Antes de tudo, me responda: Você está na sua casa, tranquila, relaxada, quase tirando aquele cochilo. Alguém chega e acende aquela luz que mais parece um holofote na sua cara. É confortável?
Agora imagina isso acontecendo em pleno trabalho de parto!
Nesse post você vai encontrar
Estudos mostram que a luz ativa o neocórtex (região do cérebro relacionada ao raciocínio). Contudo, espera-se exatamente o contrário na hora do parto – que o neocórtex seja desativado para que a mulher se “desligue” e siga instintivamente seu caminho. Nesse sentido o córtex primal (relacionado a questões primitivas nos mamíferos) será acionado e o que é processado por ele tem resposta puramente fisiológica.
O medo é um sentimento que inibe a ativação do córtex primal (cérebro primitivo) e junto com ele ocorre a liberação de adrenalina (hormônio que te deixa pronta pra ‘lutar’ ou pra ‘fugir’) e a mulher fica em estado de vigilância.
O parto é um processo de entrega e a penumbra pode trazer a sensação de que ela não está sendo observada, a deixando mais confortável – sendo possível que o cérebro primitivo seja ativado e a ocitocina (hormônio do parto – conhecida também como hormônio do amor) seja liberada no lugar da adrenalina. A ocitocina é liberada pelo organismo quando a mulher está tranquila, em um ambiente acolhedor e com pouca luz.
Segundo Frédérick Leboyer a nossa sensibilidade é aguçada quando em baixa luminosidade, além de ser um fator para não causar desconforto no bebê em seu primeiro contato com a luz.
Importante dizer que, mais que a intensidade, a qualidade da luz é relevante. Visto que a luz do sol pode ser reconfortante e provavelmente não limita a ação do cérebro primitivo da mãe. Ao contrário das luzes artificiais, que impedem o seu acionamento.
A mulher, em alguns momentos durante o trabalho de parto, se envolve no silêncio e introspecção. Vocaliza, fecha os olhos, dança, se balança, manifestações necessárias e benéficas para o andamento do trabalho de parto.
Sabemos que é um momento fisiológico/instintivo, de conexão profunda entre a mãe e bebê. E que qualquer intervenção desnecessária pode “romper” essa conexão e dificultar o andar da carruagem.
Isso quer dizer que profissionais entrando a todo momento no quarto, fazendo toque, falado pra mulher deitar, levantar, deitar, levantar…. tentando conduzir o parto no tempo deles e/ou agilizar os acontecimentos não é uma boa ideia, talkei?
Durante o processo de nascimento do seu filho, a mulher deseja estar em um ambiente acolhedor, receptivo e que permita que ela seja protagonista. Um ambiente em que tenha liberdade e não se sinta controlada. Ela precisa ser informada e respeitada em suas decisões.
Manter o ambiente do parto o mais natural possível é um cuidado essencial, principalmente no período expulsivo – onde é extremamente necessário que o cérebro primitivo entre em ação equilibrando os hormônios necessários para o nascimento do bebê.
A mulher se sentirá menos observada, respeitada em sua privacidade e concentrada, facilitando assim o processo fisiológico do parto.
A baixa luz favorece o trabalho de parto já que ativa o córtex primal, colaborando para o parto normal – essa ativação no córtex primal facilita o processo dessa mulher “se entregar” ao fisiológico facilitando o período expulsivo.
Então já sabe né!? O escurinho é bom pro parto também. Te ajuda a relaxar, manter a tranquilidade e se entregar ao processo. Sem contar que deixa o ambiente mais confortável né mesmo? Imagina só você parindo a luz de velas…
Bora lá?!
REFERÊNCIA
APOLIMARIO, Débora, Rabelo, Marcelexandra, Gonçalves Wolf, Lillian Daisy, Rossi Kissula Souz, Silvana Regina, Campos Gaioski Leal, Giseli, Práticas na atenção ao parto e nascimento sob a perspectiva das puérperas. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste [en linea] 2016, 17 (Enero-Febrero). Disponível em: <http://redalyc.org/articulo.oa?id=324044160004> ISSN 1517-3852. Acesso em 14/02/2019.
LEBOYER, Frédérick. Nascer sorrindo. 14ª ed. São Paulo (SP): Brasiliense; 2004.
MACEDO, Priscila de Oliveira et al . As tecnologias de cuidado de enfermagem obstétrica fundamentas pela teoria ambientalista de Florence Nightingale. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro , v. 12, n. 2, p. 341-347, June 2008 . Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-81452008000200022&script=sci_arttext&tlng=pt. Acesso em 14/02/2019.
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