Não estou em trabalho de parto e meu bebê precisa nascer! E agora?

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Sempre esperamos que na gestação tudo transcorra bem. Que nenhum exame tenha alterações relevantes, que a mulher se sinta bem, se possível se alimente bem, exercite e, não antes do final da gestação, mas também não muito depois da data prevista, o trabalho de parto inicie para que logo possamos ter o bebê nos braços.

Mas às vezes esse roteiro sofre alguns desvios e pode ser necessário

Fonte: Flávio Santos – Photography

concluir a gestação de uma forma diferente por motivos variados. No entanto, na maior parte das vezes que há uma indicação para que o bebê nasça sem que a mãe já tenha entrado em trabalho de parto, a resposta costuma ser cirúrgica, com o agendamento de uma cesariana.

Você sabia que nem sempre precisa ser assim?

Em alguns casos é, sim, necessário realizar a cesárea, como você pode conferir aqui; porém, para quem tem o desejo de um parto normal e considerando as vantagens que este traz para recuperação da mãe e adaptação do bebê fora do útero, uma indução do trabalho de parto pode ser bastante vantajosa.

INDICAÇÕES:

Como comentamos, nem sempre é possível fazer a indução, mas então, quais são as possíveis indicações?

Em casos de síndromes hipertensivas, porém sem a constatação de pré-eclâmpsia e Síndrome HELLP; em casos de diabetes, corioamnionite, isoimunização fetal, restrição de crescimento fetal intrauterino, ruptura de membranas (bolsa rota) e gestação prolongada.

Vale o registro que é preciso avaliar caso a caso, com um bom profissional que poderá, juntamente com a gestante, considerar riscos e benefícios das condutas expectante (especialmente nos casos de gestação prolongada e ruptura de membranas), da indução (considerando também as condições para realizá-la – falaremos disso mais adiante) e da realização de uma cesariana.

TIPOS DE INDUÇÃO

Existem variados tipos de indução, alguns que não iremos apontar aqui, pois já caíram em desuso, embora ainda exista seu registro na literatura.

Os mais conhecidos em geral são os métodos naturais, alguns que ainda carecem de comprovação científica, mas que você pode se informar melhor nesse link: Métodos Naturais.

Aqui vamos focar no que chamamos de Estímulos Exógenos, diretos e indiretos ou ainda, mecânicos e farmacológicos.

INDUÇÃO MECÂNICA

Falamos em indução mecânica quando utilizamos de algum tipo de manejo externo visando estimular a ação de prostaglandinas, ativando a ocitocina, para que o colo uterino passe pelo processo de esvaecimento e dilatação por meio das contrações.

Fonte: Wikimedia Commons

Uma possibilidade é o que chamamos de Descolamento de Membranas (não confundir com o Descolamento de Placenta que é muito perigoso, pode colocar em risco a vida da mãe e do bebê e é uma indicação de cesariana) em que o profissional, durante a realização de um exame de toque, introduz o dedo indicador no canal cervical e, identificando as membranas, vai fazendo o descolamento com o objetivo de estimular a liberação de prostaglandinas e a dilatação do colo do útero.

Geralmente, este procedimento só desencadeia de fato o trabalho de parto se o bebê já estiver pronto para nascer, portanto, ele pode não ser efetivo (pode não funcionar). Apesar disso ele não apresenta significativas contraindicações, sendo que em geral os efeitos adversos são de desconforto e dor durante ou logo após sua realização, podendo ocorrer algum sangramento.

Outra possibilidade de indução mecânica é o uso do chamado Balão ou Sonda de Foley. Este instrumento é introduzido no canal vaginal, sendo posicionado no colo do útero para que vá inflando gradativamente (por bombeamento de ar ou de solução salina) fazendo com que o colo do útero vá dilatando conforme o balão infla.

Quando o balão alcança determinado diâmetro (geralmente 4 cm) ele sai ou pode facilmente ser retirado, sendo que a expectativa é que o trabalho de parto continue espontaneamente a partir da retirada do aparelho.

A vantagem destes métodos é que não apresentam risco de hipercontratilidade uterina (taquissistolia), que pode colocar em risco a vitalidade do bebê, aumentando o risco de ruptura uterina, dentre outros fatores, por essa razão ele geralmente é mais indicado para induções em mulheres que tem cesárea prévia ou outras cicatrizes uterinas.

