Po que ter uma parteira?

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Para responder a sua duvida “Por que ter uma parteira?” te convido a dar um breve passeio pela história e pelas evidências. Vamos?

O PARADOXO BRASILEIRO

Durante a tutela da Igreja Católica na assistência a saúde, o parto foi um evento expurgatório pelo qual as mulheres eram fadadas a sofrer para livrar-se de seus pecados, no entanto no início do século XX, com a mudança no modelo para a  assistência médica e a consolidação do parto como evento médico, o parto e o nascimento foram comparadas pelos obstetras da época como De Lee e Rezende à técnicas de tortura, e cabiam a eles, portanto, com uma medicina cirúrgica e masculina, livrar a mulher de tal sofrimento com técnicas como a pelvimetria, o fórceps, a episiotomia e o uso de narcóticos como morfinas e amnésicos. 

Por Bruna Romanini

Com o passar dos anos, a evolução de algumas técnicas, a instalação do parto dentro dos hospitais e o aumento importante da morbi-mortalidade materna e neonatal  iniciou-se o paradoxo brasileiro, onde o uso irracional da tecnologia mantém altas as taxas de mortalidade, evidenciando que a tecnologia por si só não basta para oferecer uma assistência segura.

HUMANIZAÇÃO DO PARTO E NASCIMENTO

O Movimento pela Humanização do Parto e Nascimento  teve seu inicio ao redor domundo em 1950 chegando ao Brasil em 1970. Marco histórico do movimento mundial foi a Conferência sobre tecnologia apropriada no parto realizada pela OPAS e OMS em 1985, desse evento se originaram documentos importantes como as recomendações do MS, que teve sua primeira publicação em 1996.

Pode se definir uma assistência não qualificada aquela que é oferecida por profissionais não capacitados e desatualizados, que prioritariamente se baseia no uso excessivo das tecnologias e na correção do processo fisiológico com intervenções que na maioria das vezes são invasivas e iatrogênicas, além de não considerar a autonomia da mulher e seus direitos.

O Ministério da Saúde (MS) em 2011 destacou a necessidade de se melhorar a saúde  materna e pontuou algumas áreas de ação, tais como: qualificação profissional, continuidade de cuidado para as  mulheres em todos os níveis de assistência e infra estrutura contando com Casas da Gestante e do Bebê e com Centros de Parto Normal, extra ou intra-hospitalares.

PORQUE TER UMA PARTEIRA

Considera-se, portanto, de extrema urgência a  inserção de maior número de Obstetrizes e Enfermeiras obstétricas, conhecidas como parteiras profissionais, capacitadas em todos os níveis de assistência, uma vez que as evidências mostram que modelos de assistência envolvendo  essas profissionais associam-se a menores taxas de intervenções e em maior satisfação das mulheres.

São diversos os estudos que comprovam os benefícios de um modelo de cuidado contínuo liderados por obstetrizes.  Um ensaio clínico randomizado e controlado  publicado em 2001, realizado com 1000 mulheres na Austrália buscou comparar modelos de assistência conduzidos por obstetrizes e modelos tradicionais centrados no hospital e médicos, observaram que as mulheres designadas para o grupo de cuidados da equipe de obstetrizes tiveram partos menos longos, menos monitoramento eletrônico contínuo do feto, menor uso de analgésicos narcóticos e peridural e menos episiotomias, embora maior número de lacerações não suturadas.  Outro exemplo é o estudo randomizado com 1653 mulheres realizado na Irlanda publicado em 2011, comparando os mesmos modelos de cuidado  que encontraram resultados semelhantes a estudos anteriores.

Em 2016 a Cochrane lançou uma revisão sistemática comparando a assistência obstétrica contínua realizada por obstetrizes e outros modelos de assistência durante todo processo de gravidez, parto e puerpério. Foram avaliados 15 estudos totalizando 17.674 mães e bebês, e os seguintes desfechos: parto prematuro antes da 37ª semana, perda fetal, morte neonatal, probabilidade de ter um parto vaginal espontâneo, cesariana, parto vaginal instrumental, probabilidade de o períneo ficar íntegro e uso de anestesia regionais. 

Observaram que o modelo que tem a obstetriz provendo uma assistência contínua aumentou a probabilidade de parto vaginal espontâneo, menor probabilidade de parto prematuro e de morte neonatal, além de considerável redução das anestesias, episiotomias e partos instrumentais (com fórcipe ou vácuo extrator), não houve diferença na taxas de cirurgias cesarianas e risco de eventos adversos.

Parto Domiciliar Planejado. Foto: Kelly Stein

QUEM SÃO AS PARTEIRAS

Atualmente as Parteiras são  profissionais graduadas em Obstetrícia ou enfermagem com especialização em obstetrícia.  São profissionais que trabalham dentro das premissas da humanização como autônomas ou como parte de equipes nos diversos espaços de saúde . 

Atualmente  sou co-fundadora e integrante do ELAS grupo de apoio a gestação, parto e pós parto. Atendo Partos Domiciliares Planejados  e hospitalares humanizados na Baixada Santista. Venha conhecer meu trabalho, acesse o site e inspire-se!

até logo,

Dany Parteira

 

Fontes:
Narchi Nádia Zanon, Silva Lúcia Cristina Florentino Pereira da, Gualda Dulce Maria Rosa. Contexto, desafios e perspectivas na formação de obstetrizes no Brasil. Saude soc.  [Internet]. 2012  June [cited  2019  Aug  09] ;  21( 2 ): 510-519. 
Diniz CSG 1997. Assistência ao parto e relações de gênero:elementos para uma releitura médico-social.Dissertação de mestrado. Faculdade de Medicina/USP, São Paulo
Diniz Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento. Ciênc. saúde coletiva  [Internet]. 2005 Sep [cited 2019 Aug 08] ; 10( 3 ): 627-637
Narchi Nádia Zanon, Cruz Elizabete Franco, Gonçalves Roselane. O papel das obstetrizes e enfermeiras obstetras na promoção da maternidade segura no Brasil. Ciênc. saúde coletiva  [Internet]. 2013  Apr [cited  2019  Aug  09] ;  18( 4 ): 1059-1068.
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