A dor do parto, analgesia e anestesia, você sabe a diferença?

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Uma preocupação que assombra a maioria das gestantes é a dor do parto, muitas já chegam me avisando que querem tomar anestesia para não sentirem dor, outras dizem que não querem tomar nada, mas a verdade é que todas as opções, se utilizadas no momento certo, podem ser extremamente benéficas para o trabalho de parto.

E então, quando devemos utilizar anestesia ou analgesia? E qual a diferença?

A dor do parto

Antes de explicar sobre analgesia e anestesia, vale ressaltar que a dor do parto é uma questão muito pessoal, trazer ao mundo um filho é de uma responsabilidade tremenda e exige daquela mulher nascer como mãe, exige que aquela mulher se conecte com o seu subconsciente, com seu lado mais primitivo e sua ancestralidade, e isso não é fácil!

Por isso que nós, doulas, entramos em ação desde muito antes do trabalho de parto iniciar, chegamos lá atrás, conhecendo essa mulher, descobrindo seus medos, inseguranças e principalmente preparando-a para essa aventura durantes os encontros.

Dor do parto
Via Wendy-Kenin-Flickr

A dor do parto, pode ser descrita pelas mulheres como uma cólica menstrual, que vai aumentando e intensificando na medida que o trabalho de parto evolui. Outras, alegam ser uma dor na lombar, que começa apenas incomoda e que vai aumentando gradativamente. Outras sentem apenas dor no “pé na barriga” e de repente, ploft, o bebê nasceu, E tem ainda as que tem orgasmos durante o trabalho de parto (queria eu ter sido dessas).

Elas chegam como ondas, vem devagarzinho, aumentam a intensidade e vão embora. E são realmente como as ondas do mar. Se você ficar em pé, enrijecido enquanto a onda quebra em cima de você, com certeza a dor e o desconforto serão maiores, porém, se você aceita a onda e mergulha por baixo dela, entrando na onda, com certeza você passará mais fácil por ela. E assim funciona as contrações, se você aceita a contração, entra nela, mergulha, com certeza ela funcionará muito melhor e irá colaborar com a evolução do seu parto.

Analgesia e anestesia

De acordo com o anestesista Oscar César Pires, diretor do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, durante o parto normal é utilizado doses baixas de anestésicos, retirando assim o desconforto da mulher, mas mantendo a mobilidade das pernas, permitindo que a mulher se locomova e escolha as posições mais favoráveis durante o restante do trabalho de parto.

Analgesia/anestesia
Cedida por Thais Gutierrez Ferreira, momentos antes de tomar analgesia.

O Dr. Arthur de Campos Vieira Abib, anestesiologista do Hospital São Luiz, informa que a anestesia é o bloqueio de todas as vias de sensibilidade e motoras, havendo ausência completa da dor, muitas das vezes acompanhada de perda de consciência e abolição de reflexos motores e sensoriais, dependendo da técnica anestésica utilizada.

Ele ainda afirma que a técnica utilizada no parto normal é a de duplo bloqueio, onde é realizada anestesia combinada peridural e raquidiana, no qual ocorre alívio da dor sem bloquear a movimentação das pernas e, desta forma, é possível levantar-se e caminhar durante o trabalho de parto.

Vantagens do uso da analgesia e anestesia.

– Quando o trabalho de parto está longo e a parturiente se encontra cansada, precisando de uma pausa para recuperar as energias e continuar o trabalho de parto.

Anestesia
Via Ben Edwards Stone – Getty Images

Desvantagens do uso da analgesia e anestesia.

– Normalmente após a primeira dose de analgesia a parturiente não quer voltar a sentir dor e acaba precisando cada vez mais de analgesia.

– O uso da ocitocina artificial para as contrações voltarem a engrenar e acelerar o trabalho de parto.

– Maiores chances de o médico precisar romper a bolsa.

– Uso de fórceps ou vácuo extrator para retirada do bebê.

– Contrações irregulares, curtas e pouco eficientes, podendo causar alterações nos batimentos cardíacos do bebê.

– O uso de muitas intervenções, pode acabar virando uma cesárea.

O ideal é que o desejo da parturiente seja respeitado, que os recursos não farmacológicos sejam esgotados e que somente após isso, a analgesia seja utilizada, evitando assim a cascata de intervenções.

 

Emoção após nascimento
Cedida por Lais Marques, emoção após conseguir parir seu filho.

Porque no cuidado anestésico de uma gestante, os dois pacientes (a mãe e o feto) sofrem as consequências da conduta. É necessário um profundo conhecimento das alterações fisiológicas que acompanham a gestação e de suas interações com a modalidade anestésica escolhida. Falhas em considerar tais fatores podem gerar consequências catastróficas para ambos1.

Referências

Analgesia de Parto: bloqueios locorregionais e analgesia sistêmica.

Scielo – Anestesia e Analgésia de Parto

Lei do Parto Humanizado

Relatório de Recomendação do Ministério da Saúde

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