Um furacão chamado vida

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Cuidar dos outro sempre foi uma particularidade nata. Talvez tenha começado enquanto eu ajudava minha mãe a cuidar do meu irmão e da minha irmã mais novos, mais tarde fui representante de classe e comissão de formatura. Gostava disso, gostava da confiança que era colocada sobre mim e seriedade que isso tinha. Mas nada disso chegaria aos pés das responsabilidades que o furacão, conhecido também como: maternidade me trouxe aos 21 anos.

arquivo pessoal

Da calmaria aos primeiros ventos
Já fiz de tudo um pouco. Em 2013 fazia Gastronomia no SENAC. Amo cozinha então por que não? Comecei a estagiar e conheci meu marido. Ao entender o ramo e a loucura que era, vi que não era para mim. Comecei um curso para ser comissária de bordo. Já tinha sido aprovada na prova escrita e na sobrevivência na selva, só faltava realizar a prova da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

arquivo pessoal

Eis que a vida soprou pro outro lado e em janeiro de 2014 descobri minha primeira gravidez.
Sempre quis ser mãe, é verdade, mas imaginava isso aos 25, não uns quatro anos antes.

arquivo pessoal
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O início do temporal
As 38 semanas que se seguiram foram marcadas pra além do meu caos interno (tanto físico quanto psicológico), por momentos muito especiais. Lá pela 15ª semana eu e o Caio fomos morar juntos. Aos 6 meses a barriga chegou antes que eu no meu casamento.
Conforme a gravidez avançava, uma certeza eu tinha: “lógico que só fazem cesária se necessário. Não faz sentido sobrepor a natureza no quesito nascimento. Fomos feitas pra parir”. Seria lindo se fosse assim, mas fui descobrir só mais tarde que não é desse jeito que a banda toca aqui no Brasil, onde a porcentagem de cesária bate os 84% na rede privada e 57% na rede pública, só pra ter uma idéia, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que somente 15% dos nascimentos sejam feitos por meio de cesarianas (fonte: https://nacoesunidas.org/unicef-alerta-para-elevado-numero-de-cesarianas-no-brasil/ ).
Com 37 semanas, Bernando ainda estava sentado (passou boa parte da gestação nessa posição) mudei de médico. Na semana seguinte estava internando para cirurgia. Eu tinha caído nos números do sistema.

No olho do furacão
O pós parto foi literalmente regado a água, a internação por icterícia chegou junto com a depressão. E quando o Bê completou 4 meses nos mudamos pra Primavera do Leste –MT.
No tempo que eu tinha livre, comecei a pesquisar o porquê que aconteceu o que aconteceu, porque meus infinitos problemas com o parto e a amamentação. Achei muitas respostas, mas o mais importe foi que eu entrei nesse mundo da humanização, comecei a entender o sistema obstétrico no Brasil. Me empoderei.

A calmaria está logo ali
O Bê estava para fazer 8 meses e eu descobri a minha segunda gravidez. Dessa vez seria um parto com respeito e seria um domiciliar.
Voltamos pra SP e eu, grávida de 6 meses me formei doula – em 2015- pelo Grupo Zán em Santos e tive mais certeza da minha escolha.
1 ano e 5 meses após a cesária que me fez mãe do Bernardo, que me fez ver uma Gabriela que eu jamais imaginaria existir,que me levou a busca pela informação, eu pari.

Miguel nasceu embaixo do chuveiro numa madrugada depois de uma semana e meia em pródromos. Fomos muito bem assistidos pela equipe MATRONA- amor&parto em casa.

Está tudo diferente, mas tudo está em paz
Voltei a atuar como doula quando meu caçula estava com quase seis meses. E eu jamais vou esquecer a primeira mulher que eu vi parindo. Naquele momento eu tive certeza de que a minha escolha era a certa para mim.

Desde então eu venho concluindo cursos que agreguem no cuidado com a gestante, gravidez, parto e pós parto. Graduei no meu segundo curso de doulas (1ª turma do Multiplicando Doulas) e aprendi Rebozo(Pâmella Souza) em 2016, em 2017 concluí cursos de aromaterapia (ComMadre), Spinning babies (Gail Tully), Drenagem para Gestantes (Kadmon) e no começo de 2018 realizei o curso de Laserterapia aplicada à amamentação e pós parto (Mame Bem).

O furacão me fez quem sou hoje
Apesar de todo caos e batalhas que enfrentei e ainda venho trabalhando em mim para aceita-las, elas fizeram a minha vida mudar totalmente de direção e tem sido incrível.
Se existe alguma coisa que eu possa fazer pra ajudar ou, pelo menos, começar a ajudar a mudança no jeito que as mulheres parem no Brasil e o jeito que os bebês nascem, é doulando mulheres e suas famílias no momento mais particular da vida delas.
Hoje percebo que, de fato, ”cuidar” sempre esteve comigo e atualmente levo meus dias ora cuidando dos meus filhos, ora cuidando de mulheres. E eu não me arrependo nem um pouco.

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2 respostas para “Um furacão chamado vida”

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