Desproporção céfalo-pélvica, “eu não tive passagem”.

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Para o bebê sair do corpo da mãe, ele tem que atravessar um longo e, geralmente, lento caminho entre os ossos da bacia materna, mas tanto o corpo da mãe, quanto o do bebê estão preparados para esse momento. Porém, há algumas exceções onde o bebê não consegue fazer esse percurso por um desencaixe dos diâmetros da cabecinha do bebê e da pelve da mãe. Essa condição rara tem nome, mas antes vamos ver as partes envolvidas nesse processo.

A bacia da mulher e a cabeça do bebê
-A nossa bacia é formada por ossos que se prendem uns aos outros por articulações, é ela que vai acomodar o útero durante os nove meses (aproximadamente) que o bebê estiver lá dentro. Uma queixa recorrente das gestantes é a dor no quadril e isso se dá ao fato de que durante a gestação, seu diâmetro é ampliado para acompanhar o crescimento do bebê.

pelve materna
Pelve materna e suas aberturas durante o parto.
Foto: Doula Gabi Gavioli

Lá pro final da gravidez e com mais intensidade durante o parto, a placenta envia para as articulações do quadril e da bacia um hormônio chamado relaxina. Ele faz com que as articulações amoleçam (sensação de estar com o esqueleto solto que faz as grávidas andarem com as pernas mais abertas), proporcionando a flexibilidade dessa região, dando condições para que o bebê consiga se ajeitar entre os ossos e fazer sua trajetória para fora do útero.

-Já a cabeça do bebê, por mais que seja a parte maior do corpo do recém nascido, ela é formada de placas móveis (sabe a moleira? É o “vão” entre essas placas) que durante o trabalho de parto se sobrepõem, para passar no canal vaginal, se acomodando na bacia da mãe e fazendo a trajetória para fora da vida intra-uterina.

Desproporção céfalo-pélvica
Tendo em mente que as partes ósseas relevantes ao parto – bacia materna e

Simulação de uma DCP
Simulação de uma DCP.
Foto: Doula Gabi Gavioli

cabeça do bebê – são móveis, há alguns raros casos e que a cabeça ou corpo do bebê é maior que o espaço do meio dos ossos da bacia da mãe, o que impede a sua descida e passagem durante o trabalho de parto. Essa condição é chamada de Desproporção cefálopélvica (DCP). Só é possível afirmar esse diagnóstico quando a mulher está em trabalho de parto (nunca antes), com dilatação completa (10 cm) ou quase e há uma parada de progressão, o bebê não desce como previsto por horas a fio mesmo após a realização de manobras e exercícios para ajudar -lo, então é indicada a cesária.

A DCP real acontece com 1 a cada 250 gestantes mas infelizmente muitos médicos alegam essa condição antes de ser comprovada de fato ou pior, antes da mulher entrar em trabalho de parto.

Espere o trabalho de parto para ver se terá DCP

simulação de uma DCP
Simulação de uma DCP. Foto: Doula Gabi Gavioli

Ás vezes pode mesmo acontecer de ter uma incompatibilidade entre a cabeça do bebezinho e a pelve da mãe, mas só pode ser comprovada quando se teve uma parada anormal do andamento durante o trabalho de parto. No mais, não é num exame que vai dar pra saber se haverá DCP. Nem um raio x do quadril da mãe ou um ultrassom com a medida da cabeça e o peso estimado do bebê que vai dizer isso. Muito menos o tamanho da mulher, do quadril ou da vagina dela ou a estatura do pai. E o mais importante, não é porque você teve esse diagnostico em uma gravidez que todas as outras terão também, cada gravidez é única assim como cada bebê que vai nascer.

Você pode achar mais informação sobre em:

Cephalopelvic Disproportion (CPD)
http://americanpregnancy.org/labor-and-birth/cephalopelvic-disproportion/

Meu bebê é grande, mas eu sou um mulherão
http://www.maternidadeativa.com.br/artigo5.html

Sistema Reprodutor; Hormônios do parto
https://afh.bio.br/sistemas/reprodutor/4.php

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