Eu sou Doula porque eu quero mudar o mundo

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Eu me recordo que desde muito pequena, a gravidez era algo que despertava meu interesse, eu achava incrível que um novo corpo, um bebê, se formasse dentro da barriga da mãe, ficava horas imaginando como isso era possível, ossos, pele, órgãos, cabelo, unhas…  achava tudo muito fantástico e cheio de mistérios.

Me lembro também que sonhava trabalhar cuidando das pessoas de alguma forma, auxiliando nos momentos que mais precisassem.  

Eu sempre quis ter filhos, passar por essa experiência da gestação, quando julgamos que era o momento adequado, fizemos nossos planos e deixamos o resto com a natureza. Dia 8 de março de 2005 peguei o resultado do exame que confirmava minha suspeita.

 

Grávida, e agora?

Era um final de tarde, ventava muito,  primeiro eu fiquei exultante, estava grávida, iria começar minha família, senti vontade de sair contando pra todo mundo, queria comemorar,  em seguida, segundos depois eu pensei “caramba, eu estou grávida, esse bb entrou, e agora pra sair?!?!?” Eu nunca havia pensado nisso antes…

Nos dias seguintes eu fui para a internet e comecei a ler tudo a respeito,  tomei conhecimento da epidemia de cesarianas que vivemos, e tive a certeza que não era isso que eu queria, comecei a buscar então informações sobre parto normal.

Encontrei o site As Amigas do Parto, entrei para a lista de discussão por email, dali cheguei até as extintas listas Materna_SP e Parto Nosso, onde encontrei pessoas incríveis, a quem sou eternamente grata,  que me auxiliaram nessa jornada.

Eu me sentia uma viajante atravessando o deserto, sedenta, e que havia encontrado uma mina d’água. Quanto mais eu lia, mais aquilo tudo fazia sentido pra mim, era isso, eu tinha encontrado o que eu queria.

 

Ativismo

Um mundo novo, cheio de possibilidades estava se descortinando. A descoberta da Humanização do Nascimento foi a porta de entrada para grandes transformações na minha vida, ampliou meu horizonte, me proporcionou um mergulho profundo no universo feminino e materno.

Desde então me apaixonei pelo assunto, não deixei mais de estudar e militar pela assistência ao parto baseada em evidências científicas, pela maternidade ativa, pelo resgate do protagonismo da mulher no parto, para derrubar os mitos que envolvem a amamentação exclusiva e prolongada e pelo fim da violência obstétrica.

Doulas Radicais 2007 – GAMA SP

Em 2007 fiz a formação de Doula pelo GAMA-SP (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa)  e comecei a atuar como voluntária. Algum tempo depois complementei minha formação com os cursos de Doula pós parto e Consultora em Aleitamento Materno.

Afinal, Doula para quê?

Uma de minhas maiores convicções é a de que informação é poder,  sendo assim, acredito que meu principal papel como Doula é oferecer acesso à informações de qualidade, baseadas nas mais recentes pesquisas científicas, para que as mulheres possam fazer suas escolhas de maneira consciente e informada.

Doula é uma palavra de origem grega, significa “mulher que serve”. Durante o trabalho de parto, ofereço cuidados não técnicos à parturiente, dentro da equipe sou eu que me preocupo seu bem estar, ofereço suporte físico (fazendo uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor e dos demais desconfortos) e emocional (relembrando suas escolhas, reafirmando sua capacidade de passar pelo processo de parto).

As mulheres que recebem o suporte de uma doula profissional sentem uma maior satisfação com a experiência vivida,  têm reduzidas as taxas de cesariana, de uso de ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto, de drogas para alívio da dor e a duração do trabalho de parto é menor. 

É importante salientar que não tomo nenhuma decisão, eu ofereço apoio em para suas escolhas, acredito no poder do corpo feminino, na sua capacidade de gestar e parir.

“Para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar a forma de nascer” Michel Odent

Eu sou doula porque eu quero mudar o mundo.

Para saber mais sobre mim, sobre como mudaremos o mundo e a forma de nascer juntas, se inscreva aqui

Referências

A operação Cesárea no Brasil. Incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X1991000200003

Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232005000300019&script=sci_arttext&tlng=es

O renascimento do parto e do amor http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2002000200022

Mitos e crenças sobre o aleitamento materno https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232011000500015&script=sci_arttext&tlng=en

Violência Obstétrica: Ofensa à dignidade humana http://www.repositorio.ufop.br/bitstream/123456789/6646/1/ARTIGO_Viol%C3%AAnciaObst%C3%A9tricaOfensa.pdf

Evidências qualitativas sobre o acompanhamento por doulas no trabalho de parto e no parto https://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012001000026

Impacto do aconselhamento face a face sobre a duração do aleitamento exclusivo: um estudo de revisão https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1020-49892003000600004&script=sci_arttext&tlng=es

Métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto: uma revisão sistemática http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072010000400022

Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2005000500003&script=sci_arttext

 

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