“Exame do Cotonete”. Fazer ou Não? Um guia rápido!

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Exame do cotonete na gestação. Evidências e reflexões para uma escolha embasada.

O que é?

O exame com um Swab – cotonete em inglês – é usado para colher amostras e preservá-las para análises, e na gestação usualmente se refere ao exame para se detectar se há presença do Estreptococos do Grupo B – EGB.

O EGB é uma das muitas bactérias comuns ao corpo humano, ficando normalmente no trato gastrointestinal, podendo colonizar a vagina ou o reto. Estima-se que 10 a 30 % das gestantes tenham possibilidade de ter EGB em algum momento da gestação e, dessas, cerca de 40% podem passar para o bebê sem que haja necessariamente infecção.

 

Exame do cotonete. Fonte: commons.wikimedia.org

Então, qual a preocupação?

Embora na maioria das vezes essa colonização possa ir e vir sem qualquer problema, em alguns casos pode causar na mãe infecção no trato urinário, pielonefrite ou cistite, ou no útero – corioamnionite – assim como meningite.
No bebê, quando há infecção, essa ataca mais comumente o sistema respiratório, podendo evoluir para pneumonia e, mais raramente, também meningite ou sepse.

Bebê infectado. Fonte: pixabay

O que dizem as Evidências?

Há dois tipos de infecção neonatal por EGB: a precoce, que acontece até 48 horas pós nascimento; e a tardia, que acontece de 1 a 3 semanas após o nascimento. A profilaxia de antibiótico durante o trabalho de parto se aplica somente à precoce. Levando em consideração que a possibilidade do bebê se infectar sem a profilaxia é de até 2%, e dentre estes a termo somente até 3%, há dois protocolos em vigor:

No Americano, se faz o exame do cotonete em todas as mulheres entre 35 e 37 semanas e se aplica profilaxia intraparto nas positivas.

No Europeu, não se faz o exame de cotonete de rotina no Pré Natal, e se aplica a profilaxia nos casos considerados de risco, que são principalmente trabalho de parto antes das 37 semanas, mais de 18 horas de bolsa rota e gestação anterior em que o bebê tenha desenvolvido a infecção.

Profilaxia de ATB. Fonte: unsplash.com/photos

Afinal, fazer ou não?

Não existe risco zero. E uma porcentagem de risco que seria irrelevante para uma, pode ser intolerável para outra, então,  fazer ou não o exame do cotonete ou que protocolo seguir são decisões individuais de cada Mulher, e só se pode colocar alguns pontos para ponderação:

– Colonização não significa infecção, portanto não demanda tratamento;

– Colonização é intermitente, ou seja, pode positivar em um dia e negativar poucos dias depois, e vice-versa;

– Em bebês com idade gestacional maior que 37 semanas, há menos de 1% de chance de colonização da mãe para o bebê mesmo sem profilaxia;

– 0,03% é a taxa de óbito entre os bebês de mães EGB positivas que não receberam profilaxia;

– 0,01% é a taxa de reação alérgica grave à penicilina (anafilaxia) que se não tratada rápido leva a óbito;

– Não consta nessas porcentagens a quantidade de óbito neonatal por bactérias resistentes pela disseminação da profilaxia excessiva de antibióticos;

Empoderamento também é co-responsabilidade. Não acate simplesmente qualquer protocolo. Informe-se e faça escolhas que façam sentido para VOCÊ!

Bibliografia:

Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease, Revised Guidelines from CDC:  https://www.cdc.gov/mmwr/pdf/rr/rr5910.pdf

Rastreamento do EGB na Gestação: Alternativas: http://www.levatrice.com/estreptococos

Prevention of Early-onset Neonatal Group B Streptococcal Disease: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/1471-0528.14821

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