Nasce uma doula

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A descoberta

Apesar de não saber disso por algum tempo, acho que me tornei doula por volta de 1977, aos 5 anos de idade. Nessa época eu e minha prima (hoje ginecologista obstetra), “fazíamos” os partos de nossas bonecas Susi! Foram muitos partos normais! Os bebês era pequenas bolinhas de papel higiênico rosa e muitos desses bebês ficavam “entalados”, mas, sempre conseguíamos que nascessem bem no final!

Foram muitas noites assim, nós duas juntas fazendo barrigas e ajudando os bebês a nascerem!

Eu cresci, não quis me tornar médica como ela, mas continuava apaixonada pelo assunto gestação/parto natural.

Sempre que possível, afinal o acesso a internet não era fácil como hoje, estava eu procurando relatos e imagens de partos naturais.

Profissionalmente falando, eu ainda não havia me encontrado e, ao longo da minha vida, já havia passado por diversas áreas de atuação: Vendedora, aux. adm, assit. adm, gerente de loja, quituteira, etc…  Sempre procurei desempenhar bem minhas funções, mas nenhuma despertava em mim a paixão.

No meu último emprego de carteira assinada, estava eu fazendo meu horário de almoço e, pra variar, pesquisando sobre partos, quando lí sobre as doulas e ali, naquele segundo, aos 39 anos de idade , eu tive a certeza de que eu era uma doula!

A capacitação

Depois de tomar coragem e pedir para ser mandada embora, o famoso acordo, me inscrevi no curso de capacitação de doulas da ANDO- Associação Nacional das Doulas.

O dia do início do curso chegou e, a caminho de Campinas precisei parar no acostamento da rod. D. Pedro para chorar, tamanha era a minha emoção. É sério, vocês não tem ideia do que foi pra mim fazer esse curso. Ouvir meu instinto  e segui-lo mesmo tendo todos contra mim! Eu nunca havia seguido meus instintos.

Foram 36 horas de mergulho num universo novo, mas completamente apaixonante! Renasci 1000 vezes durante as aulas, me senti segura da minha escolha, me senti feliz e cheia de energia.

Era muita novidade, muito conhecimento para assimilar, pra estudar, pra devorar! Eu estava sedenta por mais!

Ok, eu havia feito uma capacitação para ser doula, mas e a prática? A teoria sobre as fases do parto, dilatação, contrações etc, eu tinha, mas como eu saberia, como eu começaria na prática a doulas?

O começo

Era dezembro de 2011, um domingo desses ensolarados em que você recebe um convite para um churrasco e vai.

No trajeto, um louco alcoolizado não respeitou o sinal de pare e bateu na lateral do meu carro, do lado do passageiro. O carro rodopiou 360º e, atordoada, ainda tive o reflexo de tentar ir atrás do sujeito que fugiu.

Eu tremia e desisti da busca no quarteirão seguinte. Vários moradores saíram de suas casas para ver como estávamos, e uma trazia na mão um papel onde havia anotado a placa do carro. Ela não tinha noção do presente que estava me dando.

Resumindo…

Descobrimos quem era o dono do carro. Descobrimos que ele não era o condutor do carro no momento da colisão e, prontamente ele assumiu todos os gastos para o conserto do nosso carro.

Fomos até o advogado e, durante a conversa ele pergunta minha profissão: Sou doula..

Saí do escritório com tudo resolvido e contratada para minha primeira doulagem.

 

Foi um começo inusitado, mas foi muito bom, foi visceral!

Sigo nessa caminhada na certeza de estar no caminho certo.

Eu me encontrei.

 

Evidências qualitativas sobre o acompanhamento por doulas no trabalho de parto e no parto: https://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012001000026

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