Outro método mecânico é a chamado Amniotomia, ou ruptura artificial da bolsa das águas. Consiste na introdução de um instrumento que lembra uma agulha de crochê pelo canal vaginal que o profissional utiliza para romper a bolsa, deixando sair o líquido amniótico. Ele possui algumas contraindicações como, por exemplo, cabeça do bebê alta e móvel, que aumenta o risco de prolapso de cordão umbilical. Além disso, aumenta o risco de infecções e pode levar algum tempo para obter o efeito desejado (iniciar o trabalho de parto). Por esses motivos, em geral é um método de uso associado a outro e não isoladamente.

INDUÇÃO FARMACOLÓGICA

Nos métodos farmacológicos temos dois mais usados. O primeiro é a Ocitocina, ou o que muita gente conhece como “sorinho”. Sim, esse mesmo! Mas vejam, quando bem utilizado, é muito bem-vindo! O problema é usar de rotina.

Cadeia da Ocitocina Fonte: Wikipedia

Bom, mas o que é? É um hormônio sintético similar à ocitocina produzida pelo nosso corpo. Seu objetivo é promover contrações uterinas. Quando utilizada de forma indiscriminada costuma estar relacionada a grande intensidade de dor durante o trabalho de parto, sem repercussão significativa na dilatação do colo do útero e, consequentemente, diversas intervenções no parto, isso quando não leva a uma cirurgia cesariana.

Porém, quando bem utilizada, apresenta bons resultados nos desfechos de parto normal, sendo rapidamente eliminada após a suspensão de seu uso. Ela está indicada em situações cervicais favoráveis, sendo definidas por um índice de Bishop maior que 6 (seis).

Índice de Bishop? O que é isso? Bem, o índice de Bishop agrupa 5 (cinco) fatores que devem ser avaliados, pontuados e depois ter os resultados somados, totalizando o índice, para indicar se as condições cervicais (do colo do útero) são ou não favoráveis a uma indução de parto. Os fatores avaliados são: altura da apresentação do bebê, dilatação do colo do útero, apagamento do colo do útero, posição e consistência cervicais.

Bem, mas e quando o tal índice não é favorável?

Nestes casos normalmente é preciso optar por outro método de indução ou uso de métodos associados.

Além dos métodos que já descrevemos antes, outro método farmacológico muito utilizado é o uso de prostaglandinas artificiais para estimular o colo do útero e a liberação e ação das prostaglandinas naturais para que o trabalho de parto inicie ou para que o índice de Bishop seja mais favorável.

O mais conhecido é o Misoprostol ou mais popularmente chamado de Cytotec. A via mais utilizada é a vaginal, então o profissional faz a introdução do comprimido no canal, alocando-o no colo do útero. Os intervalos entre o uso dos comprimidos deve ser de 6 (seis) horas, não devendo ultrapassar 8 (oito) o número de inserções.

É preciso monitoramento e avaliação, pois este fármaco não deve ser utilizado na presença de contrações uterinas pelo risco aumentado de hipercontratilidade. Por essa razão também não é indicado para as pessoas que possuem cesárea prévia.

Em geral, o profissional faz a avaliação do quadro da gestante, apontando riscos e benefícios para que possa decidir conjuntamente qual ou quais métodos serão utilizados. É muito comum o uso em associação de um ou mais métodos, conforme o caso e a saúde materna e fetal.

Assim, por meio do uso de alguns desses métodos é possível, em muitos casos, possibilitar a ocorrência do parto normal nos casos de indicação do encerramento da gravidez, sem a necessidade imediata de realização de uma cirurgia cesariana.

REFERÊNCIAS:

Métodos para Indução do Parto

http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v27n8/26761.pdf

Métodos de Indução do Trabalho de Parto

http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2013/v41n1/a3781.pdf

Indução do Trabalho de Parto: Conceitos e Particularidades

http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n4/a003.pdf

Indução do Trabalho de Parto: Métodos Farmacológicos

https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/53554/2/Induo%20do%20Trabalho%20de%20Parto%20%20Mtodos%20Farmacolgicos.pdf

Maturação Cervical com Sonda de Foley: Experiência de um Centro Terciário

http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1646-58302017000200004

 

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2 respostas para “Não estou em trabalho de parto e meu bebê precisa nascer! E agora?”

  1. Texto maravilhoso parabéns Jandira! Só orgulho foi minha professora no curso de Formação de Doulas ❤️

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