Oi, eu sou a Bia!

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Quando criança, eu achava que gravidez era sinônimo de cesárea. Eu nasci assim, minha irmã também, todas as crianças que eu conhecia também tinham nascido de cesárea, então na minha cabeça parto normal era algo que na prática simplesmente não existia mais.

Uns bons anos depois, eu, que nunca mais tinha pensado sobre o assunto, que ainda estava bem longe de pensar em ser mãe, de repente me vi assistindo a um vídeo de parto natural. Não lembro como fui parar lá, só lembro que fiquei ENCANTADA! Comecei a assistir em sequência vídeos de parto natural de tudo quanto é tipo, a ler vários blogs sobre parto natural, outros tantos relatos de parto! Gente, não sei explicar, só sei que a paixão me pegou 💜

Em algum momento nessas andanças pela internet li sobre o documentário ”O Renascimento do Parto” e o financiamento coletivo para viabilizar o lançamento do filme. Participei, claro! Contribuí e ganhei duas entradas para assistir à pré-estreia. E lá fomos, eu e minha mãe.

Foi lindo, como vocês podem ver clicando no link referenciado no final do texto¹, mas as duas frases mais emocionantes que eu ouvi naquele dia vieram da poltrona ao meu lado:

”Filha, quero fazer um curso de doula pra te ajudar quando for a sua vez”
(Lindo, mãe 😍, só que o suporte contínuo é ainda mais efetivo quando prestado por profissional  que não pertença ao círculo social da gestante²)

&

”Até o dia de ontem eu achava que tinha sido sorte você ter nascido de cesárea, porque você estava com o cordão enrolado no pescoço”

Cordão enrolado, ou circular de cordão, não aumenta o risco do parto³ (imagem: o renascimento do parto)

Pois bem, naquela época eu estava seguindo o caminho da ”faculdade que dá emprego”. Saca o jogo da vida?

imagem retirada do site da Estrela

Então, por diversas circunstâncias, naquela ocasião eu acabei não seguindo o caminho do coração. Faltava ainda conseguir enxergar o que é que eu queria ser quando crescesse…

Como eu vim parar aqui

Eis que, depois de quatro anos, eu finalmente tive um insight de que a minha realização viria ao trabalhar com outras mulheres, poder ajuda-las a terem a melhor experiência possível num momento tão intenso e feminino como o parto.

Finalmente me matriculei no sonhado curso de formação de doulas do GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), que aqui no Rio de Janeiro é realizado em parceria com o Levatrice. E dali em diante não parei mais 😊

Logo em seguida me inscrevi para participar do Siaparto (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto), onde acumulei mais uma enxurrada de conhecimento à minha formação. Sigo sempre estudando e buscando agregar cada vez mais conteúdo aos meus atendimentos.

Acredito demais na força das mulheres, e fico extremamente feliz em poder ajudá-las a se conhecerem melhor e a confiarem mais em si mesmas.

Bacana, Bia, mas o que raios é uma doula?

Doula é a mulher que oferece suporte físico, emocional e psicológico à gestante ao longo da gestação, parto e pós-parto.

Fonte: acervo pessoal

É papel da doula oferecer informações à gestante ou ao casal durante a gravidez, contribuindo para um maior embasamento em suas escolhas e maior empoderamento. Essa parte do trabalho da doula é realizada durante as visitas pré-parto, que servem para a gestante e a doula se conhecerem melhor, trabalhar as expectativas da gestante para o parto, e auxiliar na elaboração do plano de parto. Além disso, a doula permanece à disposição para tirar dúvidas online sempre que solicitada pela gestante.

Durante o trabalho de parto, a doula busca proporcionar um ambiente acolhedor para a parturiente, além da possibilidade de utilizar técnicas não farmacológicas e não invasivas para alívio do desconforto. Essas técnicas podem incluir, conforme for o desejo da mulher naquele momento: massagens, uso do rebozo, bolsa térmica, aromaterapia e sugestão de posições ou de uso dos recursos disponíveis no local, como chuveiro ou banheira.

