Dia 8/3, o dia que renasci e a doula nasceu em mim

Compartilhe:

Primeiramente gostaria de me apresentar, me chamo Mariana, tenho 33 anos, sou casada com o Celso (parceiro de vida e meu maior companheiro), mãe da pequena grande Alice (minha razão pra querer fazer do mundo um lugar melhor) e de dois bebês que não puderam chegar nesse plano, mas que foram peças fundamentais para eu descobrir a minha real vocação, apoiar mulheres.

Parto normal não é sinônimo de sofrimento.

Sobre o meu parto, sobre a Alice e meu primeiro renascimento.

Meu trabalho de parto, estava com 10 cm e me preparando para o expulsivo.

Alice nasceu de um parto hospitalar natural, humanizado, sem intervenções, calma e no tempo dela. Nasceu e veio direto para os meus braços para receber suas boas vindas, ela não chorou, apenas me olhou tão profundamente nos olhos, que eu soube que a partir daquele momento eu havia mudado para sempre. E não mudei “apenas” porque me tornei mãe, eu mudei também pelo parto que vivemos, pela força que eu descobri e pela história que estaria por vir.

 

Eu e a Alice na nossa golden hour.

 

Desde o parto da Alice, fui nutrida por um sentimento de querer estar nas salas de parto com essas mulheres parindo, queria ser doula. Mas com a minha estabilidade no trabalho, a boa remuneração, era difícil recomeçar uma nova carreira do zero, por isso guardei esse sentimento em uma caixinha.

Sobre meu segundo bebê e a descoberta de uma gestação ectópica.

Quando a Alice tinha 1 ano e 2 meses, eu tive o meu primeiro ciclo menstrual e acreditei que o sangramento que eu tinha era natural, mas não era, eu estava com uma gestação ectópica já rompida, precisei ser operada as pressas e ao mesmo tempo que descobri que estava grávida, descobri que se eu não fosse operada imediatamente, eu poderia morrer.
Impossível esquecer a sensação de questionar se não havia como fazer meu filho sobreviver.
Apesar da perda da trompa esquerda, eu fiquei otimista ao saber que eu poderia engravidar novamente após seis meses. Voltei ao trabalho e em seguida fui mandada embora, na hora senti raiva, afinal eu estava me recuperando de um momento extremamente triste, mas hoje eu entendo, realmente havia nascido uma outra mulher, aquele emprego já não combinava mais comigo, hoje agradeço a essa demissão que me fez ter outro caminho na vida.

Sobre meu terceiro bebê.

Após 6 meses eu fiquei grávida, comemoramos e esperamos o primeiro ultrassom com muita alegria, mas não sabíamos que a partir dali tudo tomaria rumos diferentes nas nossas vidas.
Meu beta horas subia corretamente, horas não subia, e ninguém achava o saco gestacional no meu útero, em 3 semanas eu fiz pelo menos 8 betas e 8 ultrassons, estávamos desesperados com medo de ser outra gestação ectópica. No dia 5 de março, descobrimos um saco gestacional irregular e que evoluiria para um aborto, escolhi esperar o aborto espontâneo, queria que fosse diferente da última vez, queria que ele escolhesse a hora dele de partir. Mas não foi assim que aconteceu, no dia 8, comecei a sentir dores agudas em meu abdómen, sabia que era o aborto acontecendo, mas eu não conseguia parar em pé, vomitava, desmaiava, eu sabia o tempo todo que iria morrer. Chegamos ao hospital e abriram um leque de 3 diagnósticos, eu estava em choque hipovolêmico e ninguém sabia o motivo. Fiz a primeira transfusão de sangue ainda na emergência, antes de me operarem, eu olhava meu marido no canto, calmo como ele sempre foi, e aquilo de certa forma me trazia paz, o carinho dele na minha testa, o seu beijo me dizendo que tudo iria ficar bem, me faziam crer que tudo poderia ficar bem.

Minha primeira doulanda e amiga Cintya.

Fui operada e ao acordar na uti ainda não sabia que estava viva, apenas acreditei nisso quando vi meu marido, e pais entrando na uti. Após 4 dias de uti o médico veio me dar a notícias que agora eu não corria mais risco de morrer e que agora eu tinha uma nova data de nascimento, dia 8 de março.

Nos tornamos doula ou nascemos doula?

Lembrando a Ju de respirar em cada contração. (Gestante Juliana Verrone)

Após essas experiências de vida, escolhi correr atrás de algo que já havia sido plantada a semente em meu coração lá atrás no parto da Alice. Algo que após o primeiro parto que assisti, eu tive certeza de que é o que eu quero para a minha vida.
É um trabalho que me dá prazer, me enche de amor e alegria.
É um trabalho muitas vezes cansativo, mas gratificante, ver nascer uma família é um dos maiores presentes que ganho em minha vida.

Massagem durante a contração e atenção ao semblante da mulher.

A palavra “doula” vem do grego “mulher que serve”. E eu escolhi servir as mulheres antes, durante e após o parto. Para auxiliar na amamentação e criar um vínculo maior nessa nova família.

No dia 8 de março, eu senti que nasceu uma mulher que ficou para ajudar as outras a: viverem o que eu vivi no meu parto, dar informação, amparar, apoiar, guiar e não julgar, oferecendo as estas mulheres: mão, braço, colo, afago e amor.

Porque nosso corpo é divino, é sábio, é um presente, é a nossa casa, a casa do nosso filho em nosso ventre e por isso merece apenas amor, nada menos do que isso.

 Glossário e referências bibliográficas

Doula: A palavra “doula” vem do grego “mulher que serve”. Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

Gestação ectópica: Na gestação ectópica, dá-se a implantação do saco gestacional em outro local que não o endométrio da cavidade uterina — nas tubas uterinas, nos cornos uterinos, na cérvice, no ovário ou na cavidade pélvica ou abdominal.

Gestação cornual:  Gravidez ectópica intersticial ou cornual é que ocorre fora da cavidade uterina, com implantação e o desenvolvimento do ovo dentro do segmento da trompa que penetra na parede uterina ou entre o óstio tubário e a porção proximal do segmento ístmico.

Choque hipovolêmico:  O choque é um estado de hipoperfusão de órgãos, com resultante disfunção celular e morte.

Doulas recomendam:

Porque uma Doula não só se forma… Se constró... Origens Nascida e criada no subúrbio carioca dos anos 80, cresci entre brincadeiras de elástico até tarde da noite, festas “americanas”, aulas de bal...
Maternidade e profissão – Como uma bancária ... A maternidade nunca passa ilesa pela vida de uma mulher, e claro que comigo não seria diferente. Mas antes de começar a contar como cheguei até aqui, ...
Doular por vocação Minha equipe (me) assistindo com minha bebê coroando. Foto: Acervo Pessoal DOULAR POR VOCAÇÃO O nascimento da minha filha em 2017 me trouxe no...
Absorventes refrescantes- cuidados pós parto Conversando em um grupo incrível de “índias parideiras” onde indicaram essa receita para pós-parto e que pode também ser utilizada antes, em caso de v...
Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.