PLACENTOTERAPIA: Preparados terapêuticos com placenta

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A placenta é um órgão que só existe durante a gestação. Fica pronta no final do primeiro trimestre e se vai após o parto, durando apenas o tempo necessário para fornecer o essencial à vida.

Existem muitos mitos e curiosidade em torno da placenta: a quem ela pertence? Qual o destino respeitoso devemos dar a ela após o parto? É verdade que ela pode ser benéfica mesmo após o nascimento?
Conheça um pouco da história desse orgão tão especial, descubra o que são os tais “preparados”, seus usos e possibilidades terapêuticas.

O mais antigo dos remédios

Placenta manipulada logo após o parto (arquivo pessoal)

Ao longo de vários momentos da História, em diversas etnias de todos os continentes, encontramos relatos do uso da placenta em uma variedade de preparados.
Como sabemos, ela exerce uma série de funções fisiológicas durante a gestação, mas o que é unânime em todas essas culturas é o valor, simbologia e mistérios que permeiam esse órgão.

A placenta sempre foi tida como nutridora do corpo e da alma do bebê que vai nascer; dá aconchego ao feto e com ele estabelece um vínculo íntimo a ponto de afetar sua vida após o nascimento.

Ela é viva e carrega muita sabedoria, pois é o fio condutor, a conexão física direta entre mãe e bebê. Ela é geneticamente igual à você e ao seu bebê, metade um, metade outro. A placenta sabe exatamente o que ele precisa; é o seu “anjo protetor”.

“Árvore da vida” , “pão da mãe” e “irmã ou irmão do recém-nascido” são alguns dos nomes dados à este órgão, que acompanha o bebê do nascimento até o “caminho do paraíso”, em citações ao longo da História. Nossos ancestrais, inclusive, acreditavam que parte da alma da criança permanece ligada à placenta após o nascimento.

Mesmo sem conhecimentos de bioquímica e fisiologia, as parteiras reconheciam e utilizavam essa extraordinária parte da procriação humana. Foi durante a Inquisição que a maior parte dos conhecimentos ligados à cura com a placenta se perdeu, sendo retomada nos tempos modernos .

De quem é a placenta?
Da mãe, oras! De quem mais poderia ser? Até a OMS (Organização Mundial da Saúde) entende que a placenta é da mãe  e ela tem a liberdade de fazer com ela o que quiser.

Normalmente a tratam como lixo hospitalar, porém existem diversos relatos e investigações de instituições de saúde que comercializam placentas sem nenhuma autorização.

Empresas de cosméticos, medicamentos e de pesquisa lucram muito com essa atividade ilegal. Isso porque a maioria das pessoas desconhecem seus usos e benefícios após o parto. Precisamos retomar esses saberes!

Como armazenar?
Em um pote higienizado, preferencialmente de vidro, com tampa e uns 2 litros de capacidade (tipo aqueles de sorvete). No caso de parto domiciliar, deixe-o separado; em um hospital ou casa de parto, leve o pote.

Nestes casos, não esqueça de colocar no plano de parto que deseja levar a placenta para casa. Após o parto coloque-a no pote,  e peça para sua doula ou familiares levar embora e a guardar enquanto você ainda está no hospital. Se for preparar logo no dia seguinte, guarde na geladeira; se precisar de mais tempo, congele no freezer.

Quais os nutrientes encontrados na placenta?
A placenta contém hormônios que produzem efeitos muito benéficos na mãe recém-parida. Possui células-tronco e vitamina K, que evita hemorragia pós-parto, além das vitaminas A, B6, B12, E e D.

Também estão presentes ferro, prostaglandinas e endorfinas, assim como o lactogênio placentário (HPL) e a ocitocina, hormônios que estimulam a amamentação.

A placenta é um nutriente preparado pela natureza para, após o parto, ser um alimento muito útil para a mãe, auxiliando na sua recuperação e no início da amamentação; feita sob medida, proporciona medicamentos naturais perfeitos para cada mãe.

O que pode ser feito com a placenta?
Placenta: the gift of life (em português, Placenta: o mais feminino de todos os remédios) é um livro publicado em 2003 por Cornelia Enning que popularizou ainda mais a medicina da placenta, trazendo receitas práticas de tudo o que se pode ser feito com este órgão.

É importante enfatizar que todos os procedimentos devem ser feitos respeitando medidas de higiene adequadas: instrumentos e área de trabalho esterelizados, luvas, máscara e tocas descartáveis.

Vale atentar também para a higiene no sentido mais sutil do termo, considerando as esferas mentais e emocionais, visto que que estamos nos conectando com mais que apenas um órgão.

Lembrando que mesmo em caso de cirurgia cesárea, parto com anestesia peridural ou ocitocina sintética, a placenta pode ser utilizada para fins terapêuticos.
Há diversos preparados com a placenta, e os mais comuns são:

Cápsulas de placenta em pó

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Cápsulas prontas para o consumo (arquivo pessoal)

De acordo com a medicina chinesa, para conservar seus nutrientes, a placenta é cozida e desidratada, sendo então moída e encapsulada para ser armazenada, devendo ser conservadas no freezer.Os benefícios incluem o aumento da energia e imunidade, auxílio na produção de leite e recuperação física e emocional da mulher.

