A mulher por trás da doula

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Olá!

Sou a Thaís, tenho 31 anos e sou mãe de duas meninas. Caçula de três filhos, nascida através de uma cesariana de emergência devido a um descolamento de placenta. Fizeram promessas para um bom desfecho, pensaram até em mudar meu nome. Mas correu tudo bem! E cheguei na véspera do aniversário da minha mãe.

Passei minha infância em Passos – MG, e com 11 anos nos mudamos para Poços de Caldas onde moro e construí a minha família.

Essa sou eu!

Como tudo começou

Sempre gostei de cuidar. Cuidar das pessoas, das coisas, dos animais. Com 17 anos me vi cuidando de minha mãe, que passava por um tratamento de câncer de mama. Deixando de ser exímia cuidadora de nossa casa para então ser cuidada. Graças a Deus foi um processo curto, mas ao mesmo tempo intenso e doloroso para quem passa. Estava no terceiro ano e não queria sair de perto dela, optando então por cursar faculdade de enfermagem por aqui mesmo.

Fiquei grávida, e agora?

Tive minha vida revolucionada a partir da inocência da primeira gestação, aos 19 anos. Quando pensei que para parir, bastasse estar grávida. Comecei a pesquisar sobre partos, e a cada semana que passava ficava apavorada. Por que os bebês da minha família nasciam com hora marcada? Mas eu ainda não estava pronta para entendê-los. Acabei caindo numa cesariana sem indicação, por conveniência médica, mas o parto que eu tinha que ter passado naquele momento. Nunca me senti tão sozinha naquele centro cirúrgico gelado como aquele dia, vendo minha filha pela primeira vez com os braços amarrados., sem poder fazer nada. Após o nascimento da Duda, cresceu em mim a vontade de fazer diferente e a paixão pela humanização explodiu!

Nascimento da minha primeira filha, 2007.

Novos propósitos

Terminei a faculdade em meados de 2010 e no fim do ano fiz o curso de doulas no Gama. Fiquei completamente apaixonada! Em seguida dei início a pós graduação em obstetrícia e as coisas foram acontecendo. Casei e comecei a trabalhar como enfermeira de maternidade. A cada dia tudo ficava mais claro! Sentia que precisava passar por tudo de novo. Engravidei da Júlia e todo o protagonismo de gestação e parto começava a fazer mais sentido. Fui então em busca do meu sonho, em busca da certeza de ter a minha escolha respeitada, em busca de um médico que mais do que simplesmente aceitasse o parto normal, desse todo apoio para que ele acontecesse, que priorizasse o meu desejo.
Iniciei o pré-natal com uma médica que trabalhava comigo na maternidade, e eu me encantava com a forma dela atender as pacientes e os partos, e por pensarmos da mesma forma, criamos uma afinidade que deu tudo muito certo! É acolhedor mãe e médica decidindo juntas o que fazer, empoderamento materno sendo respeitado e incentivado.
Comecei a mentalizar o parto que queria e preparar o corpo e a mente para vivencia-lo da melhor forma possível.
Sabia que doía, que podia ser que não aguentasse a dor, eu já sabia o que me esperava apesar de saber que nada é bem do jeito que a gente pensa ate vivenciar aquilo. É importante que sejamos firmes, decididas e acima de tudo corajosas ao enfrentar criticas e as consequências dessa decisão. Eu sempre estive certa do que eu queria, por isso esse tipo de coisa não me afetou. Minha filha nasceria de parto humanizado, salvo por alguma indicação REAL de cesárea. Entrei em trabalho de parto com 40 semanas e 2 dias.  Foi o portal mais avassalador que ultrapassei até hoje.  Achei que ia me perder no meio destas ondas violentas. Mas aquela dor, era isso que eu queria, era pra isso que tinha me preparado, e quando chegou o momento não havia pra onde correr, não tinha pro que apelar. A dor do parto nos faz sentir forte, capaz e poderosa! A dor do parto conecta a mulher com seu corpo muitas vezes esquecido, camuflado, envergonhado. A dor do parto a desnuda para uma nova fase em sua vida. Sentia eu e minha filha trabalhando juntas, em sintonia. Era a força do mundo reunida em mim. Parir nos dá uma sensação indescritível de poder! Esta sensação dela vindo direto pro meu colo, corada e limpinha, escorregadia em meu seio, é algo que eu jamais esquecerei! É algo que faz tudo valer a pena! Fiquei abraçadinha com ela, que também precisou ser forte e corajosa, precisou romper barreiras, ela também se entregou ao desconhecido e apenas confiou. Meu bebê estava no meu colo, cheirando vida, exalando um calor aconchegante, sendo a minha cria, sangue do meu sangue, corpo do meu corpo. Fomos apenas eu e ela, e a natureza agindo. Repeti por várias vezes chorando: Eu consegui! Eu consegui!

Meu tão sonhado Vbac em 2014

Agora, doula 

E aqui estou,  buscando sempre novos desafios, dentre eles o de escrever textos. Aprendi a acreditar no eu feminino, acreditar que toda mulher é forte, que toda mulher é capaz, que precisamos acreditar em nós mesmas, que precisamos de informações baseadas em evidências e que temos muito ainda que aprender. Aprendi a respeitar a escolha da mulher, seja ela qual for e entender que nem tudo é na hora que nós queremos.

Referências:

Benefícios da Doula no parto: http://www.cochrane.org/pt/CD003766/apoio-continuo-para-mulheres-durante-o-parto

 

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