Amamentação após Cesárea, é possível?

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Sabemos que 15% é a taxa aceitável de “parto cesariana” segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) e, de acordo com o mesmo órgão, é recomendada a amamentação na primeira hora de vida do bebê.

Mas se eu vou fazer uma cesárea, como faz?

Lidyane conhecendo a Pérola após chegar no quarto. (Arquivo Pessoal)

Porque logo que nasce?!

Imagina um bebê que passou 9 meses dentro do útero e de repente se depara com um novo ambiente: luzes e sons que não conhece, além do fato de ter que respirar, não estar mais dentro da água… Deve ser assustador, não? Ao ser colocado sobre o peito da mãe esse bebê se acalma, pode ouvir a voz dela, sentir o seu cheiro.

E aposto que você aguardava esse momento ansiosamente, né?

Além desses fatores emocionais, temos também os fatores físicos. Esse primeiro contato pele a pele com a mãe, ajuda o bebê a controlar sua própria temperatura e respiração e estimula os hormônios da mãe prevenindo a hemorragia pós parto e favorecendo a amamentação. Além de favorecer o contato do bebê com as bactérias da mãe.

Alexandre passou por debaixo do campo cirúrgico direto para o pele a pele. (Arquivo Pessoal)

E as rotinas Hospitalares

Se a mãe e o bebê estão saudáveis, não há justificativa para esse primeiro contato pele a pele ser adiado. Durante os cuidados pós cesárea o bebê pode permanecer com a mãe.

O bebê deve ser colocado pele a pele com a mãe o mais rápido possível. O primeiro exame do bebê e o teste do Apgar podem ser realizados no colo da mãe. Assim como pesar e medir o bebê.

Rafael mamando na mamãe Glaucia.

Mas e o leite?

O Leite só vai descer após alguns dias do nascimento do bebê. A princípio a mãe secreta o colostro que é o primeiro alimento do bebê, rico em anticorpos e bactérias do bem que vão auxiliar na formação da microbiota do bebê. Ao colocar o bebê em contato com a mãe também são favorecidos os hormônios da produção de leite e do vínculo materno.

O bebê nasce com o estômago com aproximadamente 5ml, então o pouquinho de colostro ingerido já é valioso. Porém lembre que o foco nesse momento não é a alimentação em si e sim o contato pele a pele e o vínculo.

Ainda não me convenci…

Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt dos Estados Unidos apontou que a amamentação na primeira hora de vida aumenta em 50% a chance da mãe conseguir amamentar até os 6 meses!

Um estudo realizado pela Unicef feito em Gana, na África, revela que bebês amamentados no primeiro dia de vida diminui em 16% o risco de mortalidade neonatal, e essa taxa aumenta para 22% para os bebês que são amamentados na primeira hora de vida.

Beatriz dormindo com a mamãe Priscila na recuperação anestésica. (Arquivo Pessoal)

Tomei anestesia… atrapalha?!

Antigamente, acreditava-se não ser possível levantar após o procedimento cirúrgico pelo risco de desenvolver a cefaléia pós raqui.

Hoje, sabe-se, que levantar ou não nas primeiras horas não é fator de risco. O risco é minimizado pelo tipo de material usado para a punção.

Alguns hospitais tem mudado seus protocolos e permitido que as mães permaneçam sentadas com seus bebês mesmo durante a recuperação anestésica.

O que é Hospital Amigo da Criança?

É uma Iniciativa proposta pelo Ministério da Saúde que confere um “selo” aos hospitais que cumprem os 10 passos:

Passo 1 – Ter uma política de aleitamento materno escrita que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde;

Passo 2 – Capacitar toda a equipe de cuidados de saúde nas práticas necessárias para implementar esta política;

Passo 3 – Informar todas as gestantes sobre os benefícios e o manejo do aleitamento materno;

Passo 4 – Ajudar as mães a iniciar o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento; conforme nova interpretação: colocar os bebês em contato pele a pele com suas mães, imediatamente após o parto, por pelo menos uma hora e orientar a mãe a identificar se o bebê mostra sinais de que está querendo ser amamentado, oferecendo ajuda se necessário;

Passo 5 – Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação mesmo se vierem a ser separadas dos filhos;

Passo 6 – Não oferecer a recém-nascidos bebida ou alimento que não seja o leite materno, a não ser que haja indicação médica e/ou de nutricionista;

Passo 7 – Praticar o alojamento conjunto – permitir que mães e recém-nascidos permaneçam juntos – 24 horas por dia;

Passo 8 – Incentivar o aleitamento materno sob livre demanda;

Passo 9 – Não oferecer bicos artificiais ou chupetas a recém-nascidos e lactentes;

Passo 10 – Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar

Além desses passos precisa garantir o acompanhamento da mãe ou do pai junto ao bebê 24 horas por dia.

Como garantir esse nosso direito?

Primeiro conheça o local onde pretende ter seu bebê.

Com as informações em mente, faça as perguntas de forma clara e objetiva: posso amamentar o bebê assim que nascer? posso segurar meu bebê? posso ficar com ele na recuperação anestésica?

Coloque tudo no papel. Faça um bom plano de parto. Converse com seu acompanhante para que ele esteja ciente dos seus desejos e dos direitos de vocês.

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