Batida de placenta
Logo após o parto, bater no liquidificador um pedaço da placenta com frutas. Auxilia na disposição, energia e evita hemorragia pós-parto. Possui efeito analgésico.

Tintura-mãe

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Tinturas mãe de placenta e cordão umbilical, primeiro preparo antes de vir-a-ser homeopatia (arquivo pessoal)

Feita a partir de pedaços de placenta ou cordão umbilical em meio alcoólico, pode ser utilizada pela mãe ou pelo bebê em qualquer momento da vida.

Ajuda na depressão pós-parto e processos emocionais diversos, pois fornece ferro, vitaminas e hormônios que aumentam a imunidade física e emocional.

Homeopatia
A tintura mãe será a base para a diluição e, como a homeopatia pode ser reposta (desde que bem conservada a tintura-mãe), pode durar a vida toda, sendo muito utilizada durante a menopausa.

Carimbo da placenta e recordação do cordão umbilical

Carimbos de placenta para recordação (arquivo pessoal)


O design único de cada placenta pode ser registrado no papel, criando uma linda memória em forma de arte. No caso do cordão, ele é deixado pra secar naturalmente e fazer adornos como filtros dos sonhos ou amuletos da sorte.

Plantar placenta
Ao enterrar a placenta na terra, seu poder de nutrição é compartilhado com árvores e outras plantas que passam a seja alimentar a partir dela, o que geralmente resulta em vegetais fortes e bonitos, que passam a fazer parte da história daquela família.

Pomada Terapêutica
Feito a partir da sinergia de manteigas e óleos vegetais com o pó ou homeopatia da placenta, possui propriedades hidratantes, regenerativas, cicatrizantes, emolientes e nutritivas, ajudando a recuperar a elasticidade da pele. Pode ser usada para assaduras do bebê, tratamento de queimaduras, áreas secas, picadas de inseto e machucados em geral.

Óleo corporal
Feito de maneira similar à pomada, possui as mesmas propriedades e pode ser usado em massagens na mãe ou no bebê (shantala).

Muito legal tudo isso, masfunciona??
Muitos mamíferos ingerem a placenta após o nascimento.
Há duas teorias que explicam isso: recuperação mais rápida do parto, o que na natureza é essencial, pois a prioridade é proteger suas crias e alimentá-las.

A outra teoria se refere às vantagens evolutivas nas quais esse comportamento pode ajudar na formação de anticorpos na mãe para o tipo de sangue do bebê, prevenindo abortos no futuro.

Mesmo as fêmeas herbívoras e alguns répteis vivíparos comem sua placenta; apenas o camelo, a baleia e a foca não consomem.
Para mães humanas, especialmente hoje em dia, pode parecer estranho ou mesmo indigesta a ideia de ingerir a placenta crua ou cozida — ainda que algumas mães e famílias o façam —, por isso aproveitamos seus benefícios na forma de preparados.

Não há respaldo científico que comprove os benefícios de consumir a placenta, até porque não há estudos suficientes para sustentar essa escolha. Nos baseamos mais em registros de saberes antigos e nos relatos das mulheres que já consumiram sua placenta, sendo todos favoráveis à esta prática.

Existe alguma contraindicação para preparar placenta?
Sim, para a segurança da mulher e demais envolvidos, a placenta deve ser saudável. Ou seja, não se deve fazer nenhum preparado caso existam doenças de base como HIV, gonorréia, sífilis, clamídia e hepatite B ou C.


Gostou? Quer saber mais? Entre em contato!

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
– Placenta: the gift of life (em português, Placenta: o mais feminino de todos os remédios) é um livro publicado em 2003 por Cornelia Enning.
– Placenta: The Forgotten Chakra (em português, Placenta: O Chackra esquecido) por  Robin Lim.
–  ANVISA – Uso e consumo de Placenta
– Placenta Benefits
– Placenta Sagrada

ESTUDOS SOBRE O CONSUMO
– BOAS NOVAS SOBRE AS CÁPSULAS DE PLACENTA!
– Human maternal placentophagy: a survey of self-reported motivations and experiences associated with placenta consumption 
– In search of human placentophagy: a cross-cultural survey of human placenta consumption, disposal practices, and cultural beliefs
– Wound healing activity of human placental extracts in rats
– Study: Maternal Placenta Consumption Causes No Harm to Newborns

 

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3 respostas para “PLACENTOTERAPIA: Preparados terapêuticos com placenta”

    1. Boa noite Maria!
      Como está?

      De qual cidade você é?
      Caso não haja ninguém que faça as alquimias da placenta aí, podemos conversar sobre a possibilidade de fazer a distância!
      Seria pra você mesma?

      Atenciosamente,

      Luciana Lago

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