A arte de parir – a conquista da copa da sua vida (parte II)

Compartilhe:

Se você chegou até aqui e perdeu a primeira parte da arte de parir, é só clicar aqui.

E para você que tava ansiosa pela continuação, o show continua, mas já aviso: saí da orquestra, passei para o ballet e agora, inspirada pelos meninos da seleção, chegamos ao campo de futebol, na copa mais importante da tua vida.

Fase ativa e transição

É uma fase decisiva no jogo mais importante e mais desafiante da tua vida. Imagina só o jogo da final da copa do mundo: para um jogador é um divisor de águas na vida e na carreira. Assim também é para a mulher que joga no trabalho de parto pra virar mãe. Quando o bebê nasce, tudo muda e há uma promoção à maternidade. Voltemos, porém, à decisão da copa.

Nessa fase, mãe, corpo e bebê precisam trabalhar juntos. As contrações se intensificam, empurrando o bebê na direção do colo do útero e aumentando a dilatação, até que o bebê finalmente encaixe no canal vaginal. Vêm as dores, como ondas, como o susto de um contra-ataque mal sucedido, porque a mãe que tá no domínio do jogo. E ao retomar o controle, há a recuperação e o relaxamento necessários para suportar o desgaste de outra investida ao seu ataque.

Cabe aqui um aviso às fãs do Neymar: não façam como ele, mas permaneçam na vertical. As posições verticais favorecem a descida do bebê, colaborando com a força da gravidade. Se você conseguir ficar de cócoras então, é só sucesso: é a posição fisiológica para trabalho de parto e parto, especialmente porque aumenta o ângulo da pelve.

Nessa fase, as contrações vão aumentando e a concentração também, mas não por medo. Você já conhece seu adversário e sabe que pode vencê-lo, por isso dá o seu máximo. Não quer mais saber muito de se alimentar ou de água, muito menos de falar. É quase um êxtase. No ápice dessa fase, você acha que vai ficar pra sempre no zero-a-zero, que não pode mais, que não vai conseguir e quer entregar os pontos. Medo. Covardia. Transição. Estamos nos aproximando do fim do jogo.

Por Graziele Pereira (@umnovoolhar)

Expulsivo

Eis que nesse último momento você olha pra arquibancada e vê seus convidados. O marido, a equipe, os filhos, aqueles que confiam em você e sabem do seu potencial. A presença e o encorajamento deles dão o gás para prosseguir. Você só quer fazer o gol pra respirar aliviada, então o time todo te puxa pro gol. Expulsivo. É agora ou nunca, ou vai ou racha. Você se vê de cara pro gol, na grande área, dá um chute, o goleiro espalmou, escanteio, cabeça coroada, é a sua chance. Vem bola alta na área, você nem esperava e nem é boa de cabecear, cabeceia no susto e é GOL! Nasceu! Você conseguiu e é capaz, ainda que tenha sofrido um 7×1 – ou uma cesárea – em temporadas passadas.

Dequitação da placenta

O jogo acaba, mas ainda falta receber a taça. Desce a placenta. A árvore da vida. O órgão que nutriu o bebê nos últimos nove meses.

Quando a placenta nasce, quando o troféu é entregue, novas possibilidades surgem: uma nova história começa a ser escrita. Foi-se a dor, o sofrimento, sangue, suor e lágrimas, ficou a alegria, a emoção, a taça e a satisfação de ter conseguido. E isso nenhum dinheiro do mundo paga.

Referências Bibliográficas

BALASKAS, Janet. Parto ativo: guia prático para o parto natural. 2 ed. São Paulo: Ground, 2012. 317 p.

BIO, Eliane; BITTAR, Roberto Eduardo; ZUGAIB, Marcelo. Influência da mobilidade materna na duração da fase ativa do trabalho de parto. Rev Bras Ginecol Obstet., São Paulo, jun./nov. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v28n11/a07v2811.pdf>. Acesso em: 26 jun. 2018.

VELLAY, Pierre. Parto sem dor: princípios, prática e testemunhos. 1976 ed. São Paulo: IBRASA, 1976. 276 p.

Doulas recomendam:

Placenta, meu bem querer! “É feita de dois organismos diferentes e incompatíveis, mas funciona como um único órgão, em completa harmonia.” A PLACENTA! Fonte: wikkimedia.org ...
Quando a cesárea é bem-vinda, indicações reais Fotografia de Fran Hoffmann - @franhoffmann O Brasil atualmente é considerado o país campeão em cirurgias cesarianas eletivas, ou seja, nascimento...
Como eu me descobri doula Quando criança, eu achava que gravidez era sinônimo de cesárea. Eu nasci assim, minha irmã também, todas as crianças que eu conhecia também tinham nas...
Plano de parto: fazer ou não? Fonte: Daria Shevtsova from Pexels Eu amo a ideia do plano de parto! Sempre aconselho que seja feito, indico que se faça junto com o acompanhante ...
Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *