Nasce ou não nasce? A gestação prolongada.

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Você chegou no fim da gestação e está tudo pronto: quarto mobiliado e decorado, roupas lavadas e separadas, mala da maternidade pronta, mas o bebê não quer nascer! E sua ansiedade aumenta a cada dia. Você olha para o tamanho da melancia que engoliu e se pergunta como mesmo ela vai sair dali. Sua família e amigos te bombardeiam perguntando quando chega esse bebê. As consultas com o obstetra passam a ser frequentes para monitorar o bem-estar materno e fetal. Tudo faz aumentar a expectativa para esse bebê nascer… e ele não dá sinal de querer sair do forno!

E daí você se pergunta: e se passar da hora?

A gestação só é considerada prolongada, ou pós-termo, ou pós-data, após 42 semanas completas – o que ocorre em cerca de 5% dos casos. Porém, aproximadamente 10% das gestações ultrapassam 41 semanas. Algumas

Fica um receio do bebê “passar da hora”. Como?
Foto: CC0 Creative Commons.

vezes a determinação da idade gestacional pode estar errada, pois pode ter acontecido uma ovulação tardia ou a fecundação não ter ocorrido por volta do 14º dia do ciclo. Assim, além de saber a data da última menstruação (DUM), é aconselhável uma ultrassonografia até a 13ª semana de gravidez a fim de evitar erros na data provável do parto (DPP), determinada para 40 semanas de gestação.

 

Riscos de uma gravidez prolongada

Da mesma forma que é arriscado um bebê nascer prematuramente (antes das 37 semanas), também existem riscos em gestações que ultrapassem as 42 semanas. Pode ocorrer insuficiência placentária,

Foto: CC0 Creative Commons.

que também é chamada de envelhecimento da placenta, com redução de aporte de nutrientes e oxigênio para o bebê (podendo resultar em perda de peso do bebê), e redução do líquido amniótico (oligodrâmnia) – o que, por sua vez, aumenta a viscosidade do mecônio eliminado no líquido, favorecendo sua aspiração. Tudo isso acarreta “aumento de morbidade e mortalidade perinatal, anormalidades da frequência cardíaca fetal intraparto, eliminação de mecônio, macrossomia [bebê com peso superior a 4 kg] e cesariana”, segundo Melania Amorim.

 

Esperar ou agir?

A conduta obstétrica pode ser ativa (de se induzir o parto ou agendar cirurgia) ou expectante (de aguardar o início espontâneo do trabalho de parto). As evidências científicas indicam que a indução eletiva reduz significamente a síndrome de aspiração meconial e também o número de intervenções cirúrgicas (cesarianas). “Uma revisão sistemática publicada em 2011 incluiu 14 ensaios clínicos randomizados. A metanálise sugeriu que a indução eletiva do parto a partir de 41 semanas se associa com redução do risco de morte perinatal (…) comparada com a conduta expectante, porém não houve redução do risco de morte fetal (…)”, conforme Melania. Esses estudos concluem que a indução é uma forma efetiva de reduzir a morbidade e a mortalidade perinatal a partir das 41 semanas, depois de se discutir os benefícios e riscos de um parto induzido, avaliando as particularidades de cada parturiente, tanto clinicamente quanto de seu bem-estar físico e emocional.

Para onde ir? Aguardar o trabalho de parto espontâneo, cesária eletiva ou indução eletiva? 
Foto: CC0 Creative Commons.

 

Em caso de conduta expectante, a literatura atualizada indica monitoramento fetal (avaliação do líquido amniótico, cardiotocografia e perfil biofísico), apesar deste não estar definido com rigor. A literatura aponta que esperar o trabalho de parto nesses casos está associado a uma maior chance de cesariana do que nas induções, além de a chance de aspiração de mecônio ser maior do que nas gestantes induzidas eletivamente (estudo de Ângelo do Carmo Silva Matthes).

 

 

Leia mais em:

Estudando a gravidez prolongada, da obstetra Melania Amorim, em que ela explica inclusive as vantagens e desvantagens da indução do parto:

http://estudamelania.blogspot.com/2012/08/estudando-gravidez-prolongada.html

Manual da Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf

 

Conheça as possíveis causas (ainda desconhecidas) de uma gestação prolongada, de Ângelo do Carmo Silva Matthes: http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n8/a1583.pdf

 

Como se calcula a idade gestacional, DPP e bebê que “passa do tempo”, da doula Natália Caplan: http://blog.casadadoula.com.br/2018/02/22/o-bebe-pode-passar-do-tempo/

 

Quanto tempo é seguro esperar pelo parto normal?, da obstetra Camila Escudeiro: http://www.commadre.com.br/mas-essa-crianca-ainda-nao-nasceu/

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