Diástase abdominal pós gravidez

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Depois de 9 meses crescendo, é fato que a barriga não vai voltar ao normal da noite para o dia! Ter uma barriguinha após o parto é completamente normal, mesmo que algumas famosas nos digam o contrário.  É frequente algumas mulheres fazerem dietas e exercícios na ânsia de perderem logo a barriga pós- gestação, mas não obtém sucesso. O que gera frustração e baixa autoestima. Acontece que nem sempre essa barriga está lá porque a mulher está acima do peso. Uma das coisas que podem fazer a barriga pós gravidez não sumir é a diástase. Vamos entender o que é isso?

O que é diástase ?

Arquivo Pessoal

O corpo passa por muitas transformações ao longo da gravidez. A medida em que o útero cresce para comportar o bebê, há um estiramento dos músculos abdominais e esses músculos acabam se separando na região da linha alba. Essa separação dos músculos abdominais é chamada de diástase.

A diástase também pode acontecer no parto devido a um esforço excessivo dos músculos abdominais no período expulsivo. Por isso, é importante que a mulher não seja incentivada a fazer força fora das contrações e por um longo período de tempo.

A diástase costuma ser visível logo após o nascimento do bebê. Enquanto o útero volta ao seu tamanho normal alguns dias após o parto, o abdômen pode demorar 6 semanas para voltar ao estado anterior à gravidez e 6 meses para recuperar a força muscular.

Nem todas as mulheres desenvolvem diástase. Mas alguns fatores como: ter tido mais de uma gestação, diferença menor de dois anos entre as gestações, ganho de peso elevado, e a não realização de atividades físicas durante a gestação podem contribuir para que aconteça a separação dos músculos abdominais.

Não existe relação significativa entre a via de nascimento ( parto normal ou cesárea) e o desenvolvimento de diástase. Embora em mulheres que fizeram cesárea, a recuperação possa ser um pouco mais demorada.

Como saber se eu tenho diástase?

A diástase é avaliada em cumprimento e largura, considerando toda a extensão abdominal.  Ela pode se estender acima do umbigo (supraumbilical), na altura do umbigo (umbilical) e abaixo do umbigo (infraumbilical). É menos frequente a diástase abaixo do umbigo. A separação entre os músculos pode ter cerca de 1cm a 3 cm de largura e 12 cm a 15 cm de cumprimento.

Para avaliar, a mulher deve deitar com o corpo reto, os joelhos flexionados e erguer levemente o tronco e a cabeça. O mesmo movimento de um exercício abdominal simples.  Geralmente, fazendo esse movimento é possível ver a separação entre os músculos. Então, é só colocar os dedos entre essa separação e medir a largura e o cumprimento.

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Quando devo me preocupar?

A diástase é considerada preocupante quando o abdômen não retorna ao seu estado normal seis meses após o parto e/ ou essa separação tem uma largura maior que 3 cm.  Os músculos abdominais são os responsáveis pela sustentação da nossa lombar e estão interligados ao nosso assoalho pélvico. Assim, permanência da diástase pode trazer vários problemas à saúde como:

  • Dor lombar;
  • Sobrecarga da coluna;
  • Postura incorreta;
  • Enfraquecimento do assoalho pélvico;
  • Incontinência urinária;
  • Incontinência fecal;
  • Constipação;
  • Hemorroidas;
  • Hérnias.

Além disso, uma diástase não tratada interfere em uma nova gestação, pois o abdômen enfraquecido não é capaz de dar um bom suporte ao feto, deixando-o menos protegido. E durante o parto uma diástase acentuada reduz a qualidade das contrações.

Como tratar?

Para tratar a diástase não basta apenas fazer exercícios físicos tradicionais. Na verdade, eles nem são recomendados. Os exercícios abdominais clássicos e a musculação podem, inclusive, aumentar a diástase. O movimento de elevação do tronco força os músculos a se abrirem mais, ao invés de atuarem no fechamento dos retos abdominais.

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O tratamento mais indicado é a fisioterapia. Durante ou após a gestação, a fisioterapia é a atividade física mais aconselhada  para prevenir ou para tratar problemas associados ao abdômen e ao assoalho pélvico. A fisioterapia estimula o fortalecimento da musculatura abdominal e pélvica, melhorando o tônus muscular e a consciência corporal.

Além da fisioterapia tradicional, o fisioterapeuta pode utilizar uma técnica que vem sendo cada vez mais utilizada: a ginástica abdominal hipopressiva. É uma técnica com exercícios rítmicos e posturais que têm por objetivo auxiliar a diminuição da pressão intra-abdominal e intra-torácica. Essa técnica auxilia na respiração e no fortalecimento dos músculos do abdômen e do períneo sem sobrecarregá-los.

Outra opção é a estimulação elétrica através de procedimentos como a Corrente Russa  ou Corrente Aussie que levam a um fortalecimento da musculatura abdominal em um curto período de tempo e sem grande esforço físico.

Independente do tratamento escolhido, o importante é cuidar da saúde buscando profissionais qualificados.

Afinal, mais importante que uma barriga chapada é um corpo saudável!

 

Referências

Frequência da Diástase Abdominal em Puérperas e Fatores de Risco Associados http://www.fisioterapiaesaudefuncional.ufc.br/index.php/fisioterapia/article/view/178/pdf

Prevalência de diástase dos músculos retoabdominais no puerpério imediato: comparação entre primíparas e multíparas http://www.scielo.br/pdf/rbfis/2009nahead/aop035_09.pdf

Tratamento da flacidez e diástase do reto-abdominal no puerpério de parto normal com o uso de eletroestimulação muscular com corrente de média frequencia- estudo de caso http://www.proffabioborges.com.br/artigos/tratamento_da_flacidez_diastase_reto_abdominal.pdf

Diástase dos retos abdominais em puérperas e sua relação com variáveis obstétricas http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-51502012000200017&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Importância da fisioterapia na diástase dos músculos retos abdominais em mulheres no puerpério http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/35/06_-_ImportYncia_da_fisioterapia_na_diYstase_dos_mYsculos_retos_abdominais_em_mulheres_no_puerpYrio.pdf

Análise da diástase dos músculos reto abdominais em primíparas e multíparas em um hospital público de Campina Grande http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/123456789/6812

https://www.tuasaude.com/ginastica-hipopressiva/

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