Violência obstétrica: precisamos falar sobre ela!

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Violência obstétrica foi um tema muito abordado nesse mês de fevereiro. O nosso pais se chocou ao ver viralizar um vídeo em que uma gestante era agredida fisicamente no momento do seu parto, pelo médico que a assistia. Lamentavelmente casos de partos violentos são mais comuns do que imaginamos.

Nenhuma mulher espera, imagina ou pensa que irá ser violentada no momento do nascimento de seu filh@. Infelizmente, as estatísticas nos mostram que a violência obstétrica existe, e possui uma frequência assustadora.

foto via Google

Em média, a cada 4 mulheres que parem, 1 sofre esse tipo de violência.

Precisamos conhecer tudo o que está relacionado a Violência Obstétrica, para que possamos identificar se houve ou não qualquer abuso, descaso ou falta de humanização por qualquer integrante da equipe que nos acompanhou.

É bem comum, hoje em dia, ouvirmos frases no estilo: ”nossa, fizeram isso comigo, nem sabia que era violência obstétrica!”,”A médica disso isso pra mim, não sabia que não podia” e vários outros relatos, de mulheres que de alguma forma foram violentadas e mal tratadas e se quer se deram conta disso, por falta de conhecimento e informação, Ou seja, grande parte das mulheres que sofreram violência, não denunciam.

foto via Google

A violência obstétrica, pode ser realizada de diversas formas: física, psicológica ou verbal, além de poder ocorrer antes, durante ou após o parto.

Vamos destrinchar cada uma delas, afinal, só nos protegeremos de algo se soubermos do que se trata, e como agir em determinadas situações.

Violência Obstétrica Física

São procedimentos sem justificativa clínica e intervenções “didáticas” (no caso de hospitais escolas, para que acadêmicos da área da saúde, aprendam), exemplos:

  • toques vaginais dolorosos e repetitivos.
  • cesáreas contra vontade da mulher
  • episiotomias
  • manobra de Kristeller
  • amarrar a gestante na cama
  • prática da episiotomia e outras intervenções sem anestesia, sob a crença de que a paciente “já está sentindo dor mesmo”.
  • proibir a ingesta de alimentos e líquidos.
  • limitar o direito da gestante de movimentar-se.
  • desrespeitar qualquer decisão que a gestante verbalize, ou que conste no plano no parto.
  • uso de ocitocina
  • estourar a bolsa de líquido amniótico
  • lavagem estomacal
  • raspagem dos pelos pubianos

Violência Obstétrica Verbal

Formas de comunicação desrespeitosas com a mulher, piadas, assuntos alheios ao que o momento pede, como: política, copa, resumo do final de semana etc. Frases que acabam subestimando e ridicularizando a dor que a mulher está sentindo. Humilhações de caráter sexual, do tipo:

  • “quando você fez você achou bom, agora está aí chorando!”.
  • “chora não, ano que vem você está aqui de novo!”.
  • “na hora de fazer você não gritou assim!”
  • “para de gritar, ou seu filho não vai nascer!”
  • “se você não fizer dessa forma, seu bebê pode morrer!”

Violência Obstétrica Psicológica

Refere-se ao tratamento desumanizado, grosseiro, humilhação e discriminação, exemplo disso é a proibição da presença do acompanhante ( o que é direito garantido por lei). Além disso, cabe nesta classe a omissão de informações sobre a evolução do parto. É bem comum conversarmos com mulheres que passaram pela cesárea, e ouvir relatos de que a escolha da via de nascimento foi dela, que ela optou pelo parto.

Quando há informações de qualidade sobre as vias de parto, quando essa mulher não é privada de nenhuma informação sobre a sua gestação, e ainda assim, opta pela cesárea, ok! Ela foi informada e tomou a decisão que achou que melhor lhe cabia. Lembre-se: CADA UM SABE DE SI.

Agora, se essa mulher foi privada de informações e essa ausência de certa forma a induziu a tomar qualquer decisão, isso não é escolha, é INDUÇÃO. Exemplo: Gestação com 40 semanas, e o obstetra diz que não é aconselhável aguardar mais; Bebê com circular de cordão, que não pode nascer por parto natural; diabetes gestacional ter como melhor via de nascimento cesárea; pressão alta inviabilizar o parto natural. São alguns exemplos de Violência Obstétrica Psicológica, afinal, queremos um obstetra para confiar, e não para duvidar das condutas que ele sugere. E é assim que muitas mulheres acabam indo para uma desneCesárea.

E ai, o que eu posso fazer para me prevenir?

  • busque uma equipe que se baseie em evidencias cientificas
  • conheça sua maternidade
  • leia relatos sobre o local de nascimento escolhido
  • tenha uma doula
  • leia muito, se informe sobre o parto natural, sobre o que é e o que não é permitido.
  • participe de grupos de apoio
  • tenha um plano de parto
  • assista ao filme “o renascimento do parto” (aborda bastante sobre o assunto e a trilogia está disponível na netflix).

Como denunciar uma violência obstétrica?

Se você sofreu qualquer tipo de violência obstétrica, não se acanhe em denunciar, juntas tentamos mudar o cenário obstétrico do nosso país. A sua denuncia é de grande valia.

Defensoria Pública do Seu Estado

A defensoria pública atende gratuitamente cidadãos com renda definida segundo os critérios por ela estabelecida oferecendo suporte jurídico, psicológico e social. A Defensoria Pública é a porta de entrada para a demanda jurídica da população. Quando não se enquadrar nos requisitos de atendimento da Defensoria Pública do seu Estado, procure um advogado de sua confiança. O endereço na internet das defensorias é padronizado desde 2015. Assim você pode encontrar a sua obedecendo o critério: www.defensoria.xx.def.br, onde “xx” corresponde à sigla do seu estado.

Ministério Público Federal

O Ministério Público Federal instaurou inquérito em 2014 para investigação de Violência Obstétrica e recolhe denúncias através da sala de atendimento ao cidadão. As denúncias são essenciais para identificar os estabelecimentos que estão adotando práticas abusivas, mas reparações individuais devem ser buscadas por meio de advogado particular ou da Defensoria Pública.

Pelos telefones:

180 – Violência contra a Mulher

136 – Disque Saúde

Tenha em mãos

  • Cartão da gestante ou cartão de acompanhamento pré natal.
  • Protocolos das denúncias (se houver) nos serviços acima.
  • Cópia do prontuário de atendimento no hospital ou unidade de saúde onde você foi atendida. O prontuário é de preenchimento obrigatório e estará à disposição por vinte anos após o atendimento.

Boa leitura,

Um beijo.

 

Referências:

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