradução e interpretação foi diminuindo e no final do terceiro ano de universidade fiz um burnout.

Eu estava perdida e a única coisa que eu sabia naquele momento é que eu não queria nunca mais colocar os pés naquela universidade. Fui chamada de louca e ingrata. Imagina só, seus pais deixam o Brasil (= família, amigos, zona de conforto), vem morar na Europa, trabalhar duro, dia e noite pra te dar a oportunidade que eles nunca tiveram de ir pra universidade, se formar e ter um bom trabalho; mas você simplesmente decide largar tudo.
Prometi pra família que se eu não encontrasse um “bom” trabalho voltaria a estudar dentro de um ano. Mas meus instintos estavam certos, largar tudo foi a melhor decisão da minha vida. Me libertei de todas expectativas de vida que não eram minhas, e em menos de dois meses já estava trabalhando numa boa empresa.

Maternidade, uma paixão

 

Foto: Marine Hardy

Com um trabalho a tempo integral e um salario aceitável comecei a sentir uma certa estabilidade e comecei imaginar o futuro que queria pra minha vida.
Sempre falei em ter filhos jovem pois amo muito a conexão que tenho com a minha mãe, eu achava que isso estava muito ligado ao fato dela me ter tido tão cedo. Agora que sou mãe sei que não são só os 15 anos de diferença que temos que nos conecta assim.
E ela, justamente por ter sido mãe adolescente e solteira com todas consequências que isso trás, sempre me disse para aproveitar primeiro minha vida, estudar, ter casa, marido, estabilidade e só depois pensar em ter filhos.
Como boa aquariana que sou gosto de fazer todo o contrario do que me dizem ☺
Além do mais, agora eu já tinha um trabalho, relacionamento estável a 5 anos, tinha certeza do que eu queria e já estava com 22 anos e meu companheiro que desde o começo se assustava quando eu falava em filhos, ha algum tempo começava a se mostrar mais pronto para ação.
Foi assim que em julho 2015 veio a “surpresa” : eu estava gravida

Esperando Lyam, 36 semanas

Desde que entendo por gente sempre fui apaixonada por tudo que engloba maternidade se sempre sonhei em presenciar um parto. Sempre falei em ter filhos e sempre li muito sobre gravidez, parto, pós-parto, cuidados com o bebê. Então agora tinha finalmente chegado a hora, eu ia saborear cada segundo dessa gravidez. Eu que já lia muito sobre gravidez e maternidade a muito tempo mergulhei ainda mais profundo nesse mundo e na busca de um parto lindo e humanizado.

Aqui na Bélgica não precisava nem me preocupar com as cesáreas eletivas, aqui cesárea só acontece em caso de necessidade real. Mas o que eu queria era um parto “perfeito”, “lindo”, “humanizado”.
Procurei então o hospital ideal, a equipe perfeita e convenci a família de que era aquilo que eu queria.
Ainda me lembro bem de ouvir todos perguntando: “mas você tem certeza de que vai dar conta?”, “Você é tão novinha e magrinha será que tem passagem?”

Foi necessário muita paciência e perseverança mas me preparei da melhor forma que pude e pari naturalmente. Durante o parto que era pra ser humanizado e perfeito ouve algumas complicações que levaram a uma sala de parto comum, com peridural e como bebê sendo aspirado por causa da presença de mecônio.
Finalmente não foi a experiência que eu imaginava, mas eu estava feliz por ter parido e meu filho estar bem (não é isso que importa??)
Na amamentação nada correu como eu esperava e em todas preparações que fiz pro parto ninguém pensou em realmente me preparar para amamentação, aliás o que pode dar errado nisso?
Levei dois anos para digerir, entender, analisar meu parto e percebi que na época eu não estava realmente preparada o suficiente pro parto totalmente humanizado e empoderado. Mesmo tendo estudado muito, ter sido bem acompanhada durante toda gravidez e parto, faltava algo.

Antes de ter o Lyam eu pensava que essa paixão toda por parto e maternidade vinha simplesmente de um desejo muito profundo de ser mãe. Logo nos primeiros meses depois do parto me dei conta de que aquela paixão só aumentava. Todos os problemas que tive com a amamentação não me fizeram desistir e sim estudar em dobro e querer ajudar mães que passam por essas dificuldades. Eu lia, pesquisava e colocava em pratica tudo sobre babywearing, BLW, higiene natural infantil….
Decidi então me formar em babywearing para poder transmitir a outras famílias as diferentes formas de carregar seus bebês e os benefícios de tal pratica. Logo comecei a dar workshops de fraldinhas de pano, carregadores ergonômicos para bebês, higiene natural infantil e estava então cada vez mais em contato com mamães e seus bebês.

