Deixar fluir nem sempre é fácil, mas o corpo indica o caminho (minha trajetória)

Compartilhe:

Ah corpo… Se eu te ouvisse desde sempre! Mas a teimosia em seguir o racional acabou falando mais alto, fui trabalhar com recursos humanos em empresas formais. Ok, por um lado minha sensibilidade tinha me levado a trabalhar com pessoas, mas ainda faltava a parte corporal que sempre foi latente em mim. Pra dar conta dessa falta eu usava a dança como hobby.

Bem, parecia bom, mas a vida sempre dá uma sacudida. Fiquei grávida do meu primeiro filho, uma gestação nada planejada, mas no meio disso eu só tinha uma certeza: queria ser respeitada.

Procurei uma doula e respirei o assunto “parto humanizado” por 9 meses. Meu filho nasceu e eu só tinha um sentimento “eu não acredito que eu consegui, eu posso tudo nessa vida”. Era um sentimento de potência feminina tão gigante que era impossível eu guardar aquilo pra mim, compartilhar era uma necessidade, pois outras mulheres também deveriam ter a oportunidade de se sentirem potentes. Vivemos uma vida de repressão das nossas potências, desde pequenas ouvindo que não somos capazes, seja no brincar, nas piadas inocentes ou de forma dura. Eu precisava contar que essa potência está apenas dormindo dentro de nós, e nós mulheres podemos MUITO MAIS.

Como mudei tudo?!

Fiz curso de formação em doula, educação perinatal, consultoria em amamentação, estágio em maternidade pública, participei de congressos e eventos de parto. Em meio a cursos e trabalho nasceu meu segundo filho, dessa vez pra me provar que a gente não controla nada. Era pra ter sido um parto domiciliar planejado, que quase virou uma cesárea. Minha bolsa rompeu com 33 semanas, fora de trabalho de parto e pra completar era um bebê pélvico. Bem, foi tudo muito complicado, mudar de planos nunca é fácil, mas com muita paciência, respeito e boa assistência, conquistei meu parto normal novamente.

Dessa vez, mal pari e já estava trabalhando, eu estava profissionalmente realizada demais para entrar de licença maternidade. Em meio a empolgação de um puerpério badalado, me juntei a uma amiga e parceira de trabalho e criamos o Coletivo Mãe Possível, um coletivo de educação perinatal que visa passar informações sobre gestação, parto e puerpério para outras famílias. Estamos constantemente fazendo rodas gratuitas em diferentes locais do Rio de Janeiro, workshops e oficinas com temas que envolvem gestação e parto. Mais do que acompanhar as mulheres em trabalho de parto, acreditamos que o trabalho de educação perinatal é fundamental para um bom desfecho. Pois é através desse trabalho que a mulher toma conhecimento das possíveis intervenções que ela ou o bebê podem sofrer, podendo assim traçar possibilidades e fazer escolhas conscientes sobre o rumo do seu parto.

Deixar fluir é a resposta!

O nosso corpo sempre indica o melhor caminho, mas as vezes a gente desvia, quer pegar atalhos e acaba deixando o caminho um pouco mais longo. Esses caminhos longos constroem tudo aquilo que precisamos pra chegar aonde queríamos mais fortalecidas. Então, mais que minha trajetória profissional esse texto é sobre fluidez de vida. É necessário estar aberto e deixar a vida fluir, e saber que a vida é tipo parto, não controlamos nada, mas podemos informadas tomar os melhores caminhos, e no fim dará certo, mesmo que o certo não seja exatamente como você planejava.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Suporte contínuo no parto

https://www.cochrane.org/CD003766/PREG_continuous-support-women-during-childbirth

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/estudando-sobre-doulas.html?m=1

Lei das doulas RJ

http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/contlei.nsf/c8aa0900025feef6032564ec0060dfff/f6a4bdfe5bb46c4383257fd4005a506c?OpenDocument

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.