Quando a parturiente recebe suporte contínuo durante o trabalho de parto, ela se sente segura, protegida, cuidada e consequentemente sente menos medo. Dessa forma, a produção de ocitocina aumenta e os hormônios do estresse diminuem, contribuindo para a progressão do trabalho de parto e redução da dor⁴.

Sempre que possível, a doula permanece acompanhando a mulher no pós-parto imediato, a fim de prestar auxílio com a primeira mamada durante a hora dourada⁵.

O que NÃO é uma doula

A doula não é parteira ou profissional de saúde, portanto não realiza toques vaginais, não monitora os batimentos cardíacos do bebê, não afere pressão e não faz qualquer procedimento médico ou de enfermagem. Inclusive, aqui no Estado do Rio é até mesmo ilegal que as doulas façam esse tipo de procedimento⁶.

Também não é papel da doula discutir ou questionar os procedimentos com a equipe médica, substituir o/a acompanhante ou tomar decisões pela mulher.

Eu preciso contratar uma?

Como a doula não é a profissional técnica responsável por assistir o parto, não é obrigatório que você tenha uma te acompanhando. Contudo, estudos indicam que mulheres que tiveram suporte contínuo durante seu trabalho de parto relatam um maior número de experiências positivas com o parto⁷.

Foi evidenciado também que o suporte contínuo, especialmente quando prestado por doulas, pode melhorar o número de desfechos positivos para mãe e bebê, incluindo: menor duração do trabalho de parto; menor número de bebês com Apgar baixo no 5º minuto; e menor número de cirurgias cesarianas e de partos vaginais instrumentais⁷.

Esses resultados se devem ao suporte prestado pela doula no momento do trabalho de parto, e também a um maior autoconhecimento e autoconfiança da parturiente. Aliados, esses fatores tendem a reduzir significativamente o número de intervenções desnecessárias. Então, se eu puder te dar algumas sugestões: se informe, busque grupos de apoio a gestantes no seu bairro ou na internet, e reflita sobre ter uma doula para te apoiar durante a sua gestação e parto!

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Referências

  1. Érica de Paula, Eduardo Chauvet (2013). O renascimento do parto. Documentário parcialmente disponibilizado pelo Ministério da Saúde em https://www.youtube.com/watch?v=9-dHeTrWuQ0&list=PLY-hZtX_CwE2_gUty9eDobebBH925Ttm0
  2. Melania Amorim, Leila Katz. Estudando sobre doulas (II). Comentário para a Biblioteca de Saúde Reprodutiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), disponível em http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-sobre-doulas-ii.html
  3. Ana Cristina Duarte. Me amarrei no seu cordão. Postado em https://www.maternidadeativa.com.br/artigo1.html
  4. Jeanne Green, Barbara A. Hotelling (2014). Healthy Birth Practice #3: Bring a Loved One, Friend, or Doula for Continuous Support. Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4235055/
  5. Julie Mottl-Santiago, Catherine Walker, Jean Ewan, Olivera Vragovic, Suzanne Winder, Phillip Stubblefield (2008). A hospital-based doula program and childbirth outcomes in an urban, multicultural setting. Maternal and Child Health Journal, 12(3), 372–377.
  6. Rio de Janeiro, Lei Estadual nº 7.314, de 15 de junho de 2016. Dispõe sobre a obrigatoriedade das maternidades, casas de parto e estabelecimentos hospitalares congêneres da rede pública e privada do Estado do Rio de Janeiro em permitir a presença de doulas durante o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, sempre que solicitadas pela parturiente. Disponível em http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/contlei.nsf/c8aa0900025feef6032564ec0060dfff/f6a4bdfe5bb46c4383257fd4005a506c?OpenDocument
  7. Meghan A. Bohren, G. Justus Hofmeyr, Carol Sakala, Rieko K. Fukuzawa, Anna Cuthbert (2017). Continuous support for women during childbirth. Disponível em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD003766.pub6/full

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