Fotot: Marine Hardy

As historias que eu ouviam eram sempre as mesmas, famílias desamparadas e desinformadas. Os relatos de parto me deixavam triste, como podia tanta violência, falta de empatia e de informação mesmo em um pais de primeiro mundo? Aqui elas estavam livres das cesáreas mas isso não quer dizer que teriam partos maravilhosos, lindos e humanizados. Aliás o que eu mais ouvia entre as brasileiras aqui era que elas preferiam ter cesáreas.

Doula

Continuei estudando e lendo muito até que vi uma formação para doulas.
Doulas? O que seria isso. Lendo o descritivo comecei a vibrar toda por dentro. Era eu! Era isso que eu queria ser! Como era possível eu nunca ter pensado nisso antes?!
Mais do que depressa me inscrevi e já na primeira aula eu tive a certeza que era aquilo que queria. Agora tudo fazia sentido na minha vida.

Comecei a acompanhar partos e a sonhar com o meu próximo parto. Eu ainda precisava vivenciar aquele parto dos sonhos.
Em 2017 engravidei de Kaël e dessa vez decidi que seria um parto normal em casa. Por acompanhar vários partos e ver a força, o poder que existe numa mulher bem informada, empoderada, e bem preparada, eu sabia que conseguiria.
Doula, já mãe de um filho, cheia de informação, pensei que seria mais fácil. Não foi. Tive uma doula desde o começo da gestação, troquei de equipe de enfermeiras obstetra no final da gestação, tive que ficar internada para tentar parar minhas contrações prematuras, enfim foi uma montanha russa até o último minuto. Mas sim, eu consegui o parto dos sonhos, na minha casa, com as pessoas que queria e da forma que eu queria.

Foto: Marine Hary

Tudo isso só me confirmou o poder da informação, do acompanhamento empático, da necessidade da rede de apoio.
E é isso que eu sempre procuro oferecer as famílias que acompanho: informação, suporte físico e emocional.

Na pratica gosto dizer que trabalho com “preparação pra maternidade” pois ofereço vários serviços para acompanhar a família desde a pré concepção (nunca é cedo de mais para se informar) até os 3, 4 anos da criança. Durante minhas consultorias a domicilio a família é quem escolhe os temas que abordaremos e quais suas prioridades. Trabalho com preparação para o parto,  consultoria em amamentação, preparação e auxílio com os cuidados com o bebê  e encontros no pós parto. Meu objetivo é informar e apoiar gestantes e suas famílias, para que se empoderem, para que conheçam todas as opções e possam escolher o que realmente lhes convém.

Uma vez por mês organizo um encontro entre gestantes e mamães, onde respondo todas perguntas sobre gravidez, parto, pós parto, babywearing, etc. Esse encontro é chamado “Bate papo com a doula”.

Um vez a cada dois meses, Marina Ramos (psicóloga e psicoterapeuta) e eu damos uma palestra sobre maternidade.

Por último também dou consultorias via skype e WhatsApp quando a distancia é um impedimento.

Quer saber mais sobre mim? Siga minhas redes sociais!

Facebook:  https://www.facebook.com/HygieneNaturelleInfantile/

Instagram: https://www.instagram.com/thainydoula/

Referencias:

 “Número de cesarianas aumenta no mundo e OMS divulga guia para reduzir procedimentos realizados
: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2018/10/11/numero-de-cesarianas-aumenta-no-mundo-e-oms-divulga-guia-para-reducao-do-procedimento.ghtml

Cocon (dentro do hospital Erasme em Bruxelas): https://www.erasme.ulb.ac.be/fr/services-de-soins/services-medicaux/gynecologie-obstetrique/clinique-d-obstetrique/le-cocon-pour-un

Síndrome de Aspiração do Mecônio: Análise de Resultados Obstétricos e Perinatais: http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbgo/v25n2/v25n2a08.pdf

Relação mãe-filho(a) em bebés transportados junto ao corpo das mães: https://repositorio.ipl.pt/handle/10400.21/9372

A escolha pelo parto domiciliar: história de vida de mulheres que vivenciaram esta experiênciahttps://www.redalyc.org/pdf/1277/127715323022.pdf

Meu relato do meu segundo parto com fotos: https://www.facebook.com/thainy/media_set?set=a.10218675182933699&type=3

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2 respostas para “Imigrante, mãe, doula”

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