Da cesária à humanização: o nascimento de uma doula.

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Oi! Meu nome é Taise, sou casada, mãe de um menino de 2 anos e tenho que agradecer a esses dois por me fazer entrar nesse mundo da humanização do parto.

Veja bem, minha avó teve todos os filhos em casa, com uma parteira; minha mãe teve a mim e minha irmã de parto “normal” em hospital; apesar de algumas tias que tiveram seus filhos em cesariana, eu cresci consciente de que sabia parir. Pode parecer meio estranho, mas pelo fato de ser criada em uma família cristã, esse pensamento para mim se confirmava: afinal, se Deus fez tudo perfeito, por que a mulher teria vários defeitos para não parir?

Encontrei o Sistema

Em 2016 descobri que estava grávida. Como eu sabia que queria um parto normal, comecei a fazer buscas, troquei de GO, controlei a alimentação, fiz caminhada. Resultado: mesmo sendo obesa, minha pressão estava linda! Diabetes Gestacional também não deu sinal. Procurei uma doula, mas infelizmente me deixei ser levada pela opinião do marido e sequer fui conhecer o trabalho de verdade. Continuei estudando, mas sem um direcionamento correto, acabei dando atenção para coisas que não eram importantes.

Com 32 semanas e 3 dias, eu tive perda de líquido e no desespero, por não saber o que era, fui para o hospital errado, dando entrada pelo plano de saúde. Daí até meu filho nascer, foram muitos desencontros: o hospital não tinha um obstetra de plantão; por isso, fui avaliada por um cirurgião geral. Ora me diziam que eu estava em trabalho de parto, ora não; que era necessário realizar a cesária no máximo até a noite, depois que estariam me transferindo para um hospital com UTI Neo. Por isso esse era o hospital errado, mas na hora não lembrei do meu plano de emergência.

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Sai de Petrópolis-RJ e fui parar em Campo Grande – RJ! Achei que as coisas melhorariam lá, mas me enganei: chegando no hospital, não havia qualquer dado indicando o motivo da minha transferência. Na ultra que mandaram, meu líquido estava normal e eu literalmente tive que convencer a médica do que estava acontecendo para ser internada. Apesar disso, nesse hospital não posso reclamar do atendimento, pois foram bem atenciosos comigo. No entanto, havia muitos desencontros de informações; e Deus, por que tem médico que acha que nós pacientes não precisamos saber o que está acontecendo? quando cheguei nesse hospital, a indicação era ficar em monitoramento fetal e tentar segurar até a 34ª semana. Devido a essa falta de informação, eu tomei um susto quando 3 dias depois uma obstetra entrou no meu quarto e falou para irmos para o centro cirúrgico; meu filho só nasceu com 33 semanas porque eu havia jantado.

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Meu filho nasceu super bem, não precisou de nada urgente. Ficou internado 22 dias somente para ganhar peso; ele não teve uma boa aceitação do leite artificial, o que desencadeou uma APLV, eu estava indo e vindo de casa, e ainda lutando para manter o leite, pois sabia como era importante. Eu peguei meu filho no colo e o amamentei pela primeira vez quando ele já estava com 15 dias de nascido.

 A Humanização Me Encontrou

Decorrente a tudo o que houve, sempre que me aparecia uma gestante eu tentava ajudar de todas as formas possíveis. Eu estudava muito, com prazer, e sempre me sentia realizada por estar ajudando. Foi então que meu marido, já com outro pensamento, praticamente me empurrou para fazer o curso pelo Gama – Levatrice no Rio de Janeiro; não que eu não quisesse fazer o curso, mas estávamos passando por um período bem apertado financeiramente, mas ele me disse que o curso tinha minha cara e que eu precisava fazer.

Eu amei tudo no curso: a turma, as instrutoras e principalmente saber mais para poder ajudar mais. Isso me abriu um leque; hoje estou fazendo cursos para complementar e alguns já estão agendados.

E hoje eu tenho certeza que se eu tivesse uma doula, o nascimento do meu filho poderia ter sido mais respeitoso para mim, meu filho, meu marido e minha mãe.

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Como a Doula pode mudar o parir no Brasil

Existe um estudo chamado “Mothering the mother” (“Maternizando a mãe”, em tradução livre), publicado em 1993 por Marshall H. Klaus, Phyllis H. Klaus e John H. Kennel, que apontou os resultados globais do acompanhamento da doula no trabalho de parto e parto:

  • Redução de 50% nos índices de cesariana
  •  Redução de 25% na duração do trabalho de parto
  • Redução de 60% nos pedidos de analgesia peridural
  •  Redução de 30% no uso de analgesia peridural
  • Redução de 40% no uso de ocitocina
  • Redução de 40% no uso de fórceps

Além disso, a doula é aquela que dá todo suporte emocional, físico e informacional para a gestante.

Durante o período que fiquei internada, senti falta da doula que não tive, senti falta quando ninguém respondia minhas perguntas, quando percebi que tinha esquecido o plano de emergência e principalmente porque eu não tinha informações suficientes para questionar qualquer coisa que faziam comigo.

É por isso que me tornei doula, para que a mulher tenha, novamente, a experiência positiva de parir com respeito, informação, cuidado e com confiança.

Bibliografia:

Klaus M, Kennel J, “Mothering the mother: how a doula can help you to have a shorter, easier and healthier birth.” Hardcover 

Evidências qualitativas sobre o acompanhamento por doulas o trabalho de parto e no parto. 

http://www.scielo.br/pdf/csc/v17n10/26.pdf

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4 respostas para “Da cesária à humanização: o nascimento de uma doula.”

  1. Parabéns Taise! De fato faz toda diferença um acompanhamento desses. Tive um parto normal em um hospital privado e v que era algo raro que acontecia por lá. A médica do plantão parecia querer me convencer que a cesária seria a melhor alternativa. Meu ginecologista inclusive já tinha marcado minha cesárea…enfm parto normal ainda é Tabu pra muita gente. Espero que consigam mudar isso. Abs!

    1. Obrigado Sabrina,com certeza ainda temos muitos mitos a derrubar, mas vamos fazendo barulho !!

  2. Graças a vc, com certeza terei uma doula na minha segunda gestação. Não deixarei essa cultura me afetar de novo. Toda vez que vejo sua história te admiro mais e mais. Com certeza vc se tornou mais esposa, mais mãe, mais guerreira, mais mulher depois disso tudo. Um exemplo a ser seguido. Sua experiência e dedicação farão que outras mães não passem pela mesma coisa. Isso é sua vocação, vc a encontrou nesse mar de desencontros, isso é a mão de Deus dentro do nosso livre arbítrio.
    Parabéns! Vc é um sonho

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