Ter doula ou acompanhante no parto? O que escolher?

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Calma pessoal, vamos devagar, não vamos fazer da sala de parto um ringue, na sala de parto existe espaço para todo mundo, basta a mulher querer, isso mesmo! O querer da mulher é muito importante, independente do local do parto, até porque estamos falando do parto dela.

Existem mulheres que não querem ninguém além da equipe técnica e chega a expulsar o acompanhante da sala de parto, que na grande maioria é o marido, já existem mulheres que querem sim a presença não só do acompanhante como também da doula, e quando a mulher quer uma doula tem uns acompanhantes que torcem o bico achando que a doula é desnecessária.

Tem aqueles que até “fazem” a cabeça da mulher para não terem doulas, pois acreditam que a doula vai tirar o lugar do acompanhante, ou que vai haver um duelo entre a doula e o acompanhante. Há quem acredite que será possível um marido ser seu “doulo” ou a sua companheira também fazer o papel da doula, afinal é uma mulher e vai saber fazer massagem e dar o suporte emocional e físico que precisa, e muita das vezes a mulher ao ter seus desejos confrontados fica insegura e acaba cedendo e não tendo uma doula para chamar de sua.

Definindo o personagem acompanhante

Primeiro precisamos definir quem são esses personagens na vida da gestante, o acompanhante será a pessoa com quem durante o período gestacional a mulher vai alinhar as suas escolhas para o parto, é quem no momento do parto, que é um momento de solidão e medo, dará apoio, conforto e mais segurança para parturiente.

É bom que o acompanhante seja alguém que conheça a gestante há bastante tempo, com quem ela conviva e sinta-se segura com essa pessoa e pode ser qualquer pessoa, desde que seja maior de 18 anos.

A lei do acompanhante foi publicada em 2005 e por incrível que pareça, estamos em 2019, e ela ainda é descumprida em muitas maternidades.

Rummm

Abrindo um parêntese: Sim, A Lei Federal de n.º 11.108/2005, ainda é descumprida, por isso, é importante que o acompanhe esteja de posse da mesma ao irem para maternidade, pois o direito de ter o acompanhante é desde a entrada na maternidade até a alta hospitalar.

Caso a lei não seja respeitada, algumas medidas podem ser tomadas, como buscar a ouvidoria do hospital, caso não haja nenhum retorno e nenhuma providência positiva seja tomada, deve-se prestar queixa ao Ministério Público.

Voltando… Existe um momento no parto em que a mulher estará na Partolândia (há quem diga que é o barato do parto), e o pai terá diversas coisas para resolver, precisará estar em alerta para que tudo que foi alinhado como escolhas se cumpra e da melhor forma, nessa hora a doula estará ali para servir não somente a gestante como também ao acompanhante.

Sem falar que a doula é o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, é da época em que o parto era entendido como um evento fisiológico e que passa a ser incentivada a sua presença no parto com respaldo científico.

Foto autorizada pelo casal
A Doula às vezes é fotógrafa Mariana e Richard

 

Então companheiros, não tenham medo da Doula, ela não vai roubar o lugar de vocês, ao contrário, ela vai ajudá-los a participar ainda mais desse momento mágico!

Definindo o personagem Doula

Quando uma mulher entra em trabalho de parto, aquela segurança que é dada pelo acompanhante, que na maioria das vezes é marido, a doula não pode substituir. Nem o contrário ocorre. Porque cada um tem o seu papel. E é isso que os profissionais da saúde precisam entender.

Doula significa “aquela que serve”. A doula trabalha com a educação perinatal durante a gestação, lembrando que, essa educação se estende ao acompanhante. Ela atende à gestante e à família durante o parto e no pós-parto também. Acompanha a recuperação, dá dicas de como se recuperar melhor do tipo de parto ocorrido, e dá suporte no puerpério também. Esse suporte ninguém mais pode dar como a doula.

A doula veio para preencher uma lacuna, suprindo a demanda de emoção e afeto neste momento de intensa importância e vulnerabilidade, veio para empoderar mulheres e famílias que buscam um parto respeitoso e digno, veio reforçar que a protagonista do parto é a mulher, que por mais que tenhamos um sistema cesarista, ter um parto humanizado é possível e apresentará ferramentas para que isso se torne real.

Ela não faz parto, ela faz parte. Ela usa de meios não farmacológicos para ajudar a mulher a enfrentar a dor, busca, de incansáveis maneiras, encontrar formas para aliviar o desconforto, principalmente nas contrações. Fala palavras de incentivo quando precisa, mas que também sabe ficar em silêncio quando é necessário.

O Ministério da Saúde entende que a participação da doula é mais um instrumento humanizador, já a OMS (Organização Mundial da Saúde), entende que reduz o tempo do trabalho de parto, reduz o uso de medicações e analgesia epidural, menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos cesárias. (Klaus et al 1986, Hodnett e Osbom 1989, Hemminki et al 1990, Hofmeyr et al 1991)

Vamos ter doula e acompanhante

Papeis definidos! Então vamos ter acompanhante e doula no parto, ninguém vai tomar o lugar de ninguém e ainda que essa dupla trabalhando juntos para que a mulher tenha se empodere e se sinta sinta segura para ter seu tão sonhado parto.

http://amazingbirthsandbeyond.com/doula-birth

Assim, teremos o acompanhante que deve ser aquela pessoa que tem um conhecimento íntimo sobre a gestante, e a doula que é aquela que tem um conhecimento íntimo sobre parto, o que, por consequência, vai facilitar a vida do companheiro para que ele possa participar ainda mais desse momento tão incrível, e juntos seremos expectadores do protagonismo da mulher.

 

E você? Teve uma doula? Já decidiu que terá uma? Me conta!

A elaboração do texto é feita com base em estudos científicos e leis, caso você queria poderá ler um pouco mais nas referências abaixo:

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