De farmacêutica à Doula

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Vários foram os pontos que me fizeram chegar até aqui e, acredito, que tudo começou com a minha transformação como pessoa.

O início

Me formei Farmacêutica em 2006. Durante a faculdade pude realizar estágio em diversas áreas e pude perceber que o que me tocava mais era trabalhar com pessoas! Por isso, escolhi fazer minha especialização em Análises Clínicas para entender mais de pessoas e suas doenças.

Meu primeiro emprego foi em uma Drogaria. Logo em seguida passei no concurso da prefeitura e fui trabalhar na Farmácia da UBS. Gostava muito de atender as pessoas e poder tirar as dúvidas. Mas, acabei acumulando os dois empregos. Somando alguns dias que lecionava em um curso técnico, chegava a trabalhar 16 horas por dia. E amava isso!

Meu Casamento – 2006

A primeira mudança

Engravidei da minha primeira filha em 2008. Trabalhei até as 12:00 e ela nasceu de Parto Normal, no mesmo dia as 22:40.

Tirei minha licença maternidade e ali começaram meus estudos com amamentação. Não tinha informação, não tinha apoio. Eu só sabia que queria fazer aquilo por ela e que não queria desmamar quando terminasse a licença.

Quando terminou a licença achei que precisava diminuir o ritmo e ficar mais com ela. Larguei o emprego da Drogaria. A Prefeitura me transferiu para o Hospital. E como fiquei feliz!

Logo eu já estava ajudando as mamães no pós parto com a amamentação!

Workaholic, eu?

Eu terminava rápido o serviço no meu setor para poder ir pra Maternidade. E comecei observar que as mulheres que realizavam cesárea não tinham ajuda para amamentar. Era oferecida a fórmula.

Muito intrigada, preocupada e metida (rsrs) fui conversar com a nutricionista sobre o perigo que era para a amamentação e sobre sensibilizar o organismo de bebês tão novinhos.

Começamos, então, a desenhar um Projeto de Incentivo ao Aleitamento Materno. Eu fazia visita diária na maternidade auxiliava e fazia coleta de dados. Fui fazer o curso de Auxílio Amamentação.

Já que estava na maternidade, comecei a auxiliar algumas mães no pré parto. O hospital não cumpria a lei do acompanhante.

Virei do Avesso

Finalmente engravidei da segunda filha em 2010.

E a mudança que tinha começado com a primeira, veio acontecer de vez com a segunda.

Agora com muito mais informações e conhecimentos, queria fazer diferente. Queria fazer amamentação exclusiva até os 6 meses, queria dar muito colo, queria curtir muito.

O que eu não esperava era receber uma bebezinha tão exigente. Uma menininha que me fez estudar cada vez mais, me esforçar, voltar atrás e recomeçar, ver e rever padrões e atitudes.

Mas vencemos! Consegui fazer tudo do jeito que eu sonhava!

Amamentação da Segunda Filha – 2011

Mais um empurrão

No início de 2012, com a segunda com quase um ano, fui fazer o curso de Doula. Ainda era assunto desconhecido, não se falava muito e eu não conhecia nenhuma doula.

Entrei com uma cabeça e saí com outra. Só então me dei conta de como meus partos poderiam ter sido diferentes. De como fui desrespeitada e que aquela dor tinha nome: Violência Obstétrica. Saí motivada a contribuir para que fosse diferente!

Curso de Doulas GAMA – 2012

Mudança Final

Em Maio de 2012, mudamos de cidade. Chegamos em Atibaia. Com a pequena com 1 ano e a mais velha com 3, era inviável manter meu emprego em outra cidade. Eu não queria gastar meu salário com alguém pra cuidar das pequenas.

Era o empurrão que faltava. Exonerei meu cargo e mergulhei de cabeça no meu novo trabalho.

E como tem sido Maravilhoso!

Poder ajudar e apoiar tantas mulheres em momentos tão importantes! Poder conhecer pessoas incríveis! Poder fazer amizades incríveis!

É demais pensar como cada coisa que passei construiu o que sou hoje!

Família Completa
Parto da Letícia – Foto: Despertar Fotografia
Parto da Kátia – Foto: Despertar Fotografia
Parto da Kátia – Foto: Despertar Fotografia

Referências que podem interessar:

  • Lei do Acompanhante: Lei 11.108/2005

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11108.htm

  • Violência Obstétrica (Artemis)

https://www.artemis.org.br/violencia-obstetrica

  • Prevalência do Aleitamento Materno (Fiocruz)

http://www.redeblh.fiocruz.br/media/pesquisa.pdf

  • Brasil é Referência Mundial em Amamentação (Ministério da Saúde)

http://dab.saude.gov.br/portaldab/noticias.php?conteudo=_&cod=2223

  • Recomendações OMS para o parto normal

https://www.sns.gov.pt/noticias/2018/02/20/parto-novas-recomendacoes-da-oms/

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3 respostas para “De farmacêutica à Doula”

  1. Sem palavras, que lindo Mari. Uma trajetória de conquistas e muito estudo. Parabéns, te admiro e torço sempre por você porque sei que voce faz muita diferença na humanização.

  2. Você é uma pessoa iluminada. Que Deus continue a ilumina-la sempre para que possa cada vez mais auxiliar nós mulheres nessa tarefa tão complexa chamada “MÃE”. Tudo de bom, você merece, e é boa no que faz.

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