Entendendo o processo de dilatação

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A dilatação é a “abertura da porta” para a saída do bebê. Quando o bebê está pronto e chega o momento do nascimento, o corpo se prepara, há uma intensa liberação hormonal, iniciam-se as contrações e assim o colo do útero começa a dilatar até a marca de 10cm para dar passagem à saída do bebê.

Nesse vídeo é possível entender melhor como se dão as contrações no útero e como esse processo resulta na dilatação do colo.

É um processo incrível e ao mesmo tempo intenso e assustador, mas se entendemos melhor nossas dúvidas sobre os processos eles passam a nos assustar bem menos, concorda? Então vem comigo que tentei esclarecer aqui algumas das dúvidas mais comuns sobre esse tema!

E se eu não tiver dilatação?

dilatação
Fonte: Roberta Martins – Fotografia

Devolvo com outra pergunta: se não dilatar ou se não dilatar no tempo que te impuseram? É comum ainda ouvirmos que a progressão da dilatação se dá pela regra de 1cm/1 hora, mas será que realmente isso tem aplicabilidade? Este ano (2018), a OMS lançou suas recomendações para o cuidado intraparto para uma experiência de parto positiva, dentre as recomendações, algo muito importante:

“O rítimo de dilatação mínimo de 1cm/hora durante o primeiro estágio ativo é irrealisticamente rápido para algumas mulheres e por conta disso não é recomendado para identificar a progressão normal do trabalho de parto. Uma dilatação cervical mais lenta que 1cm/hora por si só não deve ser tomada como rotina para indicar uma intervenção obstétrica.” (OMS, 2018, p. 3)

É isso, cada corpo é um corpo, cada mulher uma mulher e cada qual se comporta da sua forma, o importante é garantir nesse processo que mãe e bebê seguem bem e avaliar de forma real e não com base em uma média que não se aplica à um grande número de mulheres.

Algo importante é considerar que muitas vezes a evolução pode estar sendo comprometida por outros fatores externos e quando este for o caso, buscar adequar o ambiente pra que a parturiente se sinta confortável e segura. Doulas cuidam bem disso, muitas vezes é uma luz que precisa ser apagada, um banho morno que se pode tomar, é muita gente que não precisa estar no ambiente… somos sempre olhos e ouvidos atentos à isso.

Outro detalhe é que a dilatação não é o único processo do trabalho de parto, então você não precisa ficar focando nos números, sejam centímetros ou horas. Na fase de latência, por exemplo, é tempo de poupar energia e não de fazer mil exercícios mirabolantes pra querer dilatar super rápido. Toda essa ansiedade e foco nos números podem acabar causando um efeito contrário se a gente pensar na ideia de que “o parto está entre as orelhas”.  Nesse sentido, se você achar que não vai lidar bem com essa questão, uma dica é pedir para não ser informada após a avaliação da dilatação a não ser que exista uma questão muito específica para ser conversada. Isso vai de cada uma, muitas vão lidar melhor sabendo.

Quando falam de “ter passagem” é a mesma coisa que a dilatação?

Não! A dilatação é referente ao colo do útero, já  a passagem trata da pelve materna. O termo “ter passagem” é popularmente usado para tratar sobre desproporção céfalo-pélvica (DCP), ou seja, quando a cabeça do bebê, seja por seu diâmetro ou por mal posicionamento, não consegue passar pela pelve materna. Isso pode acontecer mesmo que com dilatação completa.

Nesse caso a grande questão é que não há como fazer essa previsão antes que a mulher entre em trabalho de parto e chegue a dilatação de 8-10cm entretando esse diagnóstico é comumente dado antes disso.

Nesse post você pode ler mais sobre isso.

Depois que dilata, a vagina fica larga?

Fonte: Wikimedia Commons

O primeiro ponto aqui é entender o que é que dilata e não, não é a vagina! A dilatação acontece no colo do útero. Com as contrações, a “porta” do útero abre dando passagem pra saída do bebê. Ok, mas e como passa pelo canal vaginal? O canal vaginal é elástico, como uma liga de cabelo, o bebê passa esticando e após a passagem tudo vai retornando pro lugar.

(Na imagem ao lado é possível ver o colo do útero onde está escrito “cérvix”).

O que pode acontecer é que o processo da gestação pode causar alguns efeitos na musculatura da região pélvica e você pode vir a sentir alguma diferença (independente da via de nascimento), nesse caso a fisioterapia é uma grande aliada tanto na prevenção quanto no tratamento.

Fonte: Roberta Martins -Fotografia

Durante todo esse processo de trabalho de parto mil coisas podem acontecer, mas mesmo no curso “normal” a sua cabeça vai fazer muita diferença nesse processo, então, se eu puder deixar uma dica, digo que: entendendo o que é o processo da dilatação,  você “entregue, confie, aceite e agradeça”. Não se pilhe com isso, não se apegue aos números, não se imponha regras. Confie no seu corpo e relaxe!

REFERÊNCIAS

BALASKAS, J. Parto Ativo: guia prático para o parto normal. 3. ed. São Paulo: Ed. Ground, 2015.

BIO, Eliane. O Corpo no Trabalho de Parto. São Paulo: Ed. Summus Editorial, 2015.

WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience. Geneva: World Health Organization; 2018.

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