Autoconhecimento: se entenda e deixe fluir!

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Conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que precisam ser exercidas para chegar a determinado fim, do verbo trabalhar, como o nome já diz, assim é o trabalho de parto. Como um processo complexo e intenso o momento do parto só é descoberto ao ser vivenciado, talvez por esse motivo exista tanta ansiedade e medo ao redor do assunto, especialmente para as mães de primeira viagem. O que venho dizer agora é: se prepare para vivenciar o que vier da forma que vier em toda a sua intensidade!

Via: Reproducción Asistida

 

O processo começa antes do parto

 

O primeiro passo é se encarregar de buscar informações sobre o parto, sua fisiologia, os direitos que você e entender suas preferências sobre tudo isso (você pode ler um texto que escrevi sobre a importância de sua autonomia no parto clicando aqui). Se preparar fisicamente também é essencial para lidar com o trabalho de parto com mais fôlego. Organizar a equipe que estará ao seu lado nesse momento. Muito bem! Quero agora chamar sua atenção para outro ponto muito importante, você!

Ao te convidar para pensar sobre você não me refiro a quantidade de informações que você tem sobre o parto, não me refiro ao nível de preparo físico que buscou e nem a equipe que você buscou para te acompanhar, eu me refiro exclusivamente a percepção que você tem sobre você. Como você recebe o que é desconhecido?  Como você recebe as dores? Como você recebe o que saiu do cronograma? O que você está levando para o momento do parto? Por que você tem medo?

Nesse aspecto, indico a importância de se prepapar pisológicamente e emocionalmente para lidar com o que vier no momento do trabalho de parto. Ao parir um bebê a mulher está parindo também uma série de outras coisas que a acompanharam na gestação ou até antes. É importante entender o que esse momento representa para você e isso só é possível quando você olha para si e para sua história com a devida atenção que merece.

O autoconhecimento é um processo difícil e contínuo, mas essencial para que você identifique seus padrões de comportamentos. Dessa forma, você saberá reconhecer as crenças que precisa quebrar para enfrentar tudo o que teme, modificando a forma que age sobre elas.

 

O que o medo provoca

 

Em 1933 o obstetra inglês Grantly Dick Read publicou um estudo no qual apresentou a constatação de que se houver tensão no trabalho de parto automaticamente o colo do útero estará igualmente tenso. O medo age sobre a mulher como um mecanismo nervoso que inibe o trabalho de parto e que causa dor no momento das contrações.

Tríade tensão-medo-dor

Nesse sentido esvaziar-se do medo é fundamental para dar espaço à liberação de ocitocina, hormônio que é necessário para a evolução do trabalho de parto por ser o responsável pelas contrações uterinas.

Como driblar o medo

 

Uma boa ideia é anotar todas as ideias negativas que você tem sobre o parto e se aprofundar em cada uma delas, entendendo os porquês delas estarem ali. Com isso, você identificará o que não passa de crenças sem fundamento, entendendo o que nisso tudo é seu e buscará formas de controlá-las. Nesse sentido o que for parte de sua construção pessoal precisará ser trabalhado, desmistificado e colocado em seu devido lugar.

Após esvaziar-se dos medos você pode utilizar esse lugar para acrescentar afirmações positivas que te ajudarão a manter concentração no momento do trabalho de parto. Você pode preparar ainda durante a gestação bilhetes com algumas afirmações positivos para espalhar pelo ambiente em que estiver durante o trabalho de parto. É claro que essas afirmações precisam corresponder com o que faz sentido para você, a fim de que sejam algo familiar em que poderá se apegar. Mas deixarei a seguir algumas sugestões:

  • Cada contração me coloca mais perto do meu bebê
  • Eu sou maior do que qualquer dor
  • Pode doer, mas vai passar
  • Meu corpo sabe parir
  • Eu confio na natureza do meu corpo
  • Eu me entrego para esse momento
  • Eu dei o meu melhor, eu me preparei para isso

Aliadas a respiração certa essas afirmações ajudarão num movimento de distanciamento de medos e crenças e aproximação de sensação de paz e tranquilidade.

Entenda a sua capacidade, acredite que você deu o seu melhor para chegar até ali e acolha as sensações que vierem para você, as boas e as ruins também, afinal elas te constroem. Só não deixe que o medo da história trágica que você ouviu ou os medos que te acompanham desde a mais remota idade te impeçam de vivenciar toda a sua potência para o momento do parto, afinal, você pode!

Referências:

Preparo da gestante para o parto

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71671973000200108

 

A dor e o protagonismo da mulher na parturição http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942011000300014&lang=pt

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