Cientista que virou Doula

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Olá! Me chamo Ariane e tenho 30 anos. Sou casada há 7 anos com meu primeiro namorado e estamos juntos há 15 anos. Moramos em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.

 

Arquivo pessoal: Eu e minhas pequenas

Nossa relação nos trouxe duas meninas maravilhosas, a Luísa de 4 anos e a Cecília, de 2 anos. Foram elas que iluminaram meu caminho até o conhecimento do parto humanizado. Estudei muito, e por amor a esse universo, me formei Doula.

Um parto muda tudo

Eu tive duas gestações que foram bem diferentes uma da outra, assim como os partos. O primeiro foi aquele “normal” que a gente sempre ouve falar, mas que de normal não tem nada! Cheio de intervenções: toques seguidos, bolsa foi estourada pra acelerar o trabalho de parto, episiotomia, posição ginecológica, puxo dirigido…

Eu não tinha muita informação. Não tive protagonismo nenhum no meu parto, e só descobri que nada disso era necessário quando estava estudando sobre parto durante a segunda gestação.

Eu já era outra mulher. Fui atrás de informação, de equipe humanizada, de Doula. Eu era a dona do meu corpo e do meu parto. Minha filha nasceu em um parto natural, e o mais importante, super respeitoso. Para nós duas.

Para mim, a diferença entre ter ou não uma equipe humanizada e Doula, foi gritante. No primeiro parto eu fiquei sem suporte da equipe, sem orientações sobre caminhar ou fazer exercícios, sem convite de ir para o chuveiro ou qualquer outro método de alívio da dor. Fiquei apenas deitada suportando uma contração de cada vez.

No segundo parto, logo na chegada ao hospital, me convidaram a ir para o chuveiro com a bola, as luzes estavam baixas, a comunicação entre a equipe, quando existia, era em voz baixa. Pude mudar de posição quantas vezes senti vontade, e pari em quatro apoios. Não me foi imposto nada, ocorreu tudo no ritmo do meu corpo.

E a Doula… ah, quando a minha Doula chegou, tudo ficou mais tranquilo. Me senti amparada, segura, confiante, e aquela massagem na lombar me levou ao céu, rs. Ser Doula nunca me passou pela cabeça antes de eu ser mãe, até vivenciar esse parto cheio de respeito e amor…

Renasci Doula

Depois da minha experiência com o parto humanizado, muitas mulheres me procuravam pra trocar ideia, pra tirar dúvidas e fazer perguntas bem diretas sobre como tinha sido meu parto. Notei que o assunto me rodeava de uma forma natural e apaixonante como nunca tinha experimentado em outra ocupação.

Até que um dia surgiu a pergunta: “Por que tu não faz o curso de Doula?” Aguardei até minha caçula ter idade pra eu conseguir me dedicar a esse sonho, e me joguei.

O curso Revelando Doulas – Mulheres Empoderadas (Campinas – SP) por si só, já mudou minha vida. Lá resgatei meu sagrado feminino, conheci pessoas incríveis e aprendi MUITO. Sempre digo que cheguei lá com uma expectativa que foi surpreendentemente superada. Renasci outra mulher ao final desses 5 dias. Renasci Doula.

Curso XV Revelando Doulas
Foto: Instinto Fotogragia e Filme

 

Da ciência à humanização

Um tempo atrás eu estava conversando com uma gestante sobre meu trabalho como Doula, e por curiosidade, ela me perguntou qual era minha formação acadêmica. Caímos na risada quando respondi que eu tinha formação em química industrial e mestrado em ciência dos materiais, ou seja, eu era o que conhecemos por “cientista”.

Arquivo Pessoal: Eu cientista

Mas não é só porque optei pela humanização, que a ciência ficou de fora. Humanização tem tudo a ver com informações baseadas em evidências científicas, além, é claro, do protagonismo da mulher.

Isso quer dizer que uma eu ainda tenho que ler muito, me informar para poder repassar a informação para as gestantes. As informações são de fontes confiáveis, resultados de estudos que foram feitos, revisados e analisados para posterior divulgação.

Preciso saber o que é preconizado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. Preciso saber dos índices, dos riscos, dos mitos envolvendo o parto. Ou melhor, os impedimentos que se colocam para o parto e levam as mulheres para cesarianas desnecessárias.

Levo o máximo de informação para que a mulher possa ter conhecimento e trilhar seu caminho até o parto humanizado.

Na bolsa da Doula

O perfil @nabolsadadoula surgiu na minha cabeça antes mesmo de eu me formar Doula. Após o curso, mudei o enfoque do nome.

Antes, a importância era para os itens que eu carregaria na bolsa para servir a uma mulher durante o trabalho de parto. Mas uma das maiores lições que aprendi foi que, um tanto de empatia, bastante informação e um universo de amor, preenchem a minha bolsa.

 

Ter Doula é essencial?

Quem decide o que é essencial para o parto é a mulher. Para saber se a Doula é essencial, é necessário entender qual o papel dela e quais benefícios sua presença pode trazer para a gestante.

A Doula é a mulher que serve à outra mulher durante a gestação, parto e pós parto. Esse apoio não é novidade, ele vem acompanhando a história do nascimento desde a antiguidade, onde outras mulheres da família ou da vizinhança prestavam esse suporte à parturiente.

Atualmente, eu, enquanto Doula, levo apoio informacional, emocional e físico, com métodos não farmacológicos para o alívio da dor. Técnicas como massagem na lombar, calor local, contato físico e presença constante de alguém de confiança, se mostraram importantes durante o trabalho de parto.

Esse apoio diminui a percepção da dor e transmite maior tranquilidade para a gestante. Os métodos de alívio da dor são recomendados pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde, sendo que este último incentiva inclusive a presença da Doula, se for do desejo da gestante.

Uma revisão de estudos publicada pela biblioteca Cochrane mostrou que mulheres que foram acompanhadas por Doulas durante o trabalho de parto tiveram maior probabilidade de terem um parto vaginal espontâneo. Ou seja, deram à luz sem ser por cesariana ou utilização de fórceps e vácuo extrator. Também tiveram menor probabilidade de utilização de remédios para alívio da dor, maior probabilidade de satisfação com o parto e tempo de duração do trabalho de parto se mostrou menor.

Arquivo Pessoal: Doulando com rebozo

 

Como funciona meu trabalho?

Existem vários tipos de trabalho que uma Doula pode oferecer. Tem Doulas que fazem plantão em hospital, e por isso, atendem somente durante o trabalho de parto e parto. Algumas Doulas oferecem outros serviços, como terapia floral, massagem, arte gestacional (a pintura da barriga). Outras tem seu trabalho focado no pós parto, auxiliam na amamentação e com carregadores ergonômicos (como sling).

Atualmente, trabalho da região metropolitana de Porto Alegre, e ofereço encontros durante a gestação onde converso com a gestante sobre seus anseios, expectativas, dúvidas.

Falamos sobre as fases do trabalho de parto, o que acontece com o corpo e com a mente da mulher, o que é necessário para que o parto ocorra com naturalidade. No encontro do finalzinho da gestação, fazemos uma técnica de relaxamento e visualização do parto. Também tiramos algumas dúvidas que ainda possam surgir, alinhamos o plano de parto, ensaiamos posições e movimentos que podem ser úteis durante o parto. Acompanho o trabalho de parto e parto, e depois ainda rola um encontro pós parto.

Já facilitei um chá de bênçãos – e foi incrível. É só amor por esse universo de gestação e parto.

Chá de bençãos Foto: Ana Flávia Fotografia

 

Acredito que toda mulher mereça um parto respeitoso. Para conseguir isso no nosso País, é através, principalmente, de informação e de apoio contínuo. É para isso que estou aqui. Vamos juntas?

 

Redes de Apoio

 

Está saindo do forno um projeto muito legal de encontro com gestantes e casais grávidos para abordarmos assuntos referente à gestação e parto.

Em uma parceria com uma amiga minha que também é Doula, vamos tirar as dúvidas de vocês e vamos também instiga-los a se informarem para tomarem decisões conscientes que levem a um parto respeitoso.

Esses encontros acontecerão em Canoas (RS), e para fazer parte dessa rede de apoio, basta clicar nesse link, e você entrará no grupo de Whats App, onde passaremos maiores informações.

Te convido também  a acompanhar o conteúdo da pagina @nabolsadadoula pelo Instagram e pelo Facebook!

 

Referências

1 – Métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto: revisão integrativa

2- Intrapartum care for a positive childbirth experience – Organização Mundial da Saúde 

3 – Diretrizes nacionais de assistência do parto normal – Ministério da Saúde

4 – Apoio contínuo para mulheres durante o parto – Biblioteca Cochrane

 

 

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2 respostas para “Cientista que virou Doula”

  1. Que lindo ver essa jornada…e pensar que o caminho de tantos serão construídos com esse cuidado e amor.
    Espero q meus netos tenham a benção da sua presença!!! bjs no seu coração!

  2. Filha, desde pequenininha tu já mostravas sinais de que deixaria tua marca neste mundo. Tem coisa mais linda do que tornar este momento mais sublime de uma mulher em um momento mágico , único ? Te amo mais que tudo ❤️❤️❤️

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