O meu resgate

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Olá!!! Sou a Fran, tenho 35 anos, minha primeira formação foi na área de engenharia, mas encontrei a minha realização pessoal como Doula, onde ofereço o que há de melhor em mim.

Sou mãe da Luísa e do Luan que foram os grandes responsáveis pelos novos rumos da minha vida.

Mineira, nascida na cidade de Poços de Caldas-MG, o gestar e maternar sempre estiveram presentes comigo. Sou a mais velha de três filhos, e minha mãe sempre contou as suas experiências de parto com muita indignação, já que todos os filhos nasceram de cesárea, isso na década de 80, onde tivemos o “boom das cesáreas”. Também sempre ouvi as histórias de parto da minha bisavó materna, que pariu todos os filhos em casa e também auxiliou muitas mulheres a trazerem seus filhos a esse mundão.

Durante a minha jornada de vida me perdi das minhas origens, e comecei a traçar caminhos diferentes. Fiz uma faculdade que nunca fez sentido na minha vida, não conseguia me realizar profissionalmente, e só consegui enxergar isso após me tornar mãe, onde comecei o resgate do meu feminino e a busca pelo que me traz felicidade.

Me formei doula em 2015 pelo curso Mulheres Empoderadas – Revelando Doulas, em pleno puerpério do meu filho Luan. Esse desejo de me tornar doula veio após a experiência maravilhosa de um parto domiciliar, que mudou toda a minha vida e aflorou em mim essa vontade de que todas as mulheres pudessem vivencias a experiência de parir seus filhos com apoio, autonomia e segurança.

Atuo como doula desde 2016 na região de Campinas-SP, onde junto com outras doulas parceiras de profissão e de vida, realizo um trabalho de acolhimento de gestantes e casais. Oferecendo consultoria perinatal, encontros presenciais e acompanhamento do parto. Meus atendimentos acontecem no Espaço Mulheres Empoderadas na cidade de Campinas-SP.

Acompanhamento do parto da Bárbara em 2017 Foto: http://www.marianacorsi.com.br/

Como conheci a humanização do parto e nascimento

Minha filha, Luísa, nasceu em 2011, de provável cesárea desnecessária. Cheguei a essa conclusão algum tempo depois do seu nascimento, quando comecei a questionar o porquê não havia conseguido um parto normal, já que era essa a minha vontade. Sou uma pessoa curiosa por natureza e adoro estudar, mas após me tornar mãe essa vontade de aprender só aumentou e foi assim que conheci alguns blogs maravilhosos, de mulheres que lutam para que mais mulheres tenham acesso a informações baseadas em evidencias e que seja possível um nascimento respeitoso e seguro para seus filhos.

Mergulhei assim de cabeça na humanização do nascimento e muita coisa começou a fazer sentido para mim. E nunca uma frase fez tanto sentido:

Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer”. Michel Odent. 

O que mais me encanta na vida é que temos a oportunidade de sempre reescrever a nossa história, e ao me ver gravida novamente em 2014 percorri caminhos diferentes, busquei informações e me preparei.

Conheci a minha doula através da internet, ela escrevia em um blog e eu devorava todas as informações que ela compartilhava, tudo fazia muito sentido para mim, e a sua história pessoal também me encantava, afinal ela havia parido sua terceira filha após duas cesáreas desnecessárias e eu estava nessa busca pelo meu tão sonhado parto normal após cesárea. Comecei a frequentar os grupos presenciais que ela conduzia, e assim decidi pelo seu acompanhamento durante a minha gestação e no meu trabalho de parto. O que fez toda a diferença no meu parto.

Além de toda a informação e acolhimento recebido durante a gestação a presença da doula no meu Trabalho de Parto (TP) foi essencial. Tive um TP bem rápido, o que não deixou de ser desafiador como todo TP é. A doula acabou não sendo necessária no meu conforto físico, mas fez toda a diferença no meu conforto emocional, me acalmando e me lembrando de tudo que havia construído durante a gestação, e com o seu apoio consegui vencer meus medos e trazer meu filho ao mundo. Renasci junto com ele.

E foi assim que nasceu meu filho Luan, de um parto domiciliar planejado avassalador após 1 cesárea.

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro.” Ricardo Herbert Jones

 

Parto domiciliar do meu filho Luan 2014 Foto: https://www.facebook.com/kellysteinfotografia/ 

Doula: Aquela que serve

Desde o surgimento da humanidade, mulheres dão à luz acompanhadas por outras mulheres com mais experiência nesse assunto. E atualmente a doula vem para fazer esse resgate.

A palavra doula deriva do grego e quer dizer “aquela que serve”. Ou seja, é uma mulher com conhecimento e experiência em nascimentos, treinada para servir outra mulher durante a gestação, o parto e o pós-parto imediato.

Devido a nossa realidade obstétrica o trabalho da doula normalmente começa no pré-natal, com encontros para formar vínculo, entender a história prévia da gestante e as suas vontades e desejos, e com informações necessárias sobre a fisiologia do trabalho de parto e a realidade obstétrica local, facilitando a escolha da equipe, do local de parto, das possíveis intervenções que podem ocorrer na mãe ou no bebê etc.

Acredito que da mesma forma que a experiência do parto mudou a minha vida, outras mulheres podem precisar passar por esse processo para transformar suas realidades, e ser doula para mim é isso: Caminhar ao lado de mulheres mostrando a sua força.

Vivenciar o meu processo de gestar e parir, e o de outras tantas famílias me transforma diariamente. Cada parto que acompanho me ensina muito e sou muito grata por essa oportunidade.

Meu desejo é que mais e mais famílias possam ter a oportunidade de viver uma gestação e maternidade conscientes, e acima de tudo que seus desejos e vontades sejam respeitados. Por mais partos respeitosos, com autonomia e amor!

 

Acompanhamento do parto da Priscila 2018 Foto:https://www.facebook.com/kellysteinfotografia/

Abraços e até breve,

Fran Custódio

Você pode ler mais em estudos científicos sobre o assunto.
Essas foram minhas referências:

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