Aborto espontâneo: o que é e o que causa a perda de um bebê

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Um dos maiores medos das mulheres grávidas é perder o bebê, principalmente quando a gravidez é planejada ou desejada. Na literatura médica, o aborto é traduzido como a morte ou a ausência de sinais vitais de um embrião ou feto de até 20 semanas, sem a interferência da gestante. Para a mulher ou a família, a perda gestacional representa uma tristeza profunda, a morte de um sonho, o luto por um filho que não chegou a nascer.

O aborto espontâneo ou natural é mais frequente antes das 12 semanas ou do fim do primeiro trimestre e pode ser causado por inúmeros fatores, como a malformação ou o mal desenvolvimento fetal, uso de medicações contra indicadas para a gestação, descolamento de placenta ou de saco gestacional, em casos de gravidez ectópica ou até mesmo por causas desconhecidas. O processo pode se desenvolver espontaneamente ou precisar de intervenção médica.

A maioria das mulheres vai passar pelo aborto espontâneo sem precisar da curetagem. Foto ilustrativa: Px Here

Os números sobre o aborto espontâneo no Brasil são controversos. Estima-se que 25% das gestações evoluem para um aborto no primeiro trimestre. Esse número, porém, pode ser muito maior, chegando a 50%. Isto porque muitas mulheres sofrem a perda gestacional antes de uma atraso considerável da data prevista para a menstruação. Outras mulheres não possuem domínio sobre a temática do ciclo reprodutivo ou não conhecem seus corpos para entender que estão tendo um aborto espontâneo.

Como saber se estou sofrendo um aborto?

Essa que vos escreve sofreu um aborto espontâneo em 2016. Foto: arquivo pessoal/reprodução não autorizada

Na maioria dos abortos espontâneos, a mulher sente dores abdominais semelhantes a uma cólica de menstruação, sangramento, enxaqueca, dor nos rins, enjoo e até diarreia. Se houver sangramento, é preciso procurar um serviço de emergência obstétrica com urgência.

Em alguns casos, os abortos espontâneos são evitáveis, em outros não. Isto porque o sangramento pode acontecer ainda com o feto vivo ou depois que o embrião parou de se desenvolver.

Durante o aborto, a mulher sente dores causadas pela dilatação do colo do útero e as contrações uterinas que levam à expulsão do embrião ou feto e dos restos gestacionais. O sangramento vaginal pode durar 10 dias ou mais e ser acompanhado de coágulos, membranas e até do próprio feto, dependendo da idade gestacional e da etapa em que o desenvolvimento parou.

Processo natural e indução

Quando o aborto acontece de maneira natural, o corpo da mulher pode não conseguir eliminar todos os restos gestacionais e o médico ginecologista pode pedir exames para avaliar o útero, a localização do embrião e a evolução do processo. Em abortamentos espontâneos sem complicações, a mulher pode optar por esperar o fim do aborto em casa.

Já nos casos em que o aborto não começa naturalmente, o sangramento vaginal e a eliminação dos restos da gestação que não foi adiante podem ser induzidos através de comprimidos vaginais, semelhante ao que acontece nos casos em que é necessário realizar a indução do parto. Esse processo deve acontecer em ambiente hospitalar para a avaliação da progressão do aborto e da saúde materna.

Curetagem

Se o aborto não acontece de maneira espontânea e a indução não progride de maneira satisfatória, pode ser indicada a realização de uma curetagem. A raspagem no útero geralmente acontece dentro do bloco cirúrgico e requer aplicação de anestesia, que pode ser local, peridural, raquidiana ou geral. Nestes casos, é recomendado que a mulher faça repouso e evite atividades sexuais por até 40 dias após o procedimento. Caso seja um desejo da mulher tentar uma nova gestação, ela deve esperar entre 3 e 6 ciclos menstruais.

Após a curetagem, a mulher pode sentir desconforto na região pélvica e abdominal, além de cãibras fortes, que surgem pela contração intensa do útero após o procedimento. O médico pode receitar analgésicos e anti inflamatórios para aliviar o desconforto e evitar infecções. Usar uma bolsa de água quente sobre o quadril ou barriga ajuda a aliviar o desconforto. Banhos de assento com ervas como o caju roxo e a aroeira podem auxiliar no tratamento e na cicatrização. Outras recomendações são que a mulher não use ducha vaginal, nem absorventes internos ou coletores menstruais.

As complicações da curetagem são raras, mas podem incluir sangramentos, infecções uterinas, perfuração do útero, bexiga ou alça intestinal. O procedimento pode levar à formação de cicatrizes internas, que levam à adesão das paredes do útero. Isso pode alterar o ciclo menstrual e a fertilidade. Após a curetagem, se a mulher sentir febre, mal estar geral ou corrimento vaginal com mau cheiro, deve procurar um médico para investigar a possibilidade de infecção.

Ajuda psicológica

Foto ilustrativa: Px Here

Além do auxílio e tratamento do aborto com o obstetra, é essencial o acompanhamento com psicólogo, psiquiatra e/ou da doula de luto. Após uma perda gestacional, é comum que tanto a mulher quanto o companheiro ou companheira e outros membros da família sintam uma sensação de tristeza profunda, de culpa e ansiedade. Pessoas com tendência à depressão geralmente têm o quadro agravado.

O luto pela perda do “filho projetado” vai durar um tempo diferente e ter consequências em intensidades variáveis em cada família. Acolher a dor, tratar o sentimento de perda e buscar formas de superar o luto são essenciais para quem passou por um processo que aconteceu contra a vontade da mulher e nunca será visto como natural.

Referências

Causas relacionadas ao aborto espontâneo: uma revisão de literatura http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/3300/1/Silvia%20Barbosa%20Mattos.pdf

Aborto e estigma: uma análise da produção científica sobre a temática https://www.scielosp.org/article/csc/2016.v21n12/3819-3832/

Aborto Espontâneo de Repetição e Atopia http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v25n5/16818.pdf

Estudo associa aborto espontâneo a maior risco de ataque cardíaco https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/12/101202_aborto_ataquecardiaco_mv

Abortamento espontâneo e provocado: ansiedade, depressão e culpa http://www.scielo.br/pdf/ramb/v55n3/v55n3a27.pdf

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