Parto Normal? Deus me livre!

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Em 2011, o estudo Nascer no Brasil – Inquérito sobre parto e nascimento, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz, divulgou que 72% das gestantes ouvidas desejavam ter seus bebês por parto normal.
Pelos dados da pesquisa, vemos que não é isso que acontece na prática.
Pela rede pública, 52% dos bebês nasceram por cesariana e na rede privada esse número chega a 88%.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que apenas 15% dos partos sejam por via cirúrgica.

Mas o que acontece para que essa porcentagem mude de uma forma tão drástica?

Vários fatores podem influenciar: médico que não incentiva a prática do parto normal, mulheres desencorajadas por amigos e familiares, medo…

E é sobre isso que vamos conversar hoje: sobre o medo do parto normal.

Listei aqui alguns temas bem recorrentes nas consultas de pré-parto que faço com as gestantes que acompanho e possíveis formas de ajudar a mandar o medo embora.

Uma coisa que sempre digo para elas: se informem!
A informação tem poder e ela pode ser uma das melhores amigas no momento da gestação e parto.
Leia textos de boa referência, frequente grupos de apoio ao parto.
Converse com mulheres que passaram por essa experiência.
Assista filmes e documentários.
Informação nunca é demais! Quanto mais, mais segura da sua decisão. Mais segura na hora do parto.

Massagem para alivio da dor. Foto: Arquivo Pessoal

Dor:
A dor é o medo número 1 de toda gestante.
Muitas acham que não serão capazes de passar pelo processo da dilatação.
Que não darão conta de passar dor por tanto tempo.
Sabe-se que a dor de parto vem como uma “onda”. Ela vem, atinge um ápice e depois vai embora. Voltará novamente em alguns minutos.

Conselho da Doula: prepare a mente! O corpo irá fazer a contração ir e vir. O jogo mental nesse momento é insano. Concentre na respiração ou em uma música. Lide com cada contração como se fosse única. Não sofra pelas que virão. Pense nessa que passou como “menos uma”. A mente pode ser uma grande aliada, se você entender que não precisa lidar com a dor como se fosse sofrimento.

Cesariana da minha segunda filha. Foto: Arquivo Pessoal

Precisar de uma cesariana:
Muitas mulheres preparam, desejam tanto o parto normal, que quando surge no pensamento a possibilidade de cair numa cesariana, o pavor toma conta.
Sim, é importantíssimo preparar para esse momento. Sabemos que sempre existe a chance de algo acontecer e precisar ir para a cirurgia.

Conselho da Doula: Entenda como é a fisiologia do parto. As etapas que o corpo precisa passar para que o bebê nasça.
Conheça todas as indicações reais da cirurgia. A cesariana existe para casos que realmente não dá para o bebê nascer via vaginal. Que bom que ela existe, salva vidas todos os dias. Mas que seja feita com real indicação!
Se informe como é feita a cirurgia, como funciona todo processo. Caso você precise de uma, se sentirá mais segura.

 

Bebê passar da hora
A OMS considera que a gestação pode ir até 42 semanas.
Mas o que geralmente acontece é a gestante entrar em 38 semanas e as pessoas mais próximas começarem a pressionar e falar que o bebê vai passar da hora.
Histórias da prima da tia da vizinha que teve um bebê morto porque passou da hora será mais uma em muitos casos que as pessoas adoram contar para gestantes ficarem ainda mais inseguras e nervosas.
A DPP (data provável do parto) é um cálculo que o médico faz para saber a data aproximada que o bebê irá nascer. Não significa que quando você entrar nas 40 semanas, o bebê precisa nascer rapidamente. Quando essa data se aproximar, o médico irá pedir para você comparecer ao menos uma vez por semana no consultório para melhor monitorização.

Conselho da Doula: Ficar distante dos curiosos de plantão. A ansiedade deles pode te deixar ainda mais nervosa. Confie em seu corpo e confie no seu bebê. Ele dará sinais quando estiver pronto para nascer. E caso precise de alguma interferência, o médico saberá como agir.

 

http://www.maezissima.com.br/ser-mae/7-passos-para-denunciar-violencia-obstetrica

Violência Obstétrica:
Essa é uma situação que assombra milhares de gestantes, principalmente as que dependem do sistema público de saúde.
Violência Obstétrica é crime! A agressão pode ser física ou verbal.
Recusa de procedimento, xingamento, proibição de acompanhante, intervenção e procedimentos médicos não indicados, cesárea desnecessária, exames de toque feitos repetidamente, são algumas situações que enquadram no quadro.

Conselho da Doula: No momento do parto, a mulher fica vulnerável. O ideal é ter um acompanhante que esteja informado de todos os procedimentos e que seja capaz de dialogar com a equipe, caso algo saia do planejado.
Denuncie todo e qualquer tipo de violência no parto. Conheça seus direitos.
No site da Artemis (link abaixo), existe uma cartilha sobre o assunto e como você pode fazer uma denuncia.

O medo é inevitável! Por seu primeiro bebê. Por não ter vivido uma experiência anterior positiva ou simplesmente, porque tem medo.
O que você pode fazer para amenizar esse sentimento é se informar, ter uma equipe que apoie sua decisão.
Tenha uma doula. Ela pode ajudar a desfazer mitos, te deixar mais segura e dar todo o apoio necessário para que você tenha uma incrível experiência.

Referências:
– Estudo Nascer no Brasil
https://portal.fiocruz.br/noticia/nascer-no-brasil-pesquisa-revela-numero-excessivo-de-cesarianas

– Opinião de mulheres e médicos brasileiros sobre a preferência pela via de parto  https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S00389102004000400002&script=sci_arttext

– Violência Obstétrica
https://www.artemis.org.br/violencia-obstetrica

– Documentários: O renascimento do parto 1 e 2